30 JUN 2022 | ATUALIZADO 18:23
ECONOMIA
COM INFORMAÇÕES DO BLOOMBERG LINEA
05/05/2022 10:26
Atualizado
05/05/2022 10:29

Aura Minerals é a nova dona de uma das maiores minas de ouro do Brasil, localizada no RN

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A Aura é uma empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, escritório corporativo em Miami, listada no Canadá e com BDR’s emitidas na B3, além de ser controlada por brasileiros desde 2016. Para levar o ativo, a empresa teve que desembolsar 91,7 milhões de dólares australianos, pouco mais de R$ 313 milhões, para comprar 100% das ações da australiana Big River Gold, dona da mina no Brasil. O alvo da aquisição é a mina do projeto Borborema, no município de Currais Novos, a cerca de 170 km de Natal.
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FOTO: REPRODUÇÃO

A Aura Minerals (AURA33) acaba de assumir uma nova mina no país, dessa vez, no Rio Grande do Norte, que está entre as maiores reservas conhecidas do mineral do Brasil.

Para levar o ativo, a empresa teve que desembolsar 91,7 milhões de dólares australianos, pouco mais de R$ 313 milhões, para comprar 100% das ações da australiana Big River Gold, dona da mina no Brasil.

O negócio envolve, ainda, a Dundee Resources, uma das maiores acionistas da Big Rivers, que passará a ser sócia da Aura, com uma fatia de 20% da holding que vai controlar a empresa australiana. Com a operação, a Big Rivers, hoje listada na bolsa do Canadá, terá seu capital fechado.

O alvo da aquisição, de fato, é a mina do projeto Borborema, no município de Currais Novos, no Rio Grande do Norte, a cerca de 170 km de Natal.

Com o plano geológico realizado, já licenciada e com depósito de ouro confirmado, a mina tem um estoque de 1,87 milhões de onças, cerca de 56 toneladas de ouro, segundo os estudos realizados pela Big Rivers, que serão ainda revistos e confirmados pela Aura.

“Após aprovada a aquisição, vamos trabalhar para otimizar o projeto de construção da fábrica que já existe para tentar iniciar as obras ainda no primeiro semestre de 2023”, afirma Rodrigo Barbosa, CEO da Aura, em entrevista à Bloomberg Linea.

Apesar de não confirmar o quanto a empresa pretende investir na construção da fábrica, a Big Rivers já havia apresentado a investidores um projeto Entre 94 milhões e US$ 98 milhões em investimento para a construção e custos operacionais.

QUEM É A AURA MINERALS

A aura é uma empresa com sede nas Ilhas Virgens Britânicas, escritório corporativo em Miami, listada no Canadá e com BDR’s emitidas na B3 e controlada por brasileiros desde 2016.

 Conforme seu formulário de referência, o empresário Paulo Carlos de Brito, fundador da Cotia Trend e da mineradora Santa Elina, aparece como detentor de 58,985% das ações da Aura por meio da Northwestern Enterprises.

Outros 4,824% estão nas mãos de seu filho, Paulo Carlos de Brito Filho, por meio da Conway Holding e 43,516% estão em circulação na bolsa canadense Yamana Gold.

No ano passado, a empresa registrou um faturamento de R$ 2,4 bilhões, com crescimento de 52,9% em comparação aos resultados de 2020.

Apesar da receita maior, a companhia viu seus gastos Gerais e com exploração aumentarem no ano passado, o que acabou por reduzir seus resultados finais. O lucro líquido da Aura caiu 37,6% para R$ 240,37 milhões em 2021.

Aquisição do projeto no Rio Grande do Norte eleva para 4 o número de Minas de ouro que a empresa tem no Brasil. A companhia já explora uma mina em Pontes e Lacerda, em Mato Grosso, e deve iniciar as obras de uma segunda unidade em Matupá para exploração de uma nova área, com potencial para 50.000 onças, onde devem ser investidos US$ 70 milhões.

Além disso, está em fase de construção uma nova fábrica no Tocantins, no município de Almas, a 300 km a sudeste de Palmas, que deve produzir outras 50 mil onças de ouro, com investimento de US$ 73 milhões.

Mas as operações da Aura não estão restritas ao Brasil. A empresa opera uma mina de ouro em San Andreas, em Honduras, e outra de ouro cobre e prata em Aranzazu, no México. Além disso, tem um projeto de ouro em Tolda Fria, na Colômbia e no Arizona nos, Estados Unidos.

Hoje, 76% da receita da empresa é proveniente da exploração de ouro e os demais 24% de cobre.

O MERCADO DE OURO

O ouro foi uma das commodities que mais se valorizou nos últimos meses devido ao aumento da procura de investidores pelo mineral como forma de proteção da inflação.

A demanda se intensificou com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia que aumentou a tensão geopolítica mundial, elevando as incertezas entre os investidores.

“Questões geopolíticas e inflação são duas variáveis importantes que historicamente criaram um cenário de aumento dos preços do ouro. Hoje, temos essas duas variantes acontecendo ao mesmo tempo”, afirma Barbosa.

Segundo o executivo, a China tem se posicionado como importante player do mercado, permanecendo entre os maiores produtores e importadores de ouro do mundo, tendo como estratégia elevar suas reservas do minério e diminuir sua exposição em dólar.

Ele lembra que o Brasil já foi um grande produtor de ouro, mas caiu no ranking global pela falta de investimentos provocada pelas elevadas taxas de juros. Ainda sim, permanece entre os 10 maiores do mundo.

“A exploração de ouro exige altos investimentos, principalmente na fase inicial e tem um risco considerável. Contudo, Chile e Peru, dois concorrentes diretos do Brasil na produção, estão revendo suas legislações sobre a mineração de ouro, o que tende a afastar os investidores e o Brasil pode ser o novo alto para esse Capital”, diz Barbosa.


Notas

UNP 27 de junho de 2022

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