29 ABR 2026 | ATUALIZADO 09:30
POLÍCIA
29/04/2026 09:08
Atualizado
29/04/2026 09:29

Advogada é investigada por transmitir ordens de facção para matar delegado

Investigação do MPRN revela que uma advogada intermediava ordens de um líder preso para planejar a morte do delegado de João Câmara. O atentado seria uma retaliação às constantes operações contra o tráfico de drogas e o domínio territorial da facção na região. Com a desarticulação do plano através de provas digitais, o chefe do grupo e seu irmão foram transferidos para o sistema federal. O delegado afirmou que as ameaças não interromperão o combate ao crime organizado no Estado.
Investigação do MPRN revela que uma advogada intermediava ordens de um líder preso para planejar a morte do delegado de João Câmara. O atentado seria uma retaliação às constantes operações contra o tráfico de drogas e o domínio territorial da facção na região. Com a desarticulação do plano através de provas digitais, o chefe do grupo e seu irmão foram transferidos para o sistema federal. O delegado afirmou que as ameaças não interromperão o combate ao crime organizado no Estado.
Foto: Tribuna do Norte

Uma advogada teria transmitido ordens de uma organização criminosa para matar o delegado Luciano Augusto, da Polícia Civil de João Câmara, revela investigação do Ministério Público. Segundo a apuração, a profissional utilizava sua prerrogativa de visitas prisionais para levar instruções de um líder detido aos comparsas em liberdade.

O plano de assassinato contra a autoridade policial teria sido motivado pelas constantes operações e apreensões realizadas pela Polícia Civil na região. A organização atuava com foco no tráfico de drogas e no controle de territórios nas cidades de João Câmara e Caiçara do Norte.

O MPRN identificou que o grupo possuía uma estrutura hierárquica definida, com divisão de tarefas que incluía o comando do tráfico e a execução de rivais. As provas foram obtidas por meio da análise de dados de celulares apreendidos, que continham conversas detalhadas sobre o funcionamento da organização.

O líder da organização seria o detento José Eduardo Souza de Lima, que comandava as ações de dentro de uma unidade prisional do Estado. Para que as orientações chegassem aos subordinados, ele contava com o auxílio da advogada, que repassava mensagens sobre a gestão do tráfico e planos de ataques. A investigação confirmou que a intermediação era essencial para manter a estrutura da facção ativa e coordenada, mesmo com a chefia presa.

No planejamento para matar o delegado, os criminosos buscaram adquirir armamento de alto poder de destruição, especificamente fuzis. A ordem transmitida pela advogada reforçava que a morte da autoridade era uma prioridade para garantir que as atividades ilícitas voltassem a operar sem interrupções. O grupo acreditava que a eliminação do titular da delegacia enfraqueceria o combate ao crime organizado na região.

Além do atentado, as mensagens interceptadas revelaram regras rígidas de segurança digital que os membros deveriam seguir para evitar prisões. O comando exigia que os integrantes apagassem históricos de conversas, utilizassem senhas complexas e nunca fornecessem acesso aos aparelhos em abordagens. O objetivo, detalhou o MPRN, era dificultar o trabalho de inteligência da polícia e proteger a identidade dos chefes locais que operavam o comércio de entorpecentes.

A denúncia também descreve a prática de punições impostas pela facção contra moradores e outros criminosos que desobedecessem às suas ordens. Esses castigos eram chamados internamente de “brecamentos” e serviam para manter o domínio territorial por meio do medo e da violência. Registros fotográficos encontrados nos celulares mostravam armas pesadas, munições e grandes quantidades de drogas prontas para a comercialização em pontos de venda.

Durante a operação policial que resultou na desarticulação desta célula, diversos itens ilícitos foram retirados de circulação nas cidades alvos da investigação. Os denunciados já possuíam antecedentes criminais e alguns deles se autodeclaravam integrantes da facção em cadastros do sistema prisional. O material colhido demonstrou que o grupo planejava expandir sua área de atuação para municípios vizinhos, utilizando João Câmara como base logística principal.

Ao MPRN, o delegado Luciano Augusto disse que o plano de execução surgiu porque “o principal investigado e líder da facção passou a sofrer grandes prejuízos financeiros e, concomitantemente, viu seus familiares também serem alvos de medidas cautelares”. “As forças de segurança do Estado tomaram todas as medidas de segurança pessoal para mim e para toda a equipe. Ameaças e planos de execução jamais farão com que deixemos de combater o crime”, afirmou o delegado. Após o plano ter sido descoberto, o chefe da facção e um irmão dele foram transferidos para o sistema penitenciário federal.


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