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'As mulheres precisam ser reconhecidas pelos seus feitos', escreve estudante do RN em carta

Foto: Reprodução
07 Mai
15:17 2018
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Da redação
Citando as histórias inspiradoras das escritoras Anne Frank, Luz Ribeiro e Carolina de Jesus, a estudante de 15 anos, Clarice Rilyane Oliveira da Silva, de São Gonçalo do Amarante, escreveu: "Não são apenas virtudes que as entrelaçam, mas um fato triste: seus nomes não estão nos livros de História". Com o texto intitulado "Respeitem às Mulheres", a estudante potiguar venceu a etapa nacional do 47º Concurso Internacional de Redação de Cartas da UPU 2018 - no Brasil, organizado pelos Correios.

Veja carta na íntegra: AQUI

O texto escrito pela estudante do Centro Estadual de Educação Profissional Ruy Pereira dos Santos, no município de São Gonçalo do Amarante, emociona ao falar sobre a violência sofrida pelas mulheres no mundo todo ao longo da história e na desvalorização dos feitos das mesmas.

"Elas [as mulheres] não precisam ser lembradas a cada esquina apenas por seus traços estéticos, seja com gracejos sem graça ou com investidas não autorizadas, elas precisam ser reconhecidas pelos seus feitos", escreveu Clarice.

"Os tapas, murros e pontapés não atingem apenas seus corpos, mas o seio e a harmonia de toda uma sociedade. Aflijo-me a cada linha escrita pelas mulheres que morrem diariamente apenas por serem mulheres", escreveu a estudante em trecho sobre a violência contra as mulheres.

Na carta, a estudante de escola pública relata ainda o aumento de assassinato de mulheres negras, 54%. "Por favor, não leiam estas linhas como se fossem um pedido, e sim como um grito, desejo que esta súplica não lhe chegue como algodão que acaricia a pele ferida, mas como faca que corta, marca e deixa cicatriz como lembrança. Minhas linhas falam em nome das mulheres que tiveram suas vozes silenciadas [...]", diz outro trecho.

"À mulher cabe não se calar diante das injustiças que sofre, nem muito menos vitimizar seu agressor. Mulheres são bonitas e maravilhosas, sim, é algo intrínseco à natureza humana, acredite, em todos os tempos e lugares foi, é e sempre será assim. Entretanto, elas não precisam ser lembradas a cada esquina apenas por seus traços estéticos, seja como gracejos sem graça ou com investidas desautorizadas. Elas precisam ser reconhecidas pelos seus feitos. Espero, paciente leitor, que você possa ser um tijolo na construção de uma sociedade que respeite o verdadeiro papel feminino".

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