ECONOMIA

Cajucultura: Substituir cajueiros antigos por cajueiro anão precoce é alternativa para revitalização

Foto: Divulgação
22 Ago
18:20 2018
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Da redação

Alternativa para revitalização da cajucultura no Rio Grande do Norte, a substituição de cajueiros antigos por variedades mais produtivas, como cajueiro anão precoce, precisa ser disseminada e adotada pelos produtores da fruta no Estado.

Esse aperfeiçoamento da renovação dos pomares foi a tônica da segunda reunião da Câmara Técnica da Cajucultura do Rio Grande do Norte - TECCAJU, realizada nesta terça-feira (21), no Escritório Regional Oeste do Sebrae RN, em Mossoró.

A Câmara Técnica da Cajucultura do Rio Grande do Norte é uma organização especializada e multisetorial, formada por diversos organismos técnicos, como a Emater, Emparn, Conab, Banco do Nordeste, Ufersa, Embrapa, Ministério da Agricultura, Senar, entre outros órgãos, e representantes de produtores de diversas regiões do Rio Grande do Norte. Objetiva mobilizar o segmento e auxiliar na execução de políticas públicas.

Uma das propostas da TECCAJU surgidas na reunião em Mossoró, durante a Feira Internacional da Fruticultura Tropical Irrigada –Expofruit/2018, é a diversificação de espécies. O pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte -Emparn, João Maria Pinheiro Lima, lembrou que, dos 15 clones de cajueiro precoce lançados no Nordeste, apenas cinco estão plantados no Rio Grande do Norte. “É necessário que esse leque seja ampliado”, defende.

Para tanto, o pesquisador afirma que a Emparn está avaliando 21 clones diferentes, nas regiões Agreste e Oeste e no município de Serra do Mel. “O clone CCP76 é o padrão atualmente usado no Estado. Porém, todos esses materiais em fase de teste estão se mostrando superiores ao CCP76”, assegurou o pesquisador.

Outra proposta da Câmara é o aperfeiçoamento do Programa de Distribuição de Mudas, a partir da regionalização das licitações para aquisição de mudas de cajueiro, com produção e distribuição fiscalizadas pelas cooperativas de produtores. Esse pleito será formalizado em documento da TECCAJU para a Secretaria Estadual da Agricultura e da Pesca - SAPE.

Na reunião, os participantes também propuseram visita de comitiva da Câmara Técnica para conhecer “in loco” a realidade da cajucultura no Ceará e no Piauí, referências no setor, e da participação de cajucultores potiguares em missão para o Vietnã, que desponta como um dos líderes mundiais em produção de caju, sobretudo, em função da mão de obra abundante e barata.

O diretor de Operações do Sebrae no Rio Grande do Norte, Eduardo Viana, participou da reunião em Mossoró e lembrou que o Sebrae apoia a cajucultura potiguar há 27 anos. Ressaltou a importância da TECCAJU para o fortalecimento do setor e expressou confiança na repercussão positiva da Câmara para a toda cadeia de produção. “Nossa expectativa que a TECCAJU cresça, mas que cresça com participação forte do produtor. A Câmara é técnica, mas todo o trabalho é dirigido para os produtores, através de crédito, parcerias, técnicas e comercialização. Por isso, é importante que o produtor lidere a Câmara, pois tudo é direcionado para ele”, argumenta.

A sugestão encontrou eco entre os produtores. É o caso de Elano Gomes, da Associação de Produtores Genildo Melo, no município de Severiano Melo. “A Câmara Técnica foi criada para que, nós produtores, sejamos ouvidos. Inclusive, apoio a proposta que a TECCAJU seja presidida por representante dos produtores”, declarou Gomes. Coordenador da Câmara nessa fase inicial, Franco Marinho, gestor de Fruticultura do Sebrae no Rio Grande do Norte, considera a TECCAJU oportuna e que representa ganho para o setor, sobretudo, por criar expectativas otimistas. “Precisamos pensar no futuro. A ideia da Câmara é trazer coisas novas, pensar em alternativas e soluções, focando no fortalecimento do pequeno produtor”, conclui Marinho.

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