
Uma inspeção realizada pela Vigilância em Saúde de Mossoró detectou que a água fornecida aos estudantes de duas escolas estaduais na zona rural do município não atinge os padrões de potabilidade exigidos pelo Ministério da Saúde. A fiscalização, realizada em julho após uma solicitação do Ministério Público, constatou alterações na qualidade da água que podem colocar em risco a saúde de alunos e funcionários.
As instituições afetadas são a Escola Estadual Gilberto Rola, localizada na vila Maísa, e a Escola Estadual Professora Iracema Fernandes, na localidade de Pau Branco. Ambas integram a rede estadual de ensino, mas são monitoradas pelo município devido à descentralização do Sistema Único de Saúde (SUS).
De acordo com Keila Brandão, diretora da Vigilância em Saúde de Mossoró, os laudos emitidos pelo Laboratório Público de Referência (Larem) apontaram interferências no padrão de qualidade do recurso hídrico. "A saúde pública é muito vasta, ela [a água] pode prejudicar no sentido do consumo a nível, às vezes da concentração de sais altos, podem dar problemas relacionados à concentração favorecendo pedras, cálculos nos rins", explicou a diretora em entrevista.
A dinâmica de captação de água difere entre as duas unidades de ensino, o que levanta múltiplas hipóteses sobre a origem da contaminação:
• Escola Iracema Fernandes: A água é coletada manualmente em baldes diretamente de um poço, transferida para um reservatório e, depois, distribuída para o consumo.
• Escola Gilberto Rola: O abastecimento provém de um poço gerido pela Associação de Moradores da Maísa (ACEM), passando por uma cisterna interna e uma caixa d'água antes de chegar às torneiras. Este mesmo poço abastece residências, postos de saúde e comércios da região.
Como a coleta inicial concentrou-se apenas nos bebedouros e nas torneiras após os reservatórios das escolas, a Vigilância agora planeja mapear todo o percurso da água para identificar o ponto exato da falha. "Pode ser um problema no reservatório da própria instituição, pode ser um problema no reservatório grande, de outro local que ele passe, então existem várias hipóteses que a gente vai ter que coletar todas para a gente ver onde está e reverter", afirmou Keila Brandão.
Os responsáveis pelas escolas e pelo abastecimento serão notificados formalmente por meio de termos de inspeção emitidos pela Vigilância Sanitária, que possui poder de polícia administrativa. O órgão municipal informou que iniciou articulações com a Secretaria de Agricultura e com a Associação de Moradores da Maísa para alinhar as responsabilidades e aplicar as medidas corretivas necessárias, como a adequação da concentração de cloro residual.
Após a adequação das estruturas e dos processos de higienização, a Vigilância Ambiental realizará uma nova coleta de amostras para verificar se a água se tornou potável e segura para o consumo humano.