13 ABR 2021 | ATUALIZADO 18:12
MOSSORÓ
ANNA PAULA BRITO
05/03/2021 11:55
Atualizado
05/03/2021 17:47

Menina de 9 anos divide celular com o irmão e uma amiga para conseguirem estudar

A+   A-  
Maria Mel é aluna do quarto ano do ensino fundamental da Escola Municipal João Niceras de Morais, no Sítio Pedra Branca. Desde 2020, início da pandemia do coronavírus, a menina tem acompanhado as aulas por um pequeno celular doado pela professora, através do aplicativo whatsapp, pois o aparelho não suporta o download do google meet (aplicativo de reuniões por onde as aulas remotas estão sendo ministradas). O equipamento ainda é compartilhado com a amiga Letícia Aparecida, de 12 anos, que cursa a mesma série, e com o irmão José Messias, de 8 anos, que cursa o segundo ano do ensino fundamental.
Imagem 1 -  Menina de 9 anos divide celular com o irmão e uma amiga para conseguirem estudar. Maria Mel é aluna do quarto ano do ensino fundamental da Escola Municipal João Niceras de Morais, no Sítio Pedra Branca. Desde 2020, início da pandemia do coronavírus, a menina tem acompanhado as aulas por um pequeno celular doado pela professora, através do aplicativo whatsapp, pois o aparelho não suporta o download do google meet (aplicativo de reuniões por onde as aulas remotas estão sendo ministradas). O equipamento ainda é compartilhado com a amiga Letícia Aparecida, de 12 anos, que cursa a mesma série, e com o irmão José Messias, de 8 anos, que cursa o segundo ano do ensino fundamental.
Menina de 9 anos divide celular com o irmão e uma amiga para conseguirem estudar. Maria Mel é aluna do quarto ano do ensino fundamental da Escola Municipal João Niceras de Morais, no Sítio Pedra Branca. Desde 2020, início da pandemia do coronavírus, a menina tem acompanhado as aulas por um pequeno celular doado pela professora, através do aplicativo whatsapp, pois o aparelho não suporta o download do google meet (aplicativo de reuniões por onde as aulas remotas estão sendo ministradas). O equipamento ainda é compartilhado com a amiga Letícia Aparecida, de 12 anos, que cursa a mesma série, e com o irmão José Messias, de 8 anos, que cursa o segundo ano do ensino fundamental.
FOTO: CEZAR ALVES

Nesta quinta-feira (4) a reportagem do MOSSORÓ HOJE conheceu Maria Mel Nogueira de 9 anos, estudante do quarto ano do ensino fundamental, na Escola Municipal João Niceras de Morais, localizada no Sítio Pedra Branca, zona rural de Mossoró.

Mel mora em frente a escola, mas vive o drama de não poder frequentá-la devido à pandemia da Covid-19. Fechada desde 2020, assim como outras unidades, os estudantes precisam assistir a aulas online para não perderem o ano letivo.

O problema é que a família da menina não possui computador, notebook, tablet ou qualquer equipamento mais moderno, apenas um celular antigo que, sequer, suporta o aplicativo google meet, por meio do qual as aulas remotas são ministradas.

Desde o ano passado, a menina vem assistindo aula pelo whatsapp. A família conta que o pequeno celular já foi uma doação da professora Widna Claudia Aires de Carvalho, para que a criança pudesse acompanhar os colegas.

Além da falta de um aparelho de qualidade, o único celular da casa ainda é compartilhado com o irmão mais novo, José Messias, de 8 anos, que cursa o segundo ano do ensino fundamental na mesma escola.

Solidária, a menina Mel também divide o celular com a amiga e colega de classe, Letícia Aparecida Nunes da Silva, de 12 anos.

As duas assistem aula a partir das 16h15, momento em que a professora termina de ensinar aos estudantes que têm acesso ao google meet e faz uma chamada de vídeo no whatsapp para aqueles que não têm condições de baixar o aplicativo.

Mel contou que todos os dias a professora entra em contato com elas. As duas fazem as atividades propostas pela educadora, depois tiram foto dos livros e enviam as tarefas para correção. Há quase um ano a rotina vem se repetindo.

Em contato com o MOSSORÓ HOJE, a professora Widna Claudia Aires de Carvalho, que é pedagoga, falou sobre a dificuldade de ensinar crianças à distância. Lembrou que em 2020 foi proposto o envio de vídeo-aulas, método que provocou muita evasão.

“Foi uma das nossas maiores dificuldades, porque as crianças ficam desmotivadas. Eu, como mãe, vi pelo meu filho, que nem queria mais assistir aula, pediu que eu fizesse as atividades com ele. Então esse ano nós propusemos baixar o google meet, porque assim existe uma interação com os alunos. No caso de Mel e Letícia, elas não conseguem baixar o aplicativo, então eu entro em contato com ela, após terminar a aulas no meet, e dou aula pras duas”.

A mãe de Maria Mel, Maria José Nogueira, diz que se sente triste ao ver os filhos querendo estudar e não tendo condições.

“É triste você poder ver a escola todos os dias e os meninos não poderem estudar. A gente mora em frente, se leva uma topada, cai dentro da escola, mas tá aí, fechada. Eles gostam muito de estudar. Antes, passavam o dia na escola, aprendiam, se alimentavam, vinha pra casa de barriga tão cheia que às vezes nem queriam almoçar”, diz a mãe.


A mesma realidade é vivenciada por Diana Nogueira, de 11 anos, prima de Maria Mel e aluna do 6º ano da Escola municipal Ricardo Vieira do Couto localizada no Jucuri.

A mãe dela, Francisca de Assis Nogueira de Almeida, conta que a filha também possui apenas um celular pequeno, que trava todas as vezes que tenta abrir o aplicativo para assistir às aulas. Explica que a filha depende de uma amiga, de outra comunidade, que todos os dias envia as tarefas para Diana estudar sozinha.

“A felicidade é que a amiga dela, dos loteamentos, manda as tarefas. É difícil a pessoa viver desse jeito. O dinheiro que eu tinha, eu comprei o material dela, aí começou as aulas online e eu não tô com condições de comprar um celular pra ela, porque o pai dela trabalha solto, vive de bico. Eu também tenho vontade de ajudar meus sobrinhos, mas eu também não tenho, aí como é que vai ser?”, lamenta Francisca.

A história de Maria Mel chegou ao MOSSORÓ HOJE após ela gravar um vídeo, pedindo ajuda para conseguir, pelo menos, um celular mais potente ou um computador, ainda que usado, para conseguir assistir às aulas. Veja abaixo:


ESTUDANTES SEM AULA

Assim como essas crianças, um número elevado de crianças, principalmente da periferia e zona rural, estão na mesma situação desde 2020, sem condições de assistir às aulas remotas na rede pública do município, por falta de equipamentos adequados.

Esta semana, a Secretaria de Educação de Mossoró informou que está fazendo o levantamento de quantas crianças vivem essa realidade, para buscar uma solução adequada ao problema e realizar o monitoramento desses estudantes, para evitar a evasão escolar.

Os números precisos devem ser divulgados até a próxima semana.



Notas

Posto JP Fevereiro de 2021

Publicidades

Outras Notícias

Deixe seu comentário