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POLÍCIA
Da redação
30/08/2017 05:11
Atualizado
13/12/2018 11:46

MPF e PF fazem buscas e apreensões em Mossoró contra desembargador federal da 5ª Região

Operação Alcmeón: Policias federais fizeram buscas e apreensões num escritório de advocacia localizado na Avenida João da Escóssia, no Nova Betânia, e também no Centro de Mossoró; Alvo seria pessoas ligadas a Edvaldo Fagundes.
Valéria Lima/MH

O Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal deflagraram, na manhã desta quarta-feira (30), a Operação Alcmeón, para cumprir dois mandados de prisão preventiva, oito de condução coercitiva e 13 de busca e apreensão no Rio Grande do Norte e em Pernambuco.

As medidas foram determinadas pela 2ª e 14ª varas federais do Rio Grande do Norte e se referem a dois inquéritos distintos.

Em Mossoró, os policiais federais fizeram buscas e apreensões em escritórios de advocacia; um deles fica localizado na Avenida João da Escóssia. Também são cumpridos mandados de busca e apreensão no Centro da cidade. 

Na sede da PF, um advogado é interrogado sobre o caso - não se sabe se por meio de prisão, condução coercitiva e apresentação espontânea.

O primeiro inquérito trata da possível compra e venda de votos de desembargadores federais (um falecido e outro aposentado) do Tribunal Regional Federal da 5ª Região (TRF5), localizado em Recife, para análise de um habeas corpus e de um mandado de segurança julgados pelo tribunal no ano de 2012, no âmbito da Operação Pecado Capital.

Essa operação apurou um esquema de desvio de recursos federais repassados pelo Inmetro ao Instituto de Pesos e Medidas do Rio Grande do Norte - Ipem/RN.

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As negociações ilícitas envolvendo os dois desembargadores federais teriam contado com a intermediação de advogados do Rio Grande do Norte (nomes ainda em sigilo) e de um assessor, com repasses de valores de forma oculta e dissimulada, mediante uso de dinheiro em espécie e transferências bancárias envolvendo terceiros.

Estes pagamentos era para os desembargadores julgar a favor deles nos processos.

O segundo inquérito trata de uma possível "exploração de prestígio" por parte do desembargador aposentado, perante o mesmo TRF5, entre os anos de 2015 e 2017.

A atuação irregular desrespeitou, inclusive, a quarentena prevista no art. 95, parágrafo único, inciso V, da Constituição. Neste caso específico, está tratando sobre os processos contra o empresário Edvaldo Fagundes e família, de Mossoró.

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O desembargador aposentado teria solicitado e recebido valores a pretexto de influir em outros magistrados até mesmo em casos nos quais ele próprio havia atuado como julgador, como na "Operação Pecado Capital" e na "Operação Salt" (que apura esquema de sonegação fiscal de grupo empresarial  de Edvaldo Fagundes, filhos, filha e mulher, de Mossoró/RN).

Nesta operação, a Polícia Federal e o Ministério Público Federal investigou crimes de sonegação de impostos (mediante inúmeros crimes de fraude, criação de empresas fantasmas e outras negociatas que a lei proibe) pelo empresário Edvaldo Fagundes, que já está condenado a mais de 30 anos de prisão por este e outros crimes, assim como também os filhos e a filha, que também já estão condenados.

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A mesma prática teria se repetido em diversos outros processos, como apelações criminais, ações rescisórias, revisão criminal e ação penal originária.

A atuação perante a Corte teria ocorrido através de advogados interpostos e os valores recebidos, muitas vezes, de forma oculta e dissimulada, mediante transferências bancárias para terceiros e também com base em contratos e notas fiscais com falsa descrição de serviços.

Investigações - As investigações se desenvolveram em um trabalho conjunto do Ministério Público Federal, da Polícia Federal e da Receita Federal, contando com informações fornecidas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), pela Justiça Federal e pelo TRF5.

As diligências realizadas até o momento envolveram colaborações premiadas, gravações ambientais, interceptações telefônicas, afastamento de sigilo de dados fiscais, bancários, telefônicos e telemáticos, além da obtenção de documentos e colheita de depoimentos.

Os crimes investigados são os de corrupção passiva (art. 317 do Código Penal), corrupção ativa (art. 333 do Código Penal), exploração de prestígio (art. 357 do Código Penal), falsidade ideológica de documentos particulares e uso de documentos particulares ideologicamente falsos (arts. 299 e 304 do Código Penal), lavagem de dinheiro (art. 1º da Lei n. 9.613/1998) e associação criminosa (art. 288 do Código Penal).

Com informações do Ministério Público Federal e fontes reservadas do Portal MOSSORÓ HOJE.

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