24 JUN 2024 | ATUALIZADO 16:24
MOSSORÓ
Cezar Alves
05/06/2024 19:04
Atualizado
05/06/2024 19:16

De carvoeiro a produtor polpa de frutas , bolos e cocadas

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A história de superação do casal Fabiano/Gercina, que trabalhavam produzindo carvão e quebrando pedras no Assentamento Favela, distante 30km de Mossoró-RN, mas, com apoio técnico que receberam da Prefeitura/SEBRAE, conseguiram instalar uma agroindústria familiar e, hoje, produzem, com certificado emitido pelos órgãos de fiscalização, polpa de nove tipos de frutas que eles mesmo produzem, e fazem quase meia tonelada de bolos e cocadas/mês para atender várias escolas de Mossoró. Dos seis filhos do casal, quatro já estão na faculdade, sendo que o mais novo, de 14 anos, cursa o oitavo ano na Escola Municipal Dinarte Martins e quer ser policial.
Imagem 1 -  A história de superação do casal Fabiano/Gercina, que trabalhavam produzindo carvão e quebrando pedras no Assentamento Favela, distante 30km de Mossoró-RN, mas, com apoio técnico que receberam da Prefeitura/SEBRAE, conseguiram instalar uma agroindústria familiar e, hoje, produzem, com certificado emitido pelos órgãos de fiscalização, polpa de nove tipos de frutas que eles mesmo produzem, e fazem quase meia tonelada de bolos e cocadas/mês para atender várias escolas de Mossoró. Dos seis filhos do casal, quatro já estão na faculdade, sendo que o mais novo, de 14 anos, cursa o oitavo ano na Escola Municipal Dinarte Martins e quer ser policial.
A história de superação do casal Fabiano/Gercina, que trabalhavam produzindo carvão e quebrando pedras no Assentamento Favela, distante 30km de Mossoró-RN, mas, com apoio técnico que receberam da Prefeitura/SEBRAE, conseguiram instalar uma agroindústria familiar e, hoje, produzem, com certificado emitido pelos órgãos de fiscalização, polpa de nove tipos de frutas que eles mesmo produzem, e fazem quase meia tonelada de bolos e cocadas/mês para atender várias escolas de Mossoró. Dos seis filhos do casal, quatro já estão na faculdade, sendo que o mais novo, de 14 anos, cursa o oitavo ano na Escola Municipal Dinarte Martins e quer ser policial.
Foto Pedro Cézar

O município de Mossoró-RN tem aproximadamente 300 mil habitantes. A cidade polariza outras 64 do Oeste do Rio Grande do Norte com serviços bancários, educação, saúde e comércio. Ao Todo, a capital do oeste têm 137 comunidades rurais. É o maior do Estado, em extensão territorial.

O caminho encontrado pela atual gestão da Prefeitura Municipal, para desenvolver uma zona rural tão grande, foi investir em parcerias com entidades como SEBRAE, universidades, instituições de pesquisa, entre outras entidades de governo, para levar conhecimento, tecnologia, inovação e sustentabilidade ao homem do campo.

E os resultados destas parcerias, em especial com o SEBRAE, já estão aparecendo na zona rural. O MOSSORÓ HOJE foi conhecer de perto o exemplo de sucesso desta parceria no Assentamento Favela, que fica distante cerca de 30 km da cidade.

O casal Fabiano Franscelino da Silva (59) e Gercina Maria de Oliveira Silva (49), conseguiu, com apoio da Prefeitura e do SEBRAE, trocar o meio de vida. Trabalhavam extraindo pedras de calcário e produzindo carvão na mata. “A comida era pouca”, lembra Seu Fabiano.

O casal reside no assentamento Favela há mais de 30 anos. Tem seis filhos e seis netos. Os filhos são: Gersiane, Gercineide, Jéssica, Eletícia e Gedna Oliveira. O caçula é Gustavo Fernandes. “Meu grande orgulho é ver eles estudando numa faculdade”, diz Seu Fabiano.

Atualmente, família de Seu Fabiano e Dona Gercina produz polpa de caju, goiaba, acerola, manga e outros cinco tipos na propriedade em que vive. Também fazem, em média, 450 quilos de bolos e cocadas, para atender escolas de Mossoró.

Com a mudança, o casal conseguiu colocar os seis filhos para estudar. Quatro estão na faculdade, sendo que uma na faculdade de Direito da UNP. O mais novo do casal, Gustavo Fernandes, tem apenas 14 anos e está cursando o oitavo ano em Mossoró.

Seu Fabiano lembra dos tempos difíceis na adolescência, na zona rural do município de Campo Grande-RN. Disse que teve que comer até “cameleão” (iguana) assado para sobreviver os períodos de secas prolongadas. “Era uma questão de desespero! ”, lembra.

Ao lado da companheira Gercina, Fabiano conta que se instalou no assentamento Favela logo no início da fundação, numa casinha pequena feita pelo INCRA. Apesar da completa falta de estrutura, naquela época um teto era uma grande conquista.

Não havia utensílios eletrônicos que facilitassem a vida. “A água era no pote e era boa”, lembra Fabiano e Gercina. O casal acrescentou que não havia qualquer meio de sobrevivência diferente do trabalho braçal fazendo carvão, “tirando” pedra e/ou no roçado.

O transporte era uma carroça. Não havia telefone celular e se precisasse estudar, teria que ir para a cidade Mossoró, assim como nas ocasiões que precisasse de serviços de saúde. “Como a casa era pequena, a gente apreendeu a dormir tudo mundo junto”, conta Gercina.

“O mais difícil, o mais pesado, o mais desgastante de tudo que trabalhei até agora foi quebrar pedra usando marreta e chibanca e, depois, botar no caminhão”, revela Seu Fabiano, lembrando que isto deixava suas mãos em “carne viva”, com muitos calos.

Em casa, Dona Gercina disse que sempre gostou de cozinhar, não só preparar o almoço. Mesmo sem estrutura, sempre quando alguém precisava, estava ela lá pronta para fazer o bolo, a cocada e os doces, se necessário fosse.

E foi com doces e bolos que a família começou a superar as dificuldades. O técnico Ermando Gameleira, da EMATER (já falecido), “foi uma espécie de pai pra gente”, conta dona Gercina. Ele arrumou venda para os bolos e cocadas do casal nas escolas de Mossoró, através do Programa Compra Direta, executado pela EMATER, com recursos do Governo Federal.

“Eu já tinha uma motinha velha. Fui na cidade, vendi e comprei tudo de açúcar”, conta Seu Fabiano com o sorriso aberto. Com o que faturou nas primeiras formadas de bolos e cocadas, foi possível perceber que havia encontrado o caminho para ganhar o sustento, trabalhando em família, sem ter que fazer carvão ou quebrar pedra de sol a sol.

O SEBRAE apareceu logo em seguida, orientando a família a trabalhar em regime de cooperativa, pois, assim, teria a documentação para fornecer as escolas também através do Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), do Governo Federal.

“A venda ao Compra Direta era uma vez por ano, mas a venda pelo PNAE era praticamente todos os meses, o que permitiu a gente se organizar financeiramente”. A esta altura, já havia produção de frutas, principalmente de caju, numa área de 30 hectares do casal. Outra propriedade foi comprada na mesma comunidade, para ampliar a produção.

O processamento das frutas (fazendo polpa) ocorria na Cooperativa de Agricultores e Agricultoras Familiares de Mossoró e Região (COOAFAM), localizado na região do loteamento Alto das Brisas. Seu Fabiano produzia também mel de abelha em 89 colmeias em parceria com Ermando Gameleira, ao mesmo tempo que fortalecia a produção de caju e castanha.

Nesta época, as filhas de Dona Gercina e Seu Fabiano já estavam cursando faculdade na UNP e UFERSA. Em casa, trabalham com os pais para atender a demanda de sete escolas de Mossoró, produzindo bolos, cocadas e polpa das frutas. Para atender ao IFRN, era preciso Alvará, algo difícil de conseguir na Prefeitura, pois precisava superar questões burocráticas.

A esta altura, apareceu a Secretaria de Agricultura e Desenvolvimento Rural da Prefeitura de Mossoró em 2021, com o secretário Faviano Moreira. Através do Programa Mossoró Rural, a prefeitura firmou parceria com o SEBRAE em 2022, para orientar o casal a fazer o projeto de uma agroindústria familiar e executar seguindo as normas exigidas pela legislação, e, assim, ter o certificado de produtos vegetais para vender em qualquer instituição no Brasil.

O projeto foi 15% custeado pela Prefeitura de Mossoró, 15% pelo casal Fabiano e Gercina e 70% pelo SEBRAE. Levou dois anos para ser concluído e começar a produzir e dar resultados a família. O casal usou recursos próprios, algo em torno de R$ 10 mil, e completou com empréstimo bancário para fazer a estrutura de agroindústria familiar.

“Eu mesmo fui o pedreiro. Fiz o que deveria fazer para instalar a Câmara Fria e a unidade de processamento de frutas para fazer polpas com capacidade para 81 toneladas”, destaca Seu Fabiano, mostrando que vai ampliar o armazém e também a casa de que mora com os filhos. Também comprou painéis solares para reduzir a conta de energia.

O engenheiro Weedson de Lima Torres foi o consultor credenciado pelo SEBRAE para orientar a família de Fabiano e Gercina na estruturação, seguindo as normas exigidas pelo Ministério da Agricultura. Ao MH, Weedson falou que a família pode produzir polpa de 9 tipos de frutas e está credenciado para fornecer bolos as instituições públicas e privadas, assim como a polpa de fruta em qualquer canto do Brasil. Talvez o primeiro caso no Brasil de uma agroindústria familiar que recebeu certificado da Prefeitura para vender em território nacional.

Seu Fabiano mostrou ao MH com orgulho a produção de caju, cajarana, acerola, goiaba e já prepara outras fruteiras numa propriedade que comprou há pouco tempo por R$ 10 mil e investiu outros 13 mil para desmatar e já deixar no ponto para o cultivo de frutas. Com a nova estrutura certificada, a família de Seu Fabiano entrou com tudo no negócio.

Atualmente, a família produz média de 450 quilos de bolo e 50 de cocadas, para escolas de Mossoró. Quanto a polpa das frutas já em produção (caju e goiaba), o casal falou que quando chegar o rótulo da gráfica a produção será de acordo com a demanda de mercado. Nos próximos dias, devem começar a safra 2024 de castanha e caju. Este ano também teve uma ótima colheita de cajarana umbu e está acontecendo de goiaba.

E o sonho de ver os filhos chegando a universidade, Seu Fabiano e Dona Gercina já estão vivenciando. Ficou só na lembrança o tempo em que eu passava em frente a UFERSA e ficava imaginando o quanto os pais daqueles meninos eram orgulhosos. “Este sentimento eu e Gercina estamos sentindo agora. É algo maravilhoso, muito bom”, diz Seu Fabiano.

Daí os esforços diários do casal, ao longo de tantos anos, para as cinco filhas e o filho estudarem. E estudam! Gercineide e Eletícia estão cursando Educação no Campo, na UFERSA. Querem ser professoras na comunidade. Gercineide já tem formação em Educação Ambiental pela UNP. Gedna cursa Direito na UNP e sonha em se transferir para a Universidade Católica, que é mais bem estruturada. Gustavo Fernandes, está no 8º ano e disse que vai ser policial.

Quando perguntado sobre o trabalho nos dias atuais em relação ao que faziam no passado para conseguir sustentar a família, Seu Fabiano disse que “o trabalho para mim hoje é um lazer, é apanhando acerola, uma goiaba, um caju. Naquela época, era no machado, na chibanca, arrancando tocos. Mas o pior num era isso. O pior era o comer que a gente comia era insuficiente. Era muito limitado. Naquela época, eu tive uma “trevaria” (passou mal devido a fome)”, lembra Seu Fabiano, acrescentando que isto tudo é passado.

“Vou aumentar a casa, fazer um quarto para cada um dos meus filhos. Também vou fazer um bom alpendre e ampliar o armazém. Quero meus filhos sempre perto”, diz Seu Fabiano, mostrando os locais da casa que pretende ampliar para dá mais conforto a família. Dona Gercina mostra com o orgulho a cozinha que tem hoje, toda equipada e certificada, para produzir bolos e cocadas para abastecer a entidade que desejar.


Prefeito e secretário falam em “fruto” do Programa Mossoró Rural


O prefeito Allyson Bezerra e o Secretário Faviano Moreira falam com emoção da transformação da vida do casal Fabiano/Gercina, através da assistência técnica, do compartilhamento do conhecimento, tecnológica, inovação, concluindo com a entrega da certificação da agroindústria familiar do casal, que lhes permite abrir novos mercados.

A certificação da agroindústria familiar de Seu Fabiano e Dona Gercina é um fruto extraordinário do Programa Mossoró Rural. O prefeito Allyson bezerra disse que “Mossoró é o primeiro município no País a reunir as condições técnicas para emitir o certificado de produtos de origem vegetal. “Nós conseguimos esta condição ano passado, na Festa do Bode, junto ao Ministério da Agricultura. E o caso de Seu Fabiano e Dona Gercina é um “caso de sucesso”, que inclusive, vai trabalhar para replicar em outras comunidades”, disse.

Allyson Bezerra ressaltou que a assistência técnica ao homem do campo, ao produtor rural, é a oportunidade para aquilo que ele está produzindo, conseguir industriar e vender para qualquer canto do Brasil. “A família vai está construindo seu próprio negócio, sua independência, com trabalho digno em família”, diz o prefeito Allyson Bezerra.

Seu Fabiano e Dona Gercina trabalhavam fazendo carvão, extraindo pedras por mais de 10 anos e conseguiram superar este tempo de lida pesada, em que passavam muitas dificuldades e graças ao apoio que recebeu da Prefeitura Municipal, através do Programa Mossoró Rural/SEBRAE, hoje tem sua própria linha de produção. Dos seis filhos do casal, quatro matriculados na faculdade e o quinto cursando o oitavo ano.

“É um sonho, pra gente que veio da zona rural. E eu sei o quanto é importante está dentro da universidade, dentro da UFERSA, e ver o sonho aqui deste casal, de ver os filhos dele estudando. É um momento de concretização, de realização. Para isso, o nosso trabalho, para dá a zona rural toda a possibilidade de realizar sonhos que estamos vendo aqui, colhendo frutos, do que nós começando a plantar em 2021, com o Programa Mossoró Rural”, diz Allyson Bezerra.


Prefeitura e SEBRAE atendem cerca de mil famílias em Mossoró


O analista técnico do Serviço de Apoio às Micros e Pequenas Empresas (SEBRAE), Franco Marinho Ramos, revelou que o trabalho para estruturar e melhorar a qualidade de vida da família de Fabiano e Gerciana começou há vários anos e que, ao todo, a instituição atende mais de mil famílias na zona rural de Mossoró-RN.

Sobre o trabalho de apoio a família de Fabiano e Gerciana, Franco disse que se concretizou agora, através de uma parceria muito importante com a Prefeitura Municipal de Mossoró, que desenvolve o Programa Mossoró Rural. Ele disse que através deste programa, o SEBRAE está levando conhecimento, inovação e sustentabilidade para cerca de mil famílias.

Na prática, o SEBRAE, através de seus consultores, ensina o cidadão a produzir, processar e a colocar no mercado. “É uma consultoria muito legal, pois possibilita uma mudança na qualidade de vida das famílias que moram e trabalham no campo”, diz Franco Marinho.

Sobre o casal Fabiano e Gercina, ele disse que se trata de um projeto de agroindústria família, que gera trabalho para todos os membros da família, na produção de um produto de qualidade, com certificação e quem agora pode ser vendido em qualquer canto do Brasil.

Franco acrescentou que o trabalho que o SEBRAE faz, em Mossoró, também faz em outras 12 cidades próximas. Lembra do Apodi/Agro, em Apodi, a revitalização da Cajucultura, na Serra do Mel-RN, e o apoio a caprinocultura e a piscicultura, em Upanema-RN.


Se referindo diretamente a família de Fabiano e Gerciana, ele disse que o sentimento é de missão cumprida. “A proposta é esta, apoiar as pequenas empresas do Estado e do todo o Brasil. Aqui em Mossoró, ficamos com muito orgulho de fazer parte deste processo, levando conhecimento, tecnologia, inovação e sustentabilidade para todos os pequenos produtores, que possa gerar renda, riqueza para o Estado do Rio Grande do Norte”, conclui Franco Marinho.

Para o gerente do SEBRAE/Mossoró, Paulo Miranda, o sentimento é de alegria e entusiasmo. “Isto é o verdadeiro combustível para nós do SEBRAE, poder ajudar transformar a vida destas pessoas através do empreendedorismo, que pode dá oportunidade de renda, de dignidade e inspirar outras pessoas a fazer o mesmo, buscando soluções de outras pessoas, e isto virar negócio, desenvolvimento”, conclui Paulo Miranda.

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