O policial penal Victor Hugo de Souto Valença foi condenado a uma pena total de 43 anos e 9 meses de reclusão, em regime fechado, pela prática de dois latrocínios e outros crimes cometidos em Natal-RN.
A sentença atende pleito do Ministério Público do Rio Grande do Norte.
Em julho de 2022, o réu subtraiu um veículo de motorista de aplicativo Marcelo Cavalcanti de Medeiros Silva, de 27, e o matou com oito disparos de uma arma calibre .40, na avenida Capitão-Mor Gouveia, em frente ao Terminal Rodoviário Municipal, em Natal.
Em seguida, ele tentou roubar outro carro, já no bairro de Cidade Satélite, mas a vítima conseguiu fugir, embora o réu tenha disparado três tiros contra ela.
Na sequência dos crimes, Victor Hugo invadiu uma residência, onde atirou e feriu uma mulher no braço e matou o filho dela, João Victor Munay, de 21 anos. O réu ainda roubou a motocicleta do rapaz.
O policial penal continuou a ação criminosa, roubando outro carro, sendo preso em flagrante na cidade de Olinda, Pernambuco, no mesmo dia, após ter praticado outros delitos, como extorsão.
A sentença da 4ª Vara Criminal de Natal também determinou a perda do cargo público do réu. A juíza Ada Maria da Cunha Galvão rejeitou o pedido dos advogados de Victor Hugo para recorrer da sentença em liberdade, com a justificativa de que a manutenção de sua prisão é necessária para o resguardo da ordem pública.
Durante o processo, a defesa de Victor Hugo alegou que ele era inimputável por ter um transtorno mental.
No entanto, a Justiça rejeitou o laudo de insanidade mental com base em inconsistências na perícia, em depoimentos de testemunhas e outros documentos, que indicavam que o réu era policial penal concursado, tendo sido submetido a exames psicotécnicos rigorosos.
A decisão apontou que a conduta do réu, inclusive na presença de uma criança e uma idosa, com uso de violência, demonstrou uma culpabilidade exacerbada e que os crimes causaram sérias consequências, como a perda de um filho único e a deficiência permanente de outra vítima.