"Eu não posso prestar um bom serviço se eu não estou bem", diz diretor do HRTM

Foto: Valéria Lima
01 Ago
10:45 2015
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Da redação

Em A ENTREVISTA, diretor geral do Hospital Regional Tarcísio de Vasconcelos Maia revela como desobstruiu os corredores, abasteceu farmácia, melhorou a qualidade de vida dos servidores e espera a conclusão da ampliação da unidade

Em A ENTREVISTA, o diretor geral do Hospital Regional Tarcísio de Vasconcelos Maia (HRTM), cirurgião dentista e buco maxilo, Jarbas Miguel Fernandes Mariano, de 54 anos, é servidor da unidade desde a década de 1988. Graduado pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Jarbas Mariano é casado com a cirurgião dentista Clescivânia Fernandes de Holanda Mariano, com que tem dois filhos.

Ele revela que o Governo do Estado está preparando um concurso público para a saúde no Rio Grande do Norte, que comprou uma ambulância para fazer a transferência de pacientes do HRTM para Natal e sobre o que foi feito para melhorar o trabalho dos mais de mil servidores da unidade.

"Eu não posso prestar um bom serviço se eu não estou bem". Foi baseado nisto que o diretor Jarbas Mariano adotou uma série de medidas para humanizar o trabalho dos servidores do HRTM e melhorar o atendimento ao paciente.

Ainda conforme o direitor, o governo do Estado está finalizando as obras que foram paralisadas para reiniciar e concluir. Adiantou que a Farmácia do hospital foi reabastecida e que o caixa eletrônico vai mudar de lugar dentro da unidade, para atender somente aos funcionários.

Estas e outras informações:

O senhor esteve reunido nesta quarta-feira, 29, com o secretário estadual de Saúde, Ricardo Lagreca, em Natal. O que foi discutido e o que podemos aguardar de melhora para a saúde do Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró?

Estas reuniões tem sido uma constante nesta nova gestão. Todos os meses nós temos uma reunião com o secretário, subsecretário, com toda equipe central e todos os diretores gerais e administrativos da secretaria para tratar de assuntos diversos. Nesta quarta-feira tratamos sobre alguns pontos sobre greve...

...alguma esperança de chegar ao fim?

... Sim. Sim. Temos boas perspectivas que a greve chegue ao seu final. Muitos pontos foram avançados entre as partes.

Um dos pontos da greve é sobre a redução do número de servidores em função de aposentadoria e etc. Foi tratado sobre isto, digo, pensaram num novo concurso?

Foi feito todo um dimensionamento, foi feito todo um dimensionamento, inclusive no Hospital Regional Tarcísio Maia e em todos os outros do Estado para se ter uma ideia de nosso quantitativa de quantas pessoas estão se aposentando para fazer um novo concurso público. Este foi o grande movimento da reunião desta quarta-feira na reunião entre os gestores da saúde do Rio Grande do Norte na SESAP, em Natal.

Concurso para quando?

Estão fazendo este levantamento para fazer o novo concurso público já no início do próximo ano (2016). Na realidade o secretário disse que este concurso já deveria ter acontecido, tamanha a carência de pessoal que temos nos hospitais regionais, em especial no Hospital Regional Tarcísio Maia. Fizemos constar este dado.

O setor jurídico também conversou com os diretores?

Sim. Tivemos também uma participação muito boa, importante, com o advogado da secretaria. Para falar sobre a responsabilidade do gestor, responsabilidade civil e penal. Tivemos também uma equipe do Setor de Recursos Humanos para falar sobre a condição, inclusive muito bem colocado por Ângela. Temos que entender como recursos humanos a pessoa humana. Foi um dia inteiro de reunião. No final fizemos uma mesa redonda onde muitos assuntos foram levantados.

Cite um dos assuntos levantados importante para nossa região?

Quais as consequências de o HRTM ainda não ter esta ambulância para Mossoró, para paciente internado no HRTM?

Os municípios da região Oeste e até de outros estados enviam seus pacientes em ambulâncias próprias para o Hospital Regional Tarcísio Maia, em Mossoró. Aqui, alguns destes pacientes precisam fazer tratamento complementares de urgência em Natal. Então o único meio que temos de transferir é com o SAMU de Mossoró. Daí deixamos de ter uma ambulância UTI salvando o mossoroense nas ruas para fazer o transporte do paciente do HRTM para Natal. Outro prejuízo é a equipe, que, assim como a ambulância do SAMU, também é custeada pela Prefeitura de Mossoró. É injusto. Eu estava agora conversando com a secretária Leodise Cruz, da Saúde. Ela estava me dizendo que envia o SAMU para fazer o transporte dos pacientes do HRTM, pois são cidadãos e precisam do atendimento. Porém este envio tem um custo. Tem um custo alto. Além dos valores normais, é preciso pagar extras para se conseguir este serviço funcionando. Por exemplo: a equipe médica sai do HRTM, em Mossoró, com o paciente de 2 horas da manhã para chegar em Natal de 7 horas. O turno deste médico já termina de 7 horas. Aí o município vai ter que pagar hora extra dobrada a toda a equipe, pois eles só vão chegar em Mossoró ao meio dia. Então fica um custo muito alto para Mossoró pagar por serviços que são prestados a cidadãos de outros municípios. A despesa mensal com estas transferência se aproxima de R$ 60 mil conta paga pela Prefeitura de Mossoró e que agora fizemos a proposta para este custo ser assumido pelas cidades da região que fazem uso do serviço. É o justo.

Reforma e ampliação do HRTM?

Quando o secretário me vê já vai logo falando: Jarbas, você vai cobrar sobre a reforma do Hospital Tarcísio Maia. Nesta reunião de quarta-feira não foi diferente. Falei ao secretário da necessidade extrema de concluir a reforma e ampliação do HRTM, que prevê dobrar número de leitos da UTI adulto, instalar uma UTI pediátrica que não temos é extremamente necessário e, ainda, ampliar em 36 leitos de enfermarias. O secretário explicou que o trabalho para superar as questões burocráticas está em andamento e os recursos na ordem de R$ 1,9 milhão foram alocados no Orçamento Geral do Estado para a obra. Informei a ele que o TCE esteve no HRTM. Ele nem sabia que a equipe do TCE tinha vindo. Hoje (quinta-feira, 29), para minha surpresa, a equipe técnica da Secretaria de Infra-estrutura fez as medições do que foi feito pela outra empresa e o que precisa ser feito para ser concluído a partir de agora. Estamos vendo que o processo está andando. É animador.

Pelo o que o senhor está falando, haverá um novo processo de licitação, já que a outra empresa deixou a obra. Estou correto?

Sim. Sim. Haverá uma nova licitação. O que foi passado para mim é que a outra empresa desistiu da reforma e houve um destrato. Este contrato no seu estágio embrionário já estava fadado a morrer antes da conclusão da obra.

Porque? Havia erros?

O Contrato foi feito em caráter emergencial para a obra ser concluída em 180 dias e este prazo era insuficiente para o tamanho da reforma, que não era uma reforma normal. Era num hospital em funcionamento. O principal erro na concepção do projeto estava no tempo muito curto para fazer a obra. Segundo, a obra começou a atrasar em termos de repasses e outros questões burocráticas, chegando ao ponto de paralisar. Aí houve o destrato, pois, o prazo foi extrapolado e a obra não foi concluída. Daí foi necessário a visita do TCE, para fiscalizar a obra antiga. Ver o que foi feito e o que precisa ser feito, assim como o que foi pago. A equipe da Infraestrutura veio verificar o que precisa ainda ser feito para concluir. Os engenheiros disseram que receberam esta ordem para fazer o mais rápido possível. Eles vão levar os dados para a secretaria e lá será aberto o processo de licitatório, contrata a nova empresa e a obra será concluída.

Como era esta reforma?

Na reforma e ampliação do Hospital Regional Tarcísio Maia, está previsto a instalação da UTI pediátrica (10 leitos) e ampliação da UTI Adulta em dez leitos, que já existe num local onde hoje está o almoxarifado e nutrição. Então, a nutrição e o almoxarifado passaria para um ala nova a ser construída. É esta estrutura física que precisa ser concluída e equipada. Então nós teríamos em termos de reforma não teríamos grandes reformas. A área de enfermaria ganhará uma estensão, onde serão concluídos mais 36 leitos. Ao termino destas obras, haverá maior conforto para os pacientes e também para os servidores.

Dá para se ter uma noção do tamanho da importância do Hospital Regional Tarcísio Maia para a região pelo número de atendimentos por dia. Qual média mensal de atendimento?

Em média atendenmos de 150 a 200 pacientes por dia. Multiplique isto por 30 e teremos aí o atendimento mensal.

Quantas pessoas trabalhando dentro do HRTM?

Temos cerca de 850 funcionários da Secretaria de Saúde e uns tantos terceirizados, que são o pessoal da segurança e da limpeza. É muita gente. Eu não tenho quanto é o valor da folha deste pessoal todo. Não passa pela gestão da direção do HRTM. Sei que são mais de mil pessoas, que se reversam para o hospital funcionar 24 horas.

Qual o principal gargalo que o senhor enfrenta nestes quatro meses de gestão na direção do HRTM?

O principal gargalo que enfrento hoje é a falta de leitos para meus pacientes. Olhe, nós temos o Repouso Masculino hoje que recebe cerca de 15 pacientes confortavelmente e, por falta de espaço termina por receber de 20 ou um pouco mais. Nós não temos pacientes no corredor. As vezes aparece, mas não é constante que isto acontece. Dentro do possível conseguimos manter os corredores desobstruídos. O mesmo quadro observamos no Repouso Feminino. A reforma prevê pelo menos 36 novos leitos de clínica, então observando por aí a reforma já nos atenderia razoavelmente nesta questão e espaço, nosso principal gargalo hoje. O mesmo se aplica a UTI, que a reforma prevê duplicar o espaço. A UTI pediátrica seria um serviço novo e de fundamental importância para todo o Oeste do Rio Grande do Norte.

No relatório da Comissão de Direitos Humanos, consta reclamações dos servidores do HRTM quanto a condições de trabalho. Reclamam de um local para descanso e condições básicas de trabalho. O que foi feito neste sentido?

Veja outro gargalo que temos aqui: a quantidade de pacientes no pronto socorro. Paciente ou recebe alta ou fica internado. Foi criado o cargo do médico desospitalizador, que na verdade é o supervisor médico diário do hospital. Este médico tem a função de sair verificando todos os pacientes e seus respectivos prontuários que estão em condições de alta. São pacientes que para ir para casa precisa somente de um laudo médico, mas o médico que o internou já terminou seu turno. Neste caso, o médico desospitalizador vai lá e dá sequência ao trabalho do colega e o paciente vai para casa quando é para ir para casa ou fica internado quando é para ficar internado. O médico desospitalizador inclusive conseguiu reduzir o número de pacientes aguardando resolução do hospital. Auxiliou muito na desobstrução dos corredores.

Quanto aos servidores...

Também havia problema com as macas do SAMU, que por falta de camas no HRTM, terminava por ficar com as macas do SAMU, que por sua vez fica sem poder socorrer pacientes em Mossoró...

Mais do que duplicamos o número de macas existentes no Hospital Regional Tarcísio Maia para receber os pacientes socorridos pelo SAMU. Recebemos 14 novas macas e conseguimos evitar ficar com as macas das ambulâncias do SAMU paradas na porta do HRTM. A Saúde, Cézar Alves, é um efeito cascata. Se uma peça da saúde pára, outros serviços vão ser comprometidos. A questão das macas é assim. Se prender a maca do Samu, é um problema grave para a população. A saúde é um conjunto e é isto que temos discutido nas reuniões e buscando soluções. Nós discutimos e observamos a necessidade e levamos aos gestores para melhorar o quadro da saúde.

O Estacionamento em frente ao HRTM vai mudar? O que vai acontecer com o caixa eletrônico que fica instalado no HRTM?

Observamos ainda quando assumimos a grande desorganização de estacionamento em frente ao Hospital Regional Tarcísio Maia. Prejudica tudo. Prejudica o profissional que vem trabalhar, prejudica as ambulâncias que chegam com pacientes, prejudica os familiares que vem visitar seus parentes, prejudica o corpo clínico. Tem dias que não tenho onde estacionar meu carro para trabalhar. Primeiro, não existe um estacionamento demarcado. Segundo, o terminal bancário aqui instalado atende toda a região próxima ao Hospital Regional e ele fica na porta de entrada do Hospital Regional Tarcísio Maia. Ele gera dois problemas. Os usuários usam o estacionamento e entope a recepção, que precisamos para o acesso dos servidores e principalmente para o grande número de visitantes dos pacientes. Eu pedi ajuda ao Comissão de Direitos Humanos da OAB, porque entendo que os órgãos que representam a sociedade também têm que participar para melhorar a estrutura pública. A comissão de Direitos Humanos, na figura de seu presidente, do Dr Diego Tobias, ele foi muito atencioso no sentido de fortalecer este pleito. Fui ao Banco do Brasil e conversei com o gerente. Ele já tem a equipe de engenharia do Banco do Brasil, que vai sair da entrada do Hospital e vai ficar numa área interna. Vai ser de uso exclusivo dos servidores do HRTM e também dos acompanhantes. Estamos buscando diálogo também com as equipes de trânsito do município, para nos auxliar na organização do estacionamento do HRTM. É preciso organizar para permitir um fluxo de chegada e saída de ambulância e também dos servidores do HRTM.

E este espaço onde hoje funciona os terminais eletrônicos será o que?

Este espaço onde hoje funciona os terminais eletrônicos será transformado num espaço para as famílias que estão com seus parentes passando por algum tratamento de saúde, para que ele possa ali se recolher e fazerem orações, rezar seu terço, independentemente de sua crença religiosa, um espaço reservado para conversar com Deus. Um espaço ecumênico. Eu vejo a aflição das pessoas. Inclusive eu já passei aflição aqui. Meus pais sofreram acidente de trânsito e minha mãe faleceu aqui. E eu já sentir na pele o que é ter ente querido e ele partir desta para melhor. Eu sempre pensei neste local. Com esta mudança de local deste terminal, vou receber vários problemas: enumerado aqui o estacionamento, livrar a recepção e ainda instalar um espaço para orações.

A Comissão de Direitos Humanos da OAB esteve aqui no HRTM no início do ano e constatou inúmeros problemas, que resultou numa visita ao Secretário Ricardo Lagreca, em Natal, onde foram solicitados providencias, especialmente em relação ao abastecimento da farmácia. Há poucos dias a Comissão de Direitos Humanos retornou ao HRTM e fez uma nova inspeção. Qual o resultado desta inspeção?

Eu assumi o Hospital Regional Tarcísio Maia há quatro meses. Não sabia desta primeira visita e nem do relatório produzido. Fui pego de surpresa há poucos dias depois que foi noticiado na imprensa. Eu fui na OAB e fui muito bem recebido e solicitei o relatório. Na ocasião, já ficou agendado uma reunião com o presidente da Comissão, dr.Diego Tobias e Dr. Gilvan. Conversamos sobre vários assuntos e naquele momento eu convidei a comissão para vir ao HRTM. A visita foi agendada logo para o dia seguinte. Visitamos tudo. Abri o hospital para que ele percorresse todos os setores. Mostrei os pontos que avançamos. Eu sei que temos muito que ainda avançar, mas já temos avançado muito. Um precisa de mais apoio do Governo do Estado e outros já estão sendo resolvidos.

A comissão constatou na primeira visita que não havia medicamentos. Faltavam muitos. Desta vez foi diferente?

Dr., fala-se muito na existência de bactérias resistentes no HRTM e que isto estaria atingindo pacientes. Esta informação é verdadeira?

Olha, veja bem, bactéria super-resistente ou ultra resistentes a multiplicos agentes (antibióticos) são comuns a todos os hospitais que tem um volume grande de pacientes entrando e saindo. As bactérias desenvolvem um mecanismo próprio delas onde elas são afetadas por uma substancia (antibiótico), mas desenvolve um mecanismo de resistência a este medicamento. Por isto que você tem uma série de medicamentos de uma mesma marca, numa escala que vai 1, 2, 3, 4 5... Todos os cuidados e todas as medicas, inclusive temos a Controle de Infecções Hospitalares, onde este é um dos mecanismos que nos utilizamos para controlar estas bactérias, estamos tomando aqui no HRTM. Quando este setor chega a direção e indica que seja feito para evitar infecções, de pronto eu acato e já colocamos em prática. Seja com mudança de medicamentos, seja com protocolos, seja com infectologistas para fazer revistas nos antibióticos aplicados aos pacientes. Os infectologistas mapeiam tudo dentro do HRTM. Existe um monitoramento rígido.


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