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MOSSORÓ
COM INFORMAÇÕES DA UFERSA
25/05/2020 15:11
Atualizado
25/05/2020 15:13

Abelhas que estavam em risco de extinção têm se beneficiado da pandemia

Responsáveis pela reprodução e perpetuação de milhares de espécies vegetais, esses animais têm sido beneficiado com a paralisação da indústria e a diminuição da poluição do ar. Produtores afirmam que têm observando mais flores e mais pastejo para as abelhas em áreas urbanas, como em Mossoró
FOTO: REPRODUÇÃO

A pandemia do coronavírus tem causado muito transtorno de morte em diversos paíse do mundo. No entanto, tem sido benéfica para diversas espécies de animais, como é o caso das abelhas.

Elas são os melhores e mais eficientes agentes polinizadores da natureza, responsáveis pela reprodução e perpetuação de milhares de espécies vegetais, produzindo alimentos, conservando o meio ambiente e mantendo o equilíbrio dos ecossistemas.

Sob risco de extinção, as abelhas têm se beneficiado da paralisação de atividades e do isolamento social, além de diversos outros fatores que afetam o desaparecimento desses animais e têm sido reduzidos nesse período.

A professora e pesquisadora da Ufersa, Kátia Peres Gramacho, referência na área da apicultura e líder do Projeto de Pesquisa “S.O.S Abelhas: preservação e ações educativas”, explica que uma melhora “significativa” na qualidade do ar e o crescimento de plantas na ruas têm atraído as abelhas para área urbanas.

“Alguns cientistas explicaram ao canal de televisão BBC que as abelhas se beneficiaram nesse período da pandemia por várias razões: houve uma melhora significativa na qualidade do ar com a redução do vai e vem de pessoas e mercadorias, e houve também um favorecimento no crescimento de plantas que atraem as abelhas com a redução dos serviços de limpeza urbana. Eu pessoalmente conversei com alguns meliponicultores e eles me informaram que estão observando mais flores e mais pastejo para as abelhas em áreas urbanas, como em Mossoró”, explica.

De acordo com a docente, outro fator que tem ajudado as abelhas é a diminuição da poluição por causa da redução da emissão da fumaça de carros e indústrias, o que possibilitou que as abelhas possam sentir mais facilmente os aromas que as flores emitem e que as direcionam para as plantas a serem polinizadas.

Outro benefício em decorrência da COVID-19 é que o consumo de produtos apícolas aumentou consideravelmente como, por exemplo, o própolis, mel e geleia real e isso tem sido muito bom para os apicultores.

“Por outro lado, tem se observado um aumento no desmatamento das florestas na Amazônia onde acredita-se que por conta do isolamento as pessoas estão usando isso para se aproveitar da falta de fiscalização e isso vai ser muito prejudicial para as abelhas”, complementa.

PÓS-PANDEMIA

Em uma perspectiva futura, após a descoberta da vacina contra a COVID-19 e o fim do isolamento social, a professora explica que os benefícios conquistados durante a pandemia poderiam ser mantidos por meio de algumas práticas que envolve uma reflexão global da relação do homem com a natureza.

Segundo ela, podíamos plantar plantas melíferas, consumir mais produtos orgânicos e rever a forma como lidamos com a natureza, reciclando e produzindo menos lixo.

“Devemos buscar rever o que a ciência nos ensina, pois as mudanças antropomórficas são gigantescas provocando perdas irreparáveis como por exemplo das abelhas que fazem o papel ecossistêmico. A ciência tem alertado sobre as mudanças climáticas globais e isso tem que ser revisto e repensado, por exemplo, a perda de habitat para a agricultura.”

Ela alerta que no pós-pandemia, a natureza pode continuar a recuperar seus espaços, mas para isso seria necessário pensar na manutenção de áreas naturais para as abelhas, ampliar as reservas naturais e não as destruir; além de diminuir a quantidade de biocidas e adotar práticas amigáveis para seu uso.

“Foi apontado ontem que as emissões de dióxido de carbono voltaram a aumentar e isso é muito preocupante, portanto, temos que nos preocupar em combater o aquecimento global, o que ajuda a preservar as abelhas e os ecossistemas do planeta”, finaliza.

MORTANDADE DE ABELHAS

Em maio de 2019 um estudo realizado por pesquisadores da Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), no Rio Grande do Norte, sobre a morte de abelhas ocasionadas pelo uso de inseticidas, foi usado por um promotor público do Rio Grande do Sul, com o objetivo de tentar proibir o uso indiscriminado desses produtos.

Os cientistas recolheram amostras de abelhas, de 2014 a 2017, e realizaram diversas análises em laboratórios. Eles concluíram que, em 4 anos, 770 milhões de abelhas foram mortas, em 18 estados, devido ao uso de dois tipos de inseticidas: os Neonicotinoides (derivado da nicotina) e Fipronil.

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