22 MAI 2019 | ATUALIZADO 18:23
EDUCAÇÃO

Aluna de escola pública ganha 19 prêmios com projeto desenvolvido da castanha de caju

Ekarinny Medeiros, de 18 anos, é aluna da Escola Estadual Professor Hermógenes Nogueira Da Costa, em Mossoró. Atualmente ela vem desenvolvendo um Cateter Bioativado, produzido a partir de líquido extraído da castanha do caju, para diminuir infecções sanguíneas em pacientes de UTIs e em procedimentos de hemodiálises.
ANNA PAULA BRITO
15/03/2019 10:52
Atualizado
15/03/2019 15:15
A+   A-  
Aluna ganha 19 prêmios com projeto desenvolvido da castanha de caju
Ekarinny e a professora Kiara já participaram de diversas feiras científicas e conquistaram vários prêmios para a escola.
FOTO: CEDIDA

Muita gente desconhece, mas as escolas de Mossoró estão repletas de alunos desenvolvendo trabalhos científicos que podem revolucionar a medicina moderna. Dentre eles está o Projeto de um Cateter Bioativado, desenvolvido por Ekarinny Myrela Brito De Medeiros, de 18 anos, aluna da Escola Estadual Professor Hermógenes Nogueira Da Costa, no bairro Abolição 4.

Ao lado da professora de Biologia e orientadora do projeto, Luísa Kiara Dantas Azevedo Lopes, Ekarinny vem trabalhando no cateter que promete ser uma alternativa na prevenção de infecções sanguíneas, causadas por bactérias provenientes da utilização de cateteres comuns.

Esses cateteres são de fundamental importância na medicina, utilizados para o tratamento de pacientes graves internados em UTIs, na aplicação de medicação intravenosa e em procedimentos de hemodiálise, por exemplo. Contudo, eles são mais suscetíveis a disseminação de bactérias.

Como não poderia deixar de ser mais nordestino, o material utilizado para a produção do Cateter Bioativo é proveniente do aproveitamento de uma matéria prima abundante em nossa região: o líquido extraído da castanha de caju (LCC).

Segundo Ekarinny, esse líquido possui atividade inibidora comprovada contra alguns tipos de bactérias e cerca de 3 mil toneladas dele são armazenadas por semana, tornando-o uma matéria prima barata e de fácil localização.

“Minha ideia foi aproveitar e agregar valor ao LCC na produção de um cateter com propriedades antimicrobianas para prevenir infecção na corrente sanguínea”, explicou.

O projeto começou a ser desenvolvido em março de 2018. A ideia surgiu após o falecimento de uma tia de Ekarinny, por conta de uma infecção na corrente sanguínea, ocasionada por um cateter.

“Ela fazia o procedimento de hemodiálise e, infelizmente, faleceu por causa dessa infecção. Como o pai da minha orientadora também fazia esse procedimento, nós tivemos a ideia de produzir um cateter com propriedades antimicrobianas e assim prevenir esse tipo de preblema”, explicou Ekarinny.

O projeto já rendeu diversos prêmios à dupla. No momento, Ekarinny e a professora Kiara estão de malas prontas para participar da edição 2019 da Feira Brasileira de Ciência e Engenharia (Febrace), que acontece na USP, em São Paulo. Esse ano a feira será de 19 a 21 de março.

Elas também garantiram uma vaga na INFOMATRIX Brasil 2018, que acontecerá em Santa Catarina. O evento seleciona participantes para eventos de pesquisa internacionais.

Ekarinny diz que sempre estudou em escola pública e a equipe pedagógica do Hermógenes Nogueira sempre deu muito incentivo aos alunos para o desenvolvimento de projetos.

“Sempre estudei em escola pública e tive apoio de muitas pessoas para desenvolver meus projetos. Meus professores deram todo o apoio necessário, a escola sempre foi acessível e nos despertou essa paixão pela ciência. A minha orientadora, Kiara, foi a pessoa ideal para poder me ajudar em tudo isso”.

A estudante também agradeceu a mãe e avó, que faleceram recentemente. “Minha avó, que me criou, e a minha mãe sempre me incentivaram muito e comemoraram comigo todas as vitórias . Infelizmente elas já faleceram, mas eu continuo persistindo com os meus projetos e espero poder dar muito orgulho a elas.”, concluiu.

OUTROS PROJETOS

Em 2016, Ekarinny e mais duas alunas, juntamente com a professora Kiara, criaram o projeto EMBACAJU, desenvolvendo uma garrafa biodegradável, também, a partir do reaproveitamento do liquido da castanha do caju.

Esse projeto lhes rendeu 11 prêmios, dentre eles uma participação na FEBRACE 2017, na MOSTRATEC-2017 e no LIYSF-2018, um Fórum Cientifico realizado na cidade de Londres, na Inglaterra.

No ano de 2017 as alunas deram continuidade a pesquisa e conquistaram mais 8 prêmios, sendo eles uma participação na FEBRACE 2018.

Ekarinny disse que a ciência mudou a vida dela e concluiu citando Paulo Freire para dizer o quanto é grata pela educação que recebeu. “Educação não transforma o mundo. Educação muda as pessoas. Pessoas transformam o mundo, como dizia Paulo Freire.”


Notas

Publicidades

Outras Notícias

Deixe seu comentário