05 DEZ 2020 | ATUALIZADO 08:48
NACIONAL
DA REDAÇÃO
21/10/2020 15:21
Atualizado
21/10/2020 15:28

Governadores criticam posição de Bolsonaro sobre compra de vacina chinesa

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O presidente Bolsonaro desautorizou o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, com relação a compra da vacina contra a Covid-19, Coronavac, vacina do Instituto Butantan produzida em parceria com a empresa chinesa Sinovac; Governadores que estiveram reunidos com o ministro nesta terça (20), acusam Bolsonaro de estar politizando a vacina.
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FOTO: REPRODUÇÃO

Governadores criticaram a atitude do presidente Jair Bolsonaro de afirmar que o Ministério da Saúde não vai realizar a compra da vacina contra a covid-19, Coronavac, vacina do Instituto Butantan produzida em parceria com a empresa chinesa Sinovac.

Nesta terça-feira (20) o Ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, havia anunciado, em reunião com os 27 governadores, que pasta enviou uma carta ao Butantan se comprometendo a adquirir vacinas fabricadas até o início de janeiro.

"Nós já fizemos uma carta em resposta ao ofício do Butantan e essa carta, ela é o compromisso da aquisição das vacinas que serão fabricadas até o início de janeiro, em torno de 46 milhões de doses. E essas vacinas servirão para nós iniciarmos a vacinação ainda em janeiro", disse o ministro.

Veja mais:

Ministério da Saúde vai adquirir 46 milhões de doses da vacina Coronavac


No entanto, o presidente respondeu a uma seguidora no twitter com a frase "Tudo será esclarecido ainda hoje. Não compraremos a vacina da China". Segundo auxiliares, Bolsonaro desautorizou Pazuello.

O presidente chamou a Coronavac de “A Vacina Chinesa de João Dória”, deixando claro sua posição ideológica

Em outro momento, ainda nesta manhã, Bolsonaro concedeu uma entrevista onde voltou a afirmar que não vai autorizar a compra da vacina e que não abre mão de sua autoridade.

"As vacinas precisam ter comprovação científica, diferente da hidroxicloroquina. Tem que ter a sua eficácia. Não pode inalar algo em uma pessoa e o malefício ser maior que um possível benefício", afirmou

Após o posicionamento do presidente, o secretário-executivo do Ministério da Saúde, Élcio Franco, realizou uma coletiva de imprensa, onde afirmou que "não há intenção de compra de vacinas chinesas" contra a Covid-19.

"Não houve qualquer compromisso com o governo do estado de São Paulo ou seu governador no sentido de aquisição de vacinas contra Covid-19", disse Franco. "Tratou-se de um protocolo de intenção entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan, sem caráter vinculante", afirmou.


GOVERNADORES CRITICARAM A ATITUDE

Alguns governadores, que estiveram ontem com o ministro da saúde durante o anúncio da compra das vacinas chinesas, criticaram a atitude do presidente. Alguns afirmaram que Bolsonaro está politizando a vacina.

A governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra, disse que  o povo brasileiro não pode aceitar retrocessos e que o compromisso que foi firmado durante reunião com os governadores deve ser cumprido.

"O que o povo brasileiro não pode e não deve aceitar é retrocesso! Que prevaleça a união e a responsabilidade com a defesa e a saúde das pessoas. E que o que foi pactuado ontem seja assegurado, que é a vacina gratuita para todas e todos os brasileiros", aifrmou.

O governador do Maranhão disse que Bolsonaro só pensa em palanque, se referindo a uma possível disputa com o governador de São Paulo, João Dória.

“Bolsonaro agora quer fazer a “guerra das vacinas”. Só pensa em palanque e guerra. Será que ele não quer jogar War ou videogame com Trump ? Enquanto jogasse, ele não atrapalharia os que querem tratar com seriedade os problemas da população”, escreveu ele no Twitter.

Dino ainda afirmou que os governadores com certeza irão ao Congresso Nacional e ao Poder Judiciário “para garantir o acesso da população a todas as vacinas que forem eficazes e seguras. Saúde é um bem maior do que disputas ideológicas ou eleitorais”.

Camilo Santana, governador do Ceará, escreveu que a decisão sobre compra de vacina deve ser tomada com base em critérios técnicos e não por posições ideológicas.

“Que o Governo Federal guie suas decisões sobre a vacina da Covid por critérios unicamente técnicos. Não se pode jamais colocar posições ideológicas acima da preservação de vidas. Lutaremos para que uma vacina segura e eficaz chegue o mais rápido possível para todos os brasileiros”. escreveu Camilo em sua conta.

O governador de Pernambuco, Paulo Câmara, disse que deixar ideologia influenciar qualquer tema de relevância, só prejudica a população.

“A influência de qualquer ideologia em temas fundamentais, como a saúde, só prejudica a população. Defendemos que todas as vacinas consideradas seguras, avalizadas pelas autoridades, sejam disponibilizadas ao povo brasileiro. É preciso dar este passo na superação da Covid-19”, afirmou.

João Dória também se manifestou, pedindo grandeza ao presidente Bolsonaro para liderar o país.

“Peço ao presidente Jair Bolsonaro que tenha grandeza. E lidere o Brasil para a saúde, a vida e a retomada de empregos. A nossa guerra não é eleitoral. É contra a pandemia. Não podemos ficar uns contra os outros. Vamos trabalhar unidos para vencer o vírus. E salvar os brasileiros”.

Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul, disse que a decisão sobre a inclusão de uma vacina no Programa Nacional de Imunizações deve ser eminentemente técnica, e não política.

“Nós temos instituições renomadas trabalhando sobre esse assunto, como a Fiocruz, o Instituto Butantan, e o que deve ser observada é a condição de segurança, a viabilidade técnica, e também a agilidade pra disponibilizar essa vacina pra imunizar a população. Ou seja, sem análises políticas, o importante é que seja tecnicamente decidido e viabilizado pra população o que ela precisa, que é a garantia de uma vacina segura o mais rápido possível”.

Rui Costa, da Bahia, se solidarizou com o ministro Pazuello e afirmou que ele teve uma atitude sensata em tentar garantir o acesso da população a uma vacina.

“General e Ministro da Saúde tomou medida sensata de garantir acesso à vacina de qualquer país para salvar vidas. Estamos em guerra contra Covid, que já matou + de 150 mil no Brasil. O presidente não pode desmoralizá-lo e desautorizá-lo nesta luta.Minha total solidariedade ao ministro”.


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