05 AGO 2021 | ATUALIZADO 08:29
EDUCAÇÃO
ANNA PAULA BRITO E CEZAR ALVES
22/06/2021 17:17
Atualizado
23/06/2021 07:37

Educadores de Campo Grande desenvolvem projeto para alcançar alunos da zona rural

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O Projeto “Trilhando a Aprendizagem: Inversão de Percurso”, como o próprio nome já diz, inverte o percurso feito por estudantes que, ao invés de irem até a escola, visto que esta está fechada devido a pandemia, recebem os educadores em suas casas. Por meio do projeto, são desenvolvidas atividades voltadas especificamente para a necessidade de cada estudante, que apresentou atraso no desenvolvimento devido à pandemia da covid-19.
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FOTO: CEDIDA

A pandemia criou um fosso profundo na educação brasileira. Os problemas foram ainda maiores para estudantes que vivem em áreas rurais. Sem acesso à tecnologia, muitos não puderam acompanhar o ano letivo quando as aulas passaram a acontecer de forma remota.

Diante dessa realidade, a equipe pedagógica da Escola Municipal de 1º e 2º Grau Professor Joaquim Leal Pimenta, de Campo Grande-RN, criou um projeto para levar o ensino a esses alunos que não têm condições de acompanhar as aulas online. 

O Projeto “Trilhando a Aprendizagem: Inversão de Percurso”, como o próprio nome já diz, inverte o percurso feito por estudantes que, ao invés de irem até a escola, visto que esta está fechada devido a pandemia, recebem os educadores em suas casas.

Para isto, a supervisora Lucila Liberato explicou ao MOSSORÓ HOJE que foi realizada uma busca ativa, no início do ano letivo, para identificar quais eram aqueles estudantes que não estavam sem acesso ao ensino remoto.

Durante a busca, chamou a atenção a situação do Sítio Paraguaçu, onde vivem duas famílias. Em uma delas, dos 5 filhos, 4 estão em atraso extremo na aprendizagem.

Entre eles, há uma moça de 20 anos, matriculada no 6º ano do ensino fundamental. Lucila conta que a jovem não fala e é extremamente tímida. A irmã dela, de 14 anos, também não fala.

Ambas estão em situação de distorção idade/série, quando o estudante apresenta atraso escolar, estando com idade muito avançada com relação a série em que está matriculado.

As duas são matriculadas na Professor Joaquim Leal Pimenta há cerca de dois anos. Sempre foi notável que elas não apresentavam interação com os colegas e viviam sempre isoladas dos demais. No entanto, a pandemia evidenciou ainda mais essa dificuldade das irmãs.

Com o projeto, que vem sendo realizado nas quintas-feiras, as educadoras estão desenvolvendo atividades voltadas especificamente para a realidade das duas meninas.

“Esse projeto objetiva desenvolver ações pedagógicas, que atendam às necessidades educacionais dos alunos, levando em conta, que os mesmos estão com déficit de aprendizagem e distorção idade-série. Essas atividades foram e continuarão sendo mediadas e orientadas pela Equipe Pedagógica da escola e pela professora, que se deslocarão a essa localidade com atividades impressas e materiais didáticos necessários para desenvolver as habilidades propostas por essa ação, garantindo a esses estudantes um direito a eles assegurado por lei”, explicou Lucila.

A supervisora ainda explica que também ficou evidente a necessidade de expandir o projeto, para que ele alcance outros estudantes, visto que Campo Grande possui uma zona rural muito extensa, com uma população que supera a da zona urbana.

Fazem parte do projeto a supervisora Lucila Liberato, Aldenira Bezerra (vice-diretora), Elizabete Fernandes (supervisora), Mariele Souza (supervisora), Edilma Pimenta (professora do pré 2), Fabiana Costa (professora 5º ano), Lidineia Almeida (assessora da secretaria) e Galileu Fernandes (diretor).



INCLUSÃO

O prefeito Francisco das Chagas Eufrásio Vieira de Melo, conhecido por Bibi de Nenca, contou ao MOSSORÓ HOJE que foram adquiridos 100 tablets para serem distribuídos entre os estudantes do município que não tinham acesso à tecnologia.

Esta foi a forma que a gestão encontrou de garantir o acesso dos alunos às aulas remotas. 

Quanto ao sítio Sítio Paraguaçu, que fica distante da zona urbana do município, Lucila explicou que a equipe pedagógica não achou viável entregar o equipamento para as irmãs, visto que, no caso delas, em específico, é notável a necessidade de ter a presença das educadoras.


REINSERÇÃO

A escola ainda está desenvolvendo um trabalho de reinserção daqueles alunos que “ficaram para trás” no ano letivo de 2020. O município de Campo Grande tem cerca de 10 mil habitantes, sendo que mais da metade mora e trabalha na zona rural. O número de alunos matriculados, em 2021, gira em torno de 1.280, sendo que mais ou menos metade são da zona rural.

“Aqueles que não conseguiram acompanhar as aulas e acabaram ficando em situação de atraso, agora estão participando de atividades desenvolvidas pelos professores, para que possam acompanhar os estudantes que conseguiram acompanhar as aulas simultâneas”, conta Lucila.


Notas

Posto JP - Maio de 2021

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