POLÍCIA

Comerciante e filho pegam 54 anos de prisão pelo assassinato de Manoel Botinha, de Assu

30 Mai
17:17 2018
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Da redação
O Tribunal do Júri de Mossoró/RN, nesta terça-feira, 30, condenou a comerciante Joelma de Morais Ferreira, de 40 anos, e o filho dela, Douglas Daniel Morais de Melo, de 22 anos, de Itajá/RN, a 54 anos de prisão a serem cumpridos inicialmente em regime fechado.

A sentença de 28 anos e 8 meses para Joelma e de 25 anos e 4 meses para Douglas foi por ter participado da contratação do pistoleiro José Roberto Nascimento da Silva, o Feitosa, de 39 anos, por R$ 15 mil, para matar o vereador Manoel Ferreira Targino, o Botinha, de Assu.

Na ocasião do assassinato de Botinha em Assu, o pistoleiro Feitosa também tentou matar a tiros de pistola calibre 380 o torneiro mecânico Francisco Adriano Bezerra, o Biano, que estava no mesmo local e seria testemunha ocular do crime de pistolagem.

Manoel Botinha foi assassinado por vingança. O marido de Joelma, pai de Douglas, irmão de outros três acusados, Genéssio Veríssimo de Melo, havia sido assassinado por pistoleiros e eles acreditavam que Manoel Botinha e o filho Evanoel Ferreira haviam sido os contratantes.

A condenação exemplar de dois dos sete réus que planejaram e mataram o vereador Manoel Botinha veio a coroar o trabalho primoroso de mais ou menos 12 meses de investigação do delegado Carlos Brandão e sua equipe, do final de 2014 ao final de 2015, não só em Assu, mas em todo o Vale do Açu.

Esta operação recebeu o nome de Abril Despedaçado. Prendeu pistoleiros frios, calculistas que atuavam matando gente a mando de gente poderosa, com "Mau de Duzendo" (morreu ao reagir a ação policial) e Fabinho de Duzentos, autores de mais de 30 homicidios mediante paga na região. Os serviços de pistolagens deles eram intermediato por Damião do Baralho, também preso em dezembro de 2015.

O julgamento de Joelma e do filho dela Douglas começou às 8h30 da manhã desta quarta-feira, 30, sob a presidênciado juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros e terminou por volta das 16 horas. Este juri foi realizado em Mossoró devido ao fato de os acusados serem poderosos e ter acesso a muita gente poderosa na região do Vale do Açu, correndo o risco assim de influenciar na decisão dos jurados.




Este seria o segundo julgamento dos réus acusados de mandar e matar o vereador Manoel Botinha e tentar contra a vida do torneiro mecânico Francisco Adriano.

Os acusados são:
1 - José Roberto Nascimento da Silva, o Feitosa ou Junior Aleijado, de 39 anos, motorista, natural de Ceara Mirim.
2 - Itamar Veríssimo de Melo, de 43 anos, comerciante, natural de Macau.
3 - Welber Veríssimo de Melo, o Ebinho, de 35 anos, agricultor, natural de Assu.
4 - Jalisson Wagner Veríssimo de Melo, o Jalin, de 26 anos, natural de Macau, agricultor
5 - Valdete Veríssimo de Melo, o Negão, está foragido.
6 - Douglas Daniel Morais de Melo, de 22 anos, estudante, natural de Assu;
7 - Joelma de Morais Ferreira, de 40 anos, comerciante, natural de Ipanguaçu

Nesta terça-feira, 29, outro acusado também de ser mandante do assassinato e da tentativa, o comerciante Itamar Veríssimo de Melo, de 43 anos, teve o julgamento anulado no final dos trabalhos por ter havido uma contradição dos jurados na hora da votação.

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Este júri anulado será realizado novamente no mês de agosto próximo, antes, inclusive dos outros quatro réus deste processo. Dos sete réus, apenas um está foragido,  que é o Valdete Veríssimo de Melo, o Negão. Os demais estão presos e sendo condenados por outros homicídios.

Em depoimento durante o julgamento desta quarta-feira, 30, a ré Joelma de Morais negou que tivesse contratado o pistoleiro para matar o vereador Manoel Botinha. O filho dela, Douglas, também negou, mas as palavras dos dois não convenceram os sete jurados.

Após lido a deúncia em plenário e ouvido o depoimento dos réus, os promtores de Justiça Fausto França e Fábio Melo pediram a condenação dos réus por homicídio triplamente qualificado. Já os advogados de defesa José Galdino da Costa e Francisco Simone de Araújo defenderam tese de negativa de autoria.

Concluídos o debates, o Conselho de Sentença formado por cinco mulheres e dois homens, votou pela condenação conforme pediu o Minsitério Público Estadual, condenando os réus (penas somadas) a 54 anos de prisão. Os dois tiveram a prisão preventiva decretada e poderão recorrer, mas na prisão.

Crimes de vingança deixam rastro de sangue pelo Vale do Açu

Toda intriga que terminou com o assassinato de Manoel Botinha e a tentativa de homicídio contra Biano, segundo relata o Ministério Público Estadual, havia começado em 2013, com a inimizade entre Tassio Morais (casado com Cláudia dos Santos) e genro João Batista Ferreira Braz, o Torinho, que é irmão de Manoel Botinha e Claudete Santos. Torinho era padrasto da mulher de Tassio Morais.

Tassio é sobrinho de Joelma Morais Ferreira, casada com Genésio Veríssimo. Naquele ano de 2013, Tassio Morais, após uma discussão, atirou com balins em Torinho e terminou acertando a sogra dele, Claudete Santos.

Por este fato, Torinho teria contratado os pistoleiros Jefferson Lourenço da Fonseca Lemos e Marcelo Pereira de Sousa, o Negão, para matar Tassio Morais.

Tassio terminou executado a tiros na zona rural do Alto do Rodrigues no dia 24 de julho de 2014.

Daí a família de Tobias Morais, que é irmão de Joelma Morais se uniram à família Veríssimo para contratar os pistoleiros Francisco Paulino da Silva Junior, o “Fabinho ou mal de Duzentos” (morto em confronto com a polícia durante a “Operação Abril Despedaçado”), para matar Torinho, como vingança pela morte de Tassio Morais, que havia ocorrido na zona rural do Alto do Rodrigues.

Torinho terminou assassinado no dia 28 de setembro de 2014, quando assistia TV, em sua residência na localidade de Arapuá, em Ipanguaçu. Depois deste crime, no dia 17 de fevereiro de 2015, Genésio Veríssimo foi assassinado com tiros de doze, em Itajá/RN, onde morava.

Os irmãos Veríssimo passaram a acreditar que Manoel Botinha e o filho Evanoel Ferreira Targino (irmão e sobrinho de Torinho) haviam contratado pistoleiros para matar Genésio Veríssimo, como vingança pelo assassinato de Tourinho, tempos antes na localidade de Arapuá, em Ipanguaçu.

É quando Itamar Veríssimo, Valdete Veríssimo de Melo, o Negão, Welber Veríssimo de Melo, o Ebinho; Jalisson Wagner Veríssimo de Melo, o Jalin; Douglas Daniel Morais de Melo e Joelma de Morais Ferreira, teriam passado a planejar o assassinato de Manoel Botinha e Evanoel.

Manoel Botinha foi avisado pelo ex-prefeito de Itajá Licélio Jackson Guimarães, e também por um ex-vereador daquela cidade, Max Blênio Medeiros da Silva, que os irmãos Veríssimo estavam planejando matar ele e o filho, Evanoel Ferreira.

Manoel Botinha, então, se reuniu com Itamar Veríssimo para dizer que não matou Genésio Veríssimo. Desta reunião, Itamar teria dito a Botinha que da parte dele poderia ficar tranquilo, pois não iria matar ele e nem o filho, porém não respondia pelos irmãos.

Após isto, a família Verissimo teria se reunido várias outras vezes com o objetivo de definir como se vingar do assassinato de Genésio Veríssimo, matando Manoel Botinha e o filho dele Evanoel Ferreira.

Diante do que foi decidido, segundo relata o MP/RN, Itamar, Ebinho e Negão, por intermédio do conhecido pistoleiro Sérgio Tavares dos Santos, contrataram, em Natal, o pistoleiro José Roberto Nascimento da Silva, o Feitosa (foto à direita), para consumar a vingança.

Sérgio Tavares teria recebido R$ 2,5 mil por intermediar a contratação do pistoleiro Feitosa, por R$ 15 mil.

Com o pistoleiro contratado, começaram a levantar os recursos para custear a vingança.

Joelma e Douglas entregaram o caminhão F.4000 para Ebinho vender, no dia 5 de março de 2015, por R$ 50 mil com a ideia fixa de custear a assassinato de Genésio Veríssimo. 

Após vender o F.4000, Jalin e Negão pagaram os R$ 15 mil a Feitosa, e, juntos, passaram a estudar a melhor forma de matar Manoel Botinha, o que terminou acontecendo no dia 22 de abril de 2015, na Oficina Canaã, tendo ocorrido ainda a tentativa de homicidio contra a vida do mecânico Biano.


O assassinato de Manoel Botinha

Jalin pilotou a moto para Feitosa se aproximar e cometer o crime e depois fugir. Outros dois carros, com os irmãos Veríssimo, teriam sido vistos nos arredores dando cobertura a ação dos pistoleiros, para agir, caso necessário ou acontecesse qualquer eventualidade. No ato, o pistoleiro Feitosa teria apontado a arma para Botinha e avisado que ele iria morrer. Apertou o gatilho, mas não disparou. Daí Biano gritou: "É brincadeira?", despertando atenção do pistoleiro para si. Sofreu dois tiros. Depois o matador se virou para Botinha o executou com 8 tiros.
 

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