30 NOV 2021 | ATUALIZADO 18:24
POLÍCIA
CEZAR ALVES
15/10/2021 17:45
Atualizado
15/10/2021 17:54

Caso Lacerda: Justiça agenda júri de co-autor na morte do promotor, ocorrida há 24 anos

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O julgamento de Wilson Pereira de Alencar acontecerá no dia 21 de outubro de 2021, no Fórum de Pau dos Ferros. O promotor de Justiça Manoel Alves Pessoa Neto foi morto no dia 8 de novembro de 1997, no município, a mando do então juiz, Francisco Pereira de Lacerda. O caso foi esclarecido na época, inclusive com a prisão e confissão do pistoleiro Edmilson Pessoa Fontes, mas o réu, Wilson, que seria ligado ao juiz Lacerda e co-autor do assassinato do promotor, nunca foi julgado pela sociedade.
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FOTO: ARQUIVO

O caso do juiz de direito que mandou um pistoleiro matar o promotor de justiça de sua comarca, no dia 8 de novembro de 1997, está de volta, com quase 24 anos depois do ocorrido, em Pau dos Ferros, região do Alto Oeste do Rio Grande do Norte.

O caso foi esclarecido na época, inclusive com a prisão e confissão do pistoleiro Edmilson Pessoa Fontes, mas o réu, Wilson Pereira de Alencar (soldado da PM), que seria ligado ao juiz Lacerda e co-autor do assassinato do promotor, não foi julgado pela sociedade.

O julgamento de Wilson Pereira de Alencar acontecerá no dia 21 de outubro de 2021, no Fórum de Pau dos Ferros.


O CASO

O então promotor de Justiça Manoel Alves Pessoa Neto estava produzindo um dossiê, mostrando irregularidades na condução dos processos na Comarca de Pau dos Ferros por parte do então juiz Francisco Pereira de Lacerda. Todos na cidade sabiam da rixa entre os dois.

Temendo ser denunciado, segundo consta no processo, o juiz Francisco Pereira de Lacerda teria orientado o soldado da PM Wilson Pereira de Alencar a procurar o seu segurança particular, Edmilson Pessoa Fontes, para matar o promotor Manoel Alves.

Edmilson já respondia a 2 processos por homicídio na Comarca de São Miguel, onde tinha a proteção do juiz Francisco Pereira de Lacerda. Quando se mudou para Pau dos Ferros, Edmilson Pessoa Fontes o seguiu prestando o mesmo serviço.

Quando o promotor Manoel Alves Pessoal Neto estava prestes a concluir o dossiê, o juiz teria enviado, primeiro, o soldado Alencar para abordar Edmilson para eliminar seu desafeto, Manoel. Este teria se negado. Daí o próprio juiz teria procurado o pistoleiro.

O pistoleiro contou em seu depoimento que só aceitou fazer o “serviço”, porque, além de recursos e meios de fugir, o juiz Francisco Pereira de Lacerda prometeu também sumir com os processos dos crimes que ele respondia na Comarca de São Miguel.

Daí, Edmilson Pessoa Fontes decidiu matar o promotor a mando do juiz Lacerda. Para facilitar, o juiz teria determinado que o vigia do Fórum de Pau dos Ferros, que trabalhava armado, fosse substituído pelo preso de justiça Orlando Alves Mari, que não trabalhava armado.

No dia e hora do crime, Edmilson disse que chegou a pensar em desistir, mas foi em frente, disparando um tiro no promotor Manoel Alves Pessoa Neto, despertando o vigilante Orlan Alves Mari, que teria avançado para cima e sofrido outros 4 ou 5 tiros.

Orlando Alves Mari morreu no local e o promotor Manoel Alves Pessoa Neto ainda conseguiu dirigir até a pousada que se hospedava em Pau dos Ferros, pedindo socorro. Antes de morrer, em função do ferimento do tiro, a vítima teria revelado o nome do assassino: Edmilson.

Após o duplo homicídio, Edmilson Pessoa fugiu para Bacabau, no Estado do Maranhão, mas terminou sendo descoberto e preso pela Polícia. Ao chegar em território Potiguar, Edmilson Pessoa Fontes contou em detalhes como conseguiu acioná-la, matando outras pessoas.

Levado a Julgamento, Edmilson Pessoa Fontes pegou 24 anos de prisão, com algumas regalias, por ter confessado e entregue o nome do mandante do assassinato do promotor.

O juiz Francisco Pereira de Lacerda foi condenado no Tribunal de Justiça do Estado a 35 anos de prisão, prisão esta que veio a transitar em julgado em dezembro de 2000, conforme informa reportagem do conceituado site Consultor Jurídico.

Veja mais: 

Juiz que mandou matar promotor pega 35 anos de prisão


Apesar das evidências, o soldado Wilson Pereira de Alencar, não restou julgado por este tempo todo, erro que agora o Poder Judiciário se apresenta para resolver, realizando o Tribunal do Júri Popular do soldado Alencar na Comarca de Pau dos Ferros.

No banco dos réus, o Soldado Alencar terá como defensor o advogado e professor de direito José Augusto Neto, com banca na cidade de Aracati, no Estado do Ceará. O promotor que vai atuar na acusação do réu é Paulo Roberto. O júri será presidido pelo juiz Edilson Chaves de Freitas.


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