Em meio à crise econômica que assola o país, o que fazer quando se precisa de uma grana a mais no orçamento? Para muitos, a única saída é o agiota, que empresta dinheiro a quem não tem crédito no mercado comum ou quem está fortemente endividado.
Entretanto, estar nas mãos do agiota é cair em uma armadilha, alertam os economistas. Os juros altos podem quintuplicar sua dívida e torná-la impagável.
“É preciso um milagre”, enfatiza o doutor em Economia e professor da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Leovigildo Cavalcanti.
Segundo ele, os juros cobrados pelo agiota podem chegar a 15% ao mês, o que equivale a 435% ao ano. Para se ter uma ideia, alguém que pediu emprestado a quantia de R$ 3 mil para pagar em 12 meses, terá desembolsado ao final do ano mais de R$ 16 mil.
Apesar de ser crime, este tipo de comércio é bastante comum. Em Mossoró, por exemplo, muitos são os casos de pessoas que procuram a Delegacia de Falsificações e Defraudações para denunciar abusos e tentar reverter seu quadro. Contudo este número não ultrapassa 10% do total de vítimas.
O delegado José Vieira detalhou que, somente no ano passado, três grandes operações foram deflagradas contra agiotas. “Uma das principais resultou na prisão de três colombianos que estavam praticando este crime aqui em Mossoró”, frisa.
Os criminosos costumam, como garantia de pagamento, penhorar bens das vítimas, como carros, motos e até cartões de programas sociais. O agiota comete crime contra a economia popular, previsto na lei 1.521/1951 do Código Penal, apropriação indébita e retenção de documentos.
Vieira ressalta que muitas vítimas deixam de prestar denúncia com medo de serem indiciadas no processo, o que acaba dificultando o trabalho da polícia. “A população não coopera. Muita gente encobre achando que vai ser indiciado. É um crime que é aceito”, destaca.
Embora os riscos de recorrer ao agiota sejam evidentes, só cai nesta armadilha quem já não consegue mais crédito pelas vias tradicionais, como bancos e financeiras, e precisa desesperadamente de dinheiro.
De acordo com Leovigildo Cavalcanti, a melhor maneira de evitar o descontrole financeiro é elencando os custos e tentar, ao máximo, reduzi-los.
“São três pontos importantes: reduzir os custos e as despesas, renegociar as dívidas e refazer o planejamento familiar. No caso de desemprego, não se pode esperar que seja vencido o seguro desemprego. Deve-se procurar se reinserir no mercado de trabalho”, conclui o economista.