“Era uma pessoa que sempre tinha uma piada, uma história pra contar, um riso solto. Sempre muito divertido. Estar ao lado dele era a certeza de risadas”.
A declaração é da enfermeira Patrícia Helena de Morais Cruz que além de colega de trabalho era amiga de longa data do médico Raimundo Clodovil Cavalcante da Silva.
O psiquiatra de 52 anos foi mais uma vítima da Covid-19 entre os profissionais de saúde do Rio Grande do Norte. Ele faleceu na noite desta quinta-feira (6), após 13 dias internados por complicações da doença, no Hospital Wilson Rosado, em Mossoró.
“Ele sempre foi muito simples, sem protocolos, sem besteira, realmente valorizando sempre a pessoa. E quando eu me encontrei com ele, depois que ele voltou [do curso] de medicina, já médico, ele mantinha as mesmas características do tempo da faculdade. Então foi uma pessoa que o tempo não modificou, ele sempre manteve essas duas características, a alegria e a humildade. Era um amigo muito querido, muito especiais, sentiremos muitas saudades”, disse Patrícia.
A enfermeira trabalhou com o médico na UPA do Santo Antônio e também no HRTM. Segundo ela, no Hospital Regional, apesar de trabalharem em setores diferentes, sempre mantinham contato. "O mais legal quando a gente se encontrava é que sempre tinha muitas risadas, brincadeiras e as boas lembranças dos tempos da faculdade".
Na Unidade de Pronto Atendimento do bairro Santo Antônio, onde ele trabalhava atualmente, a equipe se reuniu com flores brancas na mãos para homenageá-lo na passagem do cortejo.
Clodovil também trabalhava no no Hospital Psiquiátrico São Camilo, no Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e no Hospital Regional Tarcísio Maia, na linha de frente do atendimento a pacientes vítimas da Covid-19.
Ele foi internado com a doença no dia 24 de julho no HRTM. Três dias depois precisou ser intubado. Na terça-feira (4), foi transferido para o Hospital Wilson Rosado, onde permaneceu até o seu falecimento, na noite de ontem (6), às 20h.