28 MAI 2024 | ATUALIZADO 10:51
VARIEDADES
Da redação
08/05/2016 07:34
Atualizado
13/12/2018 01:57

Mãe em dobro: os desafios de criar os filhos sem a presença do pai

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Conheça a história da professora Neuma Batista, que precisou, após a separação, cuidar dos dois filhos sem a presença diária do marido
Imagem 1 -  Mãe em dobro: os desafios de criar os filhos sem a presença do pai
Josemário Alves

A professora aposentada Antônia Neuma de Sousa, de 55 anos, casou-se aos 22 anos e logo engravidou do seu primeiro filho. Na época, estava concluindo com muita dificuldade o curso de Ciências Sociais, pela antiga URNE, hoje Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN). Em 1985, grávida do seu segundo filho, iniciou, na rede estadual de ensino, suas primeiras aulas na escola Estadual Professor Hermógenes Nogueira, em Mossoró.

Anos depois, problemas do dia a dia levou ao desgaste do relacionamento, resultando na inevitável separação do casal.

Na época, os filhos estavam na pré-adolescência. Tiago, com 14 anos e Daniel, com 11 anos. Desde então, a rotina mudou e Neuma foi desafiada a criar os dois filhos sozinha e conciliar o papel de mãe e pai, situação vivenciada por diversas mulheres atualmente. Hoje, o filho mais velho é Sargento do Exército, casado e logo será pai, e o mais novo está concluindo o curso de Engenharia de Produção.

Neuma relata que a fase da separação não foi fácil, principalmente por conta dos filhos, e precisou do apoio de familiares e amigos para superar a situação. “É muito difícil porque a gente acha que não consegue caminhar sozinha, não consegue gerir uma casa, uma família sozinha, mas recebi muito apoio da família, dos amigos e de Deus”, contou.

Desde a separação, a professora teve que dividir sua rotina entre acompanhar o crescimento dos filhos e batalhar para sustentar a casa. “Tinha que deixar eles sozinhos em casa, mas ficavam pouco tempo sozinhos, deixava às vezes alguém monitorando”, afirmou.

Neuma afirma que sempre teve bastante cuidado para manter um diálogo com os filhos. Eles iam para a escola, quando chegavam ficavam em casa jogando videogame com amigos, que ela fazia questão de conhecer.

  (Foto: Josemário Alves/MH)

“Conhecia os colegas. Fui muito presente. Até no Tiro de Guerra (no caso de Tiago), eu ia deixar e buscar. Eu tinha muito cuidado com as amizades. Até nos dias de hoje. A gente tem que estar ali junto, observando o comportamento”, disse.

Segundo ela, os meninos sentiam muita falta do pai. Por isso, o apoio da família dela, no caso dos irmãos, e da família por parte do pai, foi bastante importante para a boa educação dos filhos.

“Eles sentiam tristeza, falta de passear, sair. Foi difícil. Faz falta uma figura masculina. Meus irmãos levavam eles para a praça, para praia, a família do pai também era muito bacana, nunca deixou de orientar, participar, sempre tinham contato com eles, os primos, tios etc.”, afirmou.

Apesar da falta diária do pai em casa, as crianças mantiveram contato constante com ele. Durante a entrevista, a aposentada frisou que a relação entre os filhos e o pai era e é muito importante para eles, afinal, existe ex-marido, mas não “ex-filho”.

“Ele tinha contato com os filhos, orientava-os. Se tem uma coisa que as mães que se separam e que criam os filhos sozinhas não devem fazer é a alienação parental. Porque não existe ex-pai nem ex-filho. É muito importante os pais não perderem o contato com o filho. Com acertos ou erros, é o pai deles. E assim aconteceu. Se o pai e a mãe não se deram bem, os filhos sofrem, mas temos que fazer de tudo para que eles não sofram mais do que a situação traz. A separação acontece. Vai um para lá outro para cá, mas os filhos permanecem”, relatou.

Apesar dos problemas enfrentados para cuidar dos filhos sem o pai diariamente, a professora conta que hoje não tem rancor sobre a separação e se sente orgulhosa pela criação que conseguiu dar aos filhos. Hoje, ela usa de sua experiência e aconselha as mães que passam pelas mesmas situações.

Segundo Neuma, é primordial o diálogo com o filho, saber com quem andam, o que gostam de fazer, cultivar uma relação de amizade com eles. “Nunca se afastem da rotina dos seus filhos, procurem saber com quem andam, sobre os amigos, com quem namoram, onde frequentam, isso gera um respeito, um vínculo forte, acho interessante você estar sempre junto, estabelecer relação de respeito e amizade”, conclui, feliz sobre sua trajetória.

Pais devem analisar comportamento dos filhos após separação

O divórcio certamente é um momento complicado para toda família, principalmente, quando há filhos. De acordo com a psicóloga Ana Laura Marques, a separação de pais pode trazer malefícios para os filhos, no entanto, não dá para precisar se isto ocorrerá ou não.

“Depende de como ocorrer a separação, que é um processo que mexe com toda a estrutura familiar, inclusive da criança, e o comportamento dela depende da maturidade dos pais”, informou.

Ana Laura frisou que é importante, caso a separação ocorra, evitar expor de modo extensivo para os filhos os motivos para dissolução do casamento. “Não trará benefícios ficar culpando ninguém", ressaltou.

A especialista enfatiza que é preciso estar claro para todos os envolvidos que o que está encerrando é um casamento e não a família. "Os pais deverão continuar sendo responsáveis pela educação dos filhos, independente se moram no mesmo endereço ou não", enfatizou.

Diante de uma separação, os pais e familiares também devem ficar atentos aos comportamentos posteriores dos filhos. A mudança de comportamento deles pode ser fundamental para saber se algo está acontecendo. Professores podem ajudar a identificar possíveis problemas, frisa Ana Laura.

Divórcios no Brasil*

341,1 mil divórcios no Brasil em 2014

Salto de 161,4% em dez anos

Em 85,1% dos casos, a guarda dos filhos fica sob responsabilidade da mulher

Entre 1984 e 2014, a duração dos casamentos caiu de 19 para 15 anos

Fonte: Estatísticas do Registro Civil, divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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