GERAL

Nordeste ainda destina 88,6% do seu lixo de forma irregular

29 Ago
16:32 2018
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Da redação

Mesmo 8 anos após a Política Nacional de Resíduos Sólidos, o Nordeste do Brasil continua com índices alarmantes em relação à gestão do lixo. Hoje, 88,6% dos municípios da região destinam os resíduos incorretamente em lixões, 0,50% dos materiais descartados são reaproveitados, 34% dos domicílios não contam com coleta de lixo e 95,1% dos municípios ainda não instituíram uma fonte de arrecadação específica para custear os serviços. É o que mostra o Índice de Sustentabilidade da Limpeza Urbana (ISLU), desenvolvido pelo Sindicato Nacional das Empresas de Limpeza Urbana (Selurb) em parceria com a consultoria PwC (PricewaterhouseCoopers).

O estudo mede a adesão dos municípios brasileiros às metas da legislação e a avaliação é feita a partir do desempenho em quatro dimensões: engajamento, recuperação de recursos coletados, sustentabilidade financeira e impacto ambiental. Assim como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) da ONU, o ISLU varia entre 0 (zero - baixo desenvolvimento) e 1 (um - alto desenvolvimento) e analisa os dados oficiais mais recentes disponibilizados pelos próprios municípios no Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS). O desempenho das cidades é classificado entre 'muito alto' (acima de 0,8), 'alto' (acima de 0,7), 'médio' (acima de 0,6), 'baixo' (acima de 0,5) e 'muito baixo' (abaixo de 0,5).

Entre as cinco regiões do Brasil, o Nordeste é a que possui o pior índice. Sua média geral é de 0,540, inferior ao índice médio nacional, de 0,616. Nesta 3ª edição, o ISLU mostra que das 762 cidades do Nordeste analisadas pelo ISLU, 200 aparecem no nível "muito baixo"; 407 no baixo; 153 no médio e apenas dois alcançaram o 'alto'. Entre as principais cidades, as melhores notas estão enquadradas no desempenho 'médio'.

"Uma breve análise sobre a realidade regional nos apresenta o grande número de cidades que destinam o seu lixo inadequadamente, muitas vezes em lixões que deveriam estar desativados. O percentual de 88% de destinação irregular é o maior entre todas as regiões do Brasil. Contudo, este é um problema que está presente em todo o país, não apenas no Nordeste. Para solucionar a questão, é preciso investir em políticas públicas que garantam o pleno funcionamento da atividade limpeza urbana", diz o presidente do Selurb, Marcio Matheus.

Para ele, a melhora passa pela universalização do serviço de limpeza urbana. Assim como o Norte, a região Nordeste possui 66% de seus domicílios com coleta de lixo. "Houve evolução nos últimos anos, mas muito ainda precisa ser feito", afirma Matheus.

O presidente do Selurb destaca que, para a melhora dos índices, é essencial que os municípios criem métodos para financiar o trabalho de coleta, tratamento e destinação do lixo. "O serviço de limpeza precisa de uma fonte de receita específica para ser sustentável e melhorar seus resultados", ressalta. No Nordeste o dinheiro arrecadado especificamente para o serviço de limpeza urbana cobre menos de 5% da atividade.

"Para melhorarmos os índices de limpeza urbana é preciso que todos os municípios instituam mecanismos para incrementar a universalização dos serviços de coleta, a reciclagem de materiais e a arrecadação específica para o custeio da atividade, a exemplo do que ocorre com os serviços de água, luz, gás e telefonia, bem como promover a racionalização dos custos por meio da inteligência de escala proporcionada pela adoção de soluções compartilhadas", afirma Federico A. Servideo, sócio da Prática de Consultoria da PwC.

Reciclagem

Os dados do ISLU chamam a atenção também para outro problema, o reaproveitamento de materiais. O Nordeste tem a pior taxa de reciclagem: 0,5%, o que é muito menos que 3,7%. Os números regionais melhoram um pouco nas regiões mais desenvolvidas: 7,28% no Sul e 3,90% no Sudeste. O percentual de material reciclado fica em 1,4% no Centro-Oeste e 0,8% no Norte.

 

Tabela

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