15 NOV 2019 | ATUALIZADO 18:06
NACIONAL

Cessão onerosa é aprovada a unanimidade no Senado Federal

Com a decisão, parte do recurso obtido com o leilão para exploração de jazidas do pré-sal serão destinados a estados e municípios. Os recursos recebidos pelos estados deverão, prioritariamente, ser usados para saldar despesas previdenciárias, mas representam uma folga de caixa para esses entes federados.
16/10/2019 09:10
Atualizado
16/10/2019 09:10
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FOTO: ALESSANDRO DANTAS

O Senado aprovou, na noite desta terça-feira (15) as regras para a partilha dos cerca de R$ 70 bilhões do bônus do leilão para exploração de jazidas do pré-sal (cessão onerosa) entre União, estados e municípios.

O senador Jean Paul Prates, do Rio Grande do Norte, parabenizou a todos que se mobilizaram para quem a cessão onerosa fosse aprovada.

“Todos preferimo ir à unanimidade e garantir que o leilão da cessão onerosa ocorra na data prevista, que o dinheiro venha até o final do ano, a depender da data da assinatura que o governo federal marcar, e todos são beneficiados agora, a partir desta votação aqui do Senado Federal. Parabéns a todo os envolvidos”, disse Jean Paul.

Contudo, a maioria da Casa, porém, rejeitou a emenda do Partido dos Trabalhadores que garantiria mais R$ 2,1 bilhões para as regiões mais pobres do País, que são os estados no Norte e Nordeste, além do Distrito Federal.

A emenda apresentada pelos senadores do PT ao PL 5478/2019 asseguraria mais um repasse de 3% do valor a ser rateado para os 16 estados do Norte e Nordeste e ao DF para compensar perdas que esses entes federativos tiveram com a mudança das regras da divisão dos recursos decorrentes das mudanças decididas na Câmara dos Deputados.

Esses 3%, apontam os senadores petistas, são recursos pouco significativos para o governo federal, pois representam apenas 4,5% do montante de recursos que caberão à União, mas um grande alento para os estados do Norte e Nordeste.

Além do mais, são recursos que, ficando com o governo federal, não poderão ser aplicados em rigorosamente nada, pois não estão previstos na Lei Orçamentária Anual (LOA) e ultrapassariam o teto de gastos.

A regra de partilha proposta na emenda do PT não retiraria recursos nem dos municípios nem de estados de outras regiões, como destacou o líder Humberto Costa.

Pelo contrário, afinal, o dinheiro a mais recebido pelos governos do Norte e Nordeste “não seria gasto no espaço sideral, mas nos municípios”, lembrou o senador.

Os recursos recebidos pelos estados deverão, prioritariamente, ser usados para saldar despesas previdenciárias, mas representam uma folga de caixa para esses entes federados.

“Ajudaria a movimentar a economia nesse cenário de crise”, argumentou o senador Rogério Carvalho. “O valor arrecadado pela União ficará retido no teto de gastos e não será aplicado em políticas sociais e investimentos”.

PRESSA

O argumento dos governistas para não acatar a emenda dos senadores petistas foi a “urgência” na aprovação da matéria, já que o leilão da sessão onerosa está previsto para o dia 6 de novembro

Contudo, o leilão ainda não tem sequer a autorização do Tribunal de Contas da União para ser realizado. O TCU deve se pronunciar sobre isso apenas no dia 23 de outubro.

Se o PL 5478/2019 precisasse retornar à Câmara, em consequência da alteração proposta pelos petistas, aquela Casa teria apenas que se manifestar sobre a emenda que beneficiaria o Norte, o Nordeste e o DF.

O QUE É A CESSÃO ONEROSA

Firmado entre a Petrobras e a União em 2010, o contrato de cessão onerosa garantia à estatal o direito de explorar 5 bilhões de barris de petróleo em áreas do pré-sal pelo prazo de 40 anos. Em troca, a empresa antecipou o pagamento de R$ 74,8 bilhões ao governo.

A jazida, porém, era ainda mais generosa e foram constatados grandes excedentes de petróleo, cuja exploração deverá ser leiloada no dia 6 de novembro.

Além dos 5 bilhões de barris com exploração já assegurada pela Petrobras, estima-se que até mais 10 bilhões de barris possam ser extraídos na área.

É o bônus de assinatura (o valor que o vencedor de um leilão paga à União pelo direito de exploração do petróleo e gás) que está sendo partilhado e são os critérios dessa partilha que estavam em disputa na votação do PL 5478/2019.

PREJUÍZO PARA NORTE E NORDESTE

A derrota da emenda do PT vai representar uma perda de R$ 2,1 bilhões para Norte, Nordeste e DF.

O total do bônus do leilão da cessão onerosa é de R$ 106,5 bilhões. Esse é o valor que será pago pelo grupo que ganhar o leilão para a exploração dessas reservas do pré-sal.

Desse valor, cerca de R$ 36 bilhões serão destinados à Petrobras, a título de ressarcimento pela revisão dos termos do contrato original. Os demais R$ 70 bilhões serão repartidos entre governo federal, estados e municípios.

A União ficará com 70% dos recursos. Originalmente, os estados receberiam 15% da partilha, usando os mesmos coeficientes usados para cálculo do Fundo de Participação dos Estado (FPE) mesmo percentual destinado aos municípios, com base nos critérios do Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

CONFIRA AS PERDAS DOS ESTADOS DECORRENTES DA REJEIÇÃO DA EMENDA DO PT

Pernambuco: R$ 198 milhões

Ceará: R$ 191,7 milhões

Maranhão: R$ 175,8 milhões

Bahia: R$ 157,9 milhões

Alagoas: R$ 153,4 milhões

Piauí: R$ 140,77 milhões

Acre: R$ 140,4 milhões

Paraíba: R$ 134,5 milhões

Rio Grande do Norte: R$ 132,1 milhões

Sergipe: R$ 124,9 milhões

Amazonas: R$ 124 milhões

Amapá: R$ 112,8 milhões

Roraima: R$ 103,8 milhões

Tocantins: R$ 92 milhões


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