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MOSSORÓ
Da redação
26/11/2018 07:29
Atualizado
22/04/2019 15:36

[OPINIÃO] Entenda por que o caos de Mossoró é o resultado de um projeto de longo prazo

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O jornalista William Robson analisa sobre os momentos em que a cidade viveu o auge de sua arrecadação, no mesmo instante em que administradores desta fortuna não tiveram planejamento
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WILLIAM ROBSON
Especial para o MOSSORÓ HOJE

Estava lendo um necessário um artigo sobre a situação atual de Mossoró. Uma análise interessante sobre os momentos em que a cidade viveu o auge de sua arrecadação, no mesmo instante em que administradores desta fortuna que deveria servir aos mossoroenses, não tiveram um palmo de visão além do nariz.

Entre festas, praças e simulacros de ruas asfaltadas, o dinheiro foi drenado sem pensar no futuro econômico de Mossoró pós-petróleo. Ao contrário, viu-se duas situações naquele contexto:

1- Que o petróleo de Mossoró era infinito e, por assim dizer, a terra que vertia leite e mel jamais deixaria de existir. Lembro que, em 2005, numa série espetacular que produzimos no Jornal de Fato com o grande jornalista Julierme Torres, especialistas e pesquisadores já falavam de um colapso importante do setor na região de Mossoró em 2016, ou seja, 11 anos depois.

Isso já deveria ser o suficiente para que as autoridades na gestão da cidade
ficassem alertas e agissem de forma a garantir a sobrevivência e o bem estar de todos nos anos e décadas seguintes. Mas, em vez disso, o ponto 2 agravou a situação.

2- Quem conhece bem Mossoró sabe que a cidade tem uma síndrome de grandeza, de ser capital de tudo (da cultura ao semiárido). Propagandeava, a preço de ouro em revistas de distribuição nacional, o status de “metrópole do futuro”. Além disso, comemorava a cada aumento demográfico divulgado pelo IBGE, como se isso fosse sinal de desenvolvimento.

Claro que, à época, havia uma razão: o dinheiro do petróleo se juntava com retroescavadeira a cada mês e as festas incrementavam um tal “turismo de eventos” fajuto que, por outro lado, ajudava a esvair todo o futuro da cidade.

Quem não queria morar na metrópole do futuro, e ter a vida moderna e prática dos Jetsons? Tal propaganda atrai mais gente que o paraíso pós-morte vendido pelas religiões.

Mossoró recebeu tanta gente que hoje não consegue dar condições tranquilas, de trabalho, de cultura, de transporte e de progresso para 300 mil pessoas.

Quer dizer, a cidade inchou, o petróleo ficou escasso… Os melhores empregos se extinguiram e foram substituídos pela área de telemarketing que, apesar do esforço, não consegue carregar o fardo deixado.

Os baixos salários pagos refletem no setor de serviços e em outras áreas, lógico. Não estou a considerar aqui, o atraso nos salários dos servidores estaduais, que agrava ainda mais a situação.

Tanta gente na metrópole do futuro encontrou uma Gotham City e, sem dinheiro, aumentou a pobreza e a violência. O caos foi projeto trabalhado a longo prazo.

Não é o Exército aplaudido e amontoado de selfies em poucos dias que vai reverter tão bem feito trabalho de ter colocado Mossoró no cenário em que está. Ao longo dos últimos 30 anos.

Mossoró perdeu uma grande oportunidade de ser verdadeiramente um lugar bom de viver, sem almejar a soberba e os problemas da “metrópole”.

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