30 NOV 2020 | ATUALIZADO 07:33
POLÍTICA
30/10/2020 07:51
Atualizado
30/10/2020 11:50

PF cumpre 23 mandados por lavagem de dinheiro em Extremoz

A+   A-  
Em 2018, a prestação de contas de uma candidata a deputada federal (nome não revelado pela PF), constava recebimento de transferência de vários servidores de Extremoz. Chamados para depor, os servidores revelaram que transferiram os salários e receberam em espécie da gestão municipal; prefeito e outros quatro servidores foram afastados por ordens da Justiça Federal
Imagem 1 -  Em 2018, a prestação de contas de uma candidata a deputada federal (nome não revelado pela PF), constava recebimento de transferência de vários servidores de Extremoz. Chamados para depor, os servidores revelaram que transferiram os salários e receberam em espécie da gestão municipal
Em 2018, a prestação de contas de uma candidata a deputada federal (nome não revelado pela PF), constava recebimento de transferência de vários servidores de Extremoz. Chamados para depor, os servidores revelaram que transferiram os salários e receberam em espécie da gestão municipal

As regras na Legislação Eleitoral mudaram. Ficaram mais duras para o uso de recursos de origem ilícita nas campanhas, o que obrigou os candidatos com segunda intenções a mudarem a estratégia. Em Extremoz, uma candidata a deputada,  na campanha de 2018, pediu que os servidores comissionados da Prefeitura transferissem seus vencimentos como doação para sua conta de campanha e devolveu os valores em espécie a estes servidores. Lavou o dinheiro.

Nesta sexta-feira, 30 de outubro de 2020, o desembargador Claudio Santos, do Tribunal Regional Eleitoral, determinou afastamento do  prefeito Joaz Oliveira e de outros quatro servidores suspeitos de desviar e lavarem pelo menos  R$ 2 milhões de reais dos cofres públicos do município. Eles também foram acusados de fraude e formação de quadrilha.

A Polícia Federal e o Ministério Público Federal, com apoio da Receita Federal e da Controladoria Geral da União, deflagraram na manhã desta sexta-feira, a Operação Vale Tudo visando desarticular uma organização criminosa acusada de fraudes em licitação, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro no município de Extremoz, Região Metropolitana de Natal. 

Mais de 70 policiais estão cumprindo 23 mandados de busca e apreensão por determinação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE/RN) em desfavor de servidores da prefeitura daquela cidade e de empresários do Rio Grande do Norte e Pernambuco. Também serão cumpridos 5 mandados de suspensão da função pública e dos pagamentos referentes aos contratos da prefeitura com as empresas investigadas. 

A investigação teve início a partir de indícios de falsidade na prestação de contas da campanha política de uma candidata a deputada estadual nas Eleições de 2018, cuja pessoa, à época, era ligada aos gestores municipais de Extremoz. 


Durante a análise das contas da referida candidata verificou-se a existência de muitas doações oriundas de servidores municipais em valores que chegavam a quase totalidade dos seus vencimentos mensais. Chamados a prestar esclarecimentos, alguns deles confessaram que, após terem feito a transferência para a conta da campanha, receberam os valores em espécie por orientação dos gestores do município. 

Com o avanço das investigações e, através da quebra de sigilo bancário, verificou-se que a organização criminosa teria desviado mais de R$ 2 milhões de reais entre os anos de 2017 e 2020, por meio de fraudes em licitações que visavam à aquisição de medicamentos, produtos odontológicos e hospitalares destinados ao município de Extremoz/RN. 

Não haverá entrevista coletiva.

* O nome da operação faz referência aos “vales”, documento que era entregue para o controle de estoque da Secretaria Municipal de Saúde, o qual apresentava itens em menores quantidades, todavia com valores superfaturados.


Notas

AME

Publicidades

Outras Notícias

Deixe seu comentário