23 ABR 2019 | ATUALIZADO 23:37
VARIEDADES

Músico Ivan Jr. fala sobre seu drama com bactéria misteriosa: "Vi muitos morrerem"

Ivan Júnior concedeu entrevista ao MOSSORÓ HOJE e fala sobre o episódio. De uma bactéria misteriosa a sensação de estar internado e de ver a solidariedade dos amigos. E a forma como vê a vida de agora em diante. Ivan achou que teria o mesmo fim de companheiros de enfermaria, os quais viam falecer numa velocidade que impressionava
WILLIAM ROBSON, ESPECIAL PARA O MOSSORÓ HOJE
11/04/2019 15:40
Atualizado
11/04/2019 18:58
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Músico Ivan Jr. fala sobre seu drama com bactéria misteriosa: "Vi muitos morrerem"
Ivan concedeu entrevista ao MOSSORÓ HOJE e fala sobre o episódio. De uma bactéria misteriosa a sensação de estar internado e de ver a solidariedade dos amigos. E a forma como vê a vida de agora em diante. Ivan achou que teria o mesmo fim de companheiros de enfermaria, os quais viam falecer numa velocidade que impressionava
Divulgação

O músico Ivan Júnior segue internado no Hospital Regional Tarcísio Maia e a melhora em seu estado de saúde é constante. Aguarda novos exames que ofereçam um diagnóstico mais preciso sobre o que a bactéria que o acometeu e deixou internado há mais de 15 dias. Músicos da cidade se mobilizaram e organizaram uma feijoada que aconteceu no dia 7 e a renda foi destinada a bancas os exames que só seriam realizado em clínicas particulares.

Ivan concedeu entrevista ao MOSSORÓ HOJE e fala sobre o episódio. De uma bactéria misteriosa a sensação de estar internado e de ver a solidariedade dos amigos. E a forma como vê a vida de agora em diante. Ivan achou que teria o mesmo fim de companheiros de enfermaria, os quais viam falecer numa velocidade que impressionava.

Já em situação bem mais tranquila, quer voltar a música o quanto antes e diz que, a partir de agora, vai olhar com mais carinhos para os doentes.

Em primeiro lugar, o que aconteceu com você? Todos foram pegos de surpresa com a sua internação.

William, eu estava com sintomas de Chikungunya, sentindo febre, dor no corpo e nas articulações. Fui para a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) e fui medicado com aquilo que todo mundo já sabe: dipirona, Voltaren. E voltei para casa. Mas os sintomas continuaram e nada estava dando resultado. Chegou a um ponto que fiquei todo inchado e quando enfim consegui fazer a sorologia (o equipamento estava quebrado na UPA do Belo Horizonte) e os médicos levantaram a hipótese de eu estar com gota ou outro tipo de doença e me mandaram fazer exames particulares. Não acusou gota, nem nada do que se imaginava. Mas, as articulações continuaram inchando e infeccionaram. E tudo indicava para uma bactéria. Só consegui me tratar quando cheguei aqui (no Hospital Regional Tarcísio Maia). Mas, quando você chega no sistema público, não imagina que vai ser do jeito que é.

Como?

Quando cheguei, quase não me recebiam. O hospital estava superlotado e eu praticamente não estava mais andando. Cheguei em uma cadeira de rodas. Nem dirigir eu conseguia. Fiquei na sala de medicação porque não tinha espaço no corredor e mal acomodado. Assim permaneci até o dia seguinte e nem as minhas necessidades consegui fazer. Enfim, fui transferido para uma ala masculina, onde também é um caos. Muito sujo, fedorento, muita gente, gente morrendo, falta de profissionais, de equipamentos, de tudo. O caos aqui foi instalado. Morreu tanta gente perto de mim que fiquei assustado.

Como tem sido o tratamento e a evolução em seu quadro de saúde?

Após vários dias na enfermaria, me transferiram para a clínica médica, onde o atendimento é um pouco melhor. Mudaram a medicação e o antibiótico é mais forte. Graças a Deus, o antibiótico surtiu um efeito bem melhor e estou me recuperando bem.

Você precisou de mais exames?

Sim e acho que por isso a galera se mobilizou mais. Precisei fazer muitos exames que eram caros e não eram disponibilizados aqui pelo sistema.

Aproveitando isso, como reagiu diante da solidariedade dos músicos diante do que aconteceu com você?

A ideia partiu da minha irmã que entrou num grupo que tenho que é o Ivan e Amigos. Ela lançou a priori, uma rifa para quem pudesse ajudar. A galera viu e logo se solidarizou e fiquei muito surpreso. Os amigos, como Alan Jones, Alzinete e outros amigos compraram a ideia e decidiram fazer uma feijoada para tentar suprir as despesas. O hospital é público, mas nem todos os exames são feitos aqui. Eu trabalho só com música e nestas horas, a gente fica desamparado. Mas, muitos ajudaram, como a maçonaria também. A sociedade em geral. Muita gente mandou mensagem e gente que eu sequer conhecia passou a ajudar também.

Quando deverá retomar à agenda musical?

Meu quadro clínico já está bem melhor e, no momento, estou aguardando a chegada dos outros exames que foram para São Paulo. Estes exames darão o diagnóstico correto. Quero voltar o quanto antes e quem me conhece sabe o quanto eu gosto daquela correria.

O que pensa da vida de hoje em diante?

Eu, que já valorizava demais as amizades que eu tenho, considero ainda mais. Vou olhar com mais carinho para os enfermos. Só quem passa por isso é que sabem. Não queira saber como é ruim estar acamado. E cuidar da saúde. Aproveito a entrevista para agradecer a todo mundo de coração. Toda manifestação de carinho foi tão importante que me marcou muito. Pessoas que não puderam ajudar de outras formas, mas que ajudaram com palavras. Vocês foram muito importantes.


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