07 JUL 2020 | ATUALIZADO 08:45
NACIONAL
AGÊNCIA O GLOBO
12/03/2019 16:49
Atualizado
12/03/2019 19:02

Em coletiva, delegado do caso diz não saber o mandante e a motivação do assassinato de Marielle: 'Nem ideia'

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Responsável pelo inquérito desde o início do caso, Giniton falou da dificuldade em obter provas contra o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, apontado como autor dos disparos contra as vítimas e Élcio Vieira Queiroz
Imagem 1 -   A coletiva na sede do governo do estado, no anexo ao Palácio Guanabara, que durou uma hora e meia na tarde desta terça-feira, deixou as principais perguntas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes sem respostas
A coletiva na sede do governo do estado, no anexo ao Palácio Guanabara, que durou uma hora e meia na tarde desta terça-feira, deixou as principais perguntas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes sem respostas
Agência O Globo/MontagemMH

 A coletiva na sede do governo do estado, no anexo ao Palácio Guanabara, que durou uma hora e meia na tarde desta terça-feira, deixou as principais perguntas sobre o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes sem respostas. Quem foi o mandante e por que motivo a parlamentar era o alvo ficaram para uma segunda fase, segundo o próprio delegado titular da Delegacia de Homicídios (DH) da Capital, Giniton Lages.

Responsável pelo inquérito desde o início do caso, Giniton falou da dificuldade em obter provas contra o sargento reformado da Polícia Militar Ronnie Lessa, de 48 anos, apontado como autor dos disparos contra as vítimas e Élcio Vieira Queiroz. Segundo o delegado as únicas evidências contra Lessa são o fato de ele ter obtido informações sobre no portal da Polícia Civil (Infoseg) para saber onde Marielle morava, além de o Cobalt usado no crime ter passado em frente ao Quebra-Mar, na Barra da Tijuca, próximo de onde o acusado mora.

Ao abrir o detalhamento da investigação, Giniton frisou a complexidade do atentado e que logo ficou evidente a sofisticação dos criminosos, com a elucidação prejudicada pela ausência de testemunhos presenciais. A alternativa, disse, foi investir nos movimentos pré-crime e pós-crime.

— O crime Marielle e Anderson não pode se repetir. Queremos elucidar para dar um recado. Eles não saíram do carro por duas horas. Isso nos chamou a atenção de cara. Alcançamos três testemunhas presenciais, mas não houve possibilidade de reconhecimento — explicou o delegado.

Ao abrir o detalhamento da investigação, Giniton frisou a complexidade do atentado e que logo ficou evidente a sofisticação dos criminosos, com a elucidação prejudicada pela ausência de testemunhos presenciais. A alternativa, disse, foi investir nos movimentos pré-crime e pós-crime.

— O crime Marielle Anderson não pode se repetir. Queremos elucidar para dar um recado. Eles não saíram do carro por duas horas. Isso nos chamou a atenção de cara. Alcançamos três testemunhas presenciais, mas não houve possibilidade de reconhecimento — afirmou o delegado.

Perguntas que não foram respondidas

Motivação?

Giniton Lages admitiu que hoje a investigação não tem "ideia" da motivação do crime.

— Essas questões serão respondidas na segunda fase. O que nós sabemos é que Ronnie estava no carro, Ronnie atirou, e Élcio dirigia. Sabemos seu perfil e como ele resolvia as coisas. Hoje não sabemos se havia mandantes, se ele agiu sozinho. Isso tudo está na segunda fase da investigação - explicou o delegado, que citou que Lessa também fez pesquisas na internet sobre Marcelo Freixo, a esposa de Freixo, diversas "autoridades públicas", Richard Nunes e delegados da polícia.

O delegado chegou a ventilar a possibilidade de Lessa ter agido sozinho, motivado por ódio, uma linha que nunca havia sido anunciada pela polícia. Em vários momentos, ele bateu na tecla do “motivo torpe” do crime. Desde o início, autoridades sempre trataram como fato consumado de que se tratava de um atentado político.

— Ronnie tinha perfil de ódio a políticos de esquerda. Ele possuía obsessão.

Como provou que Ronnie estava no carro?

Lages afirmou que recebeu uma informação de que Ronnie Lessa estava no carro do crime e que saíra do Quebra-Mar, mas não explicou a fonte dessa denúncia. O delegado também disse que não poderia revelar as técnicas utilizadas para provar que ele estava, de fato, no carro.

— Não cometeremos o deslize de revelar as técnicas. Mas elas foram suficientes para nos dar provas de que ele ocupava o carro, como nos informaram. Não tínhamos testemunho, nem documentação para isso — disse ele, que afirmou que os autos provam tecnicamente sua presença no carro. — provas robustas que vão ser apresentadas.

Duas ou três pessoas no carro?

Giniton diz que hoje a hipótese mais provável é de que havia duas pessoas no carro do crime: Ronnie e Élcio.

— Análise de imagem é bastante delicado, precisa de ferramentas. Numa primeira leitura, tínhamos o desenho de três pessoas no carro. Em análise mais recente, porém, estamos caminhando para confirmação de um motorista e uma pessoa no banco de trás, sem carona. Mas isso ainda vai ser aprofundado na segunda fase.

Qual perfil exato de Ronnie Lessa?

Um policial até então ficha limpa, apesar de suspeitas de ligação com contravenção, estava, segundo Giniton, no rol dos policiais suspeitos de praticarem o crime, por causa de seu perfil. O delegado, porém, não deu muitos detalhes sobre qual perfil seria esse.

— Ele é um ex-policial, que tem conhecimento sobre o BOPE, a PM e a Civil. Vale destacar que hoje foi apreendida uma quantidade muito grande de munição, fuzil ligada a ele, em um dos mandados de busca e apreensão da operação. Um crime assim não é qualquer nicho de criminoso.

No final, Giniton admitiu que Lessa teve acesso ao portal do Infoseg, exclusivo para policiais da ativa, e agentes penitenciários.

— Ou ele, ou alguém o ajudou a acessar os dados.

O carro saiu da casa de Lessa?

A primeira captação do carro por uma câmera foi no Quebra-Mar, às 17h24, na Rua Sargento Faria. Depois, os assassinos pegaram o Alto da Boa Vista e a Tijuca, num trajeto de aproximadamente uma hora. O delegado disse que é possível que o veículo tenha saído do condomínio onde Ronnie Mora, o Vivendas da Barra, mas que não há essa confirmação.

O carro foi flagrado na Rua dos Inválidos, onde Marielle participou de um evento na Casa das Pretas, às 18h47. A vereadora chegou ao local às 19h, com 30 minutos de atrasado. Os tiros foram efetuados entre 21h09 e 21h12.

— Eles ficaram parados por duas horas sem sair do carro, distantes cerca de dois metros do carro de Marielle. Houve tempo para analisar tudo. Eles tiveram o controle da situação, segurança em relação do local dos disparos. Sem pressa — explicou o delegado, ratificando que não houve como reconhecê-los ao longo do trajeto. — Sonho de investigador é que os criminosos parem, desçam do veículo, façam alguma ligação. Mas nada disso aconteceu. Último acesso de Ronnie à internet foi às 17h06.

Ligação com família Bolsonaro?

Segundo Giniton, essa relação não foi detectada.

— Não foi confirmado e não foi objeto. O fato de ele morar no mesmo condomínio do Bolsonaro não diz muita coisa não para a investigação.

Mas, questionado, o delegado confirmou que a filha de Ronnie Lessa namorou um filho de Jair Bolsonaro.

— Isso tem, isso tem. Mas para nós, hoje, não importou para a motivação delitiva.


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