23 JUL 2019 | ATUALIZADO 09:01
POLÍTICA

Derrotado nas eleições, Ciro é hostilizado aos gritos de "oportunista" em evento da UNE

Após ser vaiado e chamado de corrupto por uma parcela do público, Ciro se exaltou e rebateu os manifestantes
DA REDAÇÃO
07/02/2019 17:04
Atualizado
07/02/2019 16:09
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Ciro Gomes é hostilizado aos gritos de "oportunista" em evento da UNE
Ciro: "Eu não sou [corrupto], não. Eu estou solto, 38 anos de vida pública, nunca respondi por nenhum malfeito. Eu sou limpo. Eu sou limpo. Engole essa, engole essa"
Reprodução

Candidato à Presidência da República derrotado nas eleições de 2018, Ciro Gomes (PDT) foi hostilizado e criticou apoiadores do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (7). Ele discursava para um público de estudantes na Bienal da UNE (União Nacional dos Estudantes) em Salvador e criticou parcela dos jovens por defender políticos envolvidos em corrupção.

"[O jovem] não está sequer ouvindo porque dói, dói demais você ouvir as coisas quando elas são verdadeiras e a referência totêmica, o totem deles não respondem mais. Tem coisa mais chata do que um jovem estar num bar defendendo corrupto?", disse Ciro.

O discurso ocorreu um dia após Lula ser condenado na Lava Jato a 12 anos e 11 meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro devido ao caso do sítio de Atibaia (SP). Após ser vaiado e chamado de corrupto por uma parcela do público, Ciro se exaltou e rebateu os manifestantes.

"Eu não sou [corrupto], não. Eu estou solto, 38 anos de vida pública, nunca respondi por nenhum malfeito. Eu sou limpo. Eu sou limpo. Engole essa, engole essa", disse. Na sequência, repetiu por três vezes: "O Lula está preso, babaca".

A expressão foi popularizada pelo irmão de Ciro, o senador Cid Gomes (PDT), que, após o primeiro turno da campanha, criticou apoiadores do ex-presidente.

Depois de responder aos apoiadores do ex-presidente que o hostilizaram, Ciro buscou contemporizar, afirmando que ninguém ajudou mais o ex-presidente do que ele. Mas foi surpreendido por novas vaias e gritos de "oportunista" e "Lula livre".

Por outro lado, buscou desconstruir o discurso de que Lula seria um preso político e afirmou que a prisão do ex-presidente deve ser encarada como um fato.

"Temos o maior líder popular brasileiro preso, condenado em duas sentenças que juntas chegam a 25 anos. Isso fato. Não me agrada dizer isso, mas ou o Brasil entende que isso é fato ou a gente vai delirar", disse.

Por fim, criticou a estratégia do PT de ter colocado o ex-presidente Lula e a sua prisão como protagonistas do discurso político das esquerdas. "Fomos humilhantemente derrotados por essa estratégia. Insistir nela afunda o Brasil."

Antes de fazer as referências ao ex-presidente Lula, Ciro chegou a ser bem recebido pelo público, formado por jovens estudantes de esquerda. Ao ser anunciado para discursar, foi saudado por gritos de "Cirão da Massa" e aplaudido pelos espectadores.

Em entrevista à imprensa, antes de participar do ato, Ciro lamentou a condenação do ex-presidente Lula pelo caso do sítio em Atibaia. Mas afirmou que a nova condenação era mais consistente do que a anterior, do caso do triplex do Guarujá.

"Ele [Lula] facilitou. Tomou-se de gostos burgueses e acabou deixando o queixo a bater", disse Ciro.


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