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ESTADO
Da redação
09/01/2017 13:34
Atualizado
13/12/2018 05:02

Previsão de bom inverno e possibilidades real de inundações no Vale do Açu

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Governos municiais, estadual e federal sabem do problema desde 2005 e nunca investiram na desobstrução do leito do rio Piranhas/Açu ou na preservação da mata ciliar
Imagem 1 -  Previsão de bom inverno e possibilidades real de inundações no Vale do Açu
Como não foi feito absolutamente nada para desobstruir o leito do rio Piranhas/Açu, no trecho entre Assú e Macau, na próxima sangria da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves, as cidades de Assú, Carnaubais, Alto do Rodrigues Pendências e principalmente Ipanguaçu, serão inundadas. Os moradores de todas as cidades do Vale do Açu são cientes deste fato.
 
A Barragem Armando Ribeiro, que foi concluída em 1983 e sangrou pela primeira vez no inverno forte de 1985, inundando as regiões periféricas das cidades do Vale do Açu, armazena até 2,4 bilhões de metros cúbicos de água. Sua sangria geralmente ocorre após receber águas dos Açudes Mãe D’Água e Coremas, na Paraíba. O volume de água é gigantesco.
 
O maior reservatório da água doce do Rio Grande do Norte tem três sangradouros, que somados atingem 600 metros de extensão. Nos anos 1985 e 2004 sangrou com lâmina acima de 4 metros. Nas duas ocasiões, as cidades do Vale do Açu foram inundadas pelas águas represadas devido à obstrução do leito do Rio Piranhas/Açu que desagua no mar.
 
Em 2008 e 2009, o sofrimento se repediu, sendo necessário remover de suas casas para olarias, escolas e ginásios de esportes pelo menos 7 mil famílias. Foram construídas casas, conjuntos habitacionais, mas não foi feito absolutamente nada para desobstruir o leito do Rio Piranhas/Açu, apesar dos apelos dos especialistas da Universidade Federal do RN.  
 
Nesta época, o então ministro da Integração Nacional Geddel Vieira, esteve em Assú, para anunciar, junto com as autoridades políticas do PMDB e DEM do Rio Grande do Norte, o que seria a solução: construção da Barragem de Oiticica, com capacidade para represar 600 milhões de metros cúbicos de água. Apesar de ter sido contestado, não houve mudança.
 
A construção de Oiticica, sem sombras de dúvidas é um investimento mais do que necessário para aumentar as reservas hídricas do Oeste do RN, mas jamais este investimento iria impedir, evitar ou reduzir as possibilidades de haver inundações no Vale do Açu. Uma coisa não tem qualquer relação com a outra. São dois problemas distintos que requerem soluções distintas.
 
Passados 5 anos de seca e 2 de invernos fracos, os meteorologistas informam que 2017 será de inverno forte, com possibilidades de os reservatórios transbordarem e novamente a possibilidade real de inundação das cidades do Vale do Açu, como ocorreram em 1985, 2004, 2008 e 2009, em especial a cidade de Ipanguaçu, que está numa região mais baixa do que as demais.

O inverno traz alegrias (água para abastecimento e irrigação de mais de 30 mil hectares) e tristezas às famílias que moram nas regiões periférias das cidades de Assú, Alto do Rodrigues, Pendências e Carnaubais. Em Ipanguaçu, geralmente é a população da cidade inteira, inclusive da zona rural, que fica toda inundada pelo água represando no Canal do Pataxó e também no leito do Rio Piranhas/Açu.

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