21 JUN 2026 | ATUALIZADO 22:57
POLÍCIA
Da redação
14/08/2016 04:59
Atualizado
13/12/2018 17:19

“Série de julgamentos deixa efeito pedagógico à sociedade”, diz juiz

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Para Vagnos Kelly, juiz criminal de Mossoró, existe um esforço da sociedade e do Ministério Público Estadual para julgar todos que cometem crimes contra a vida.
Imagem 1 -  “Série de julgamentos deixa efeito pedagógico à sociedade”, diz juiz
Cezar Alves

Nos primeiros seis meses deste ano ocorreram mais de 30 julgamentos em Mossoró, quando sentaram no banco dos réus mais ou menos 35 acusados de crimes de homicídio e de tentativa de homicídio. Em mais de 90% dos casos houve condenação do réu.

Entre os casos mais conhecidos que foram julgados pela sociedade está o de Alexandre Alves, de 22 anos, conhecido por Alexandre Porco. Ele sentou no banco dos réus duas vezes para responder por três crimes praticados em 2014 e foi condenado a 52 anos de reclusão.

A primeira vítima de Alexandre Porco foi Francisco de Assis da Conceição, o “Bubu”, que foi assassinado quando jogava bola em frente à casa da mãe. Ele havia sido proibido de andar no conjunto Promorar, voltou para visitar a mãe e terminou sendo assassinado.

Por este crime, a sociedade mossoroense condenou Alexandre Porco a 12 anos de prisão.

As outras duas vítimas foram: Francisco Targino de Oliveira, o “Toinho da Bolsa”, de 20 anos, e Samara Vicente Portes, de 8 anos de idade. No caso, “Porco” confessou que foi matar “Toinho da Bolsa” e não viu que a menina estava perto e terminou a matando-a também.

Por este duplo homicídio, Alexandre Porco pegou 40 anos de reclusão.

Para o juiz criminal Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros, o Poder Judiciário está fazendo um esforço para levar ao banco dos réus os acusados de homicídios que são identificados e indiciados pela polícia, assim como denunciados pelo Ministério Público Estadual.

Em se referindo à primeira pauta do Tribunal do Júri Popular, o juiz Vagnos Kelly disse que o principal efeito pedagógico à sociedade de Mossoró e região deixado pelas decisões do TJP é: “que as pessoas ficam sabendo que se cometerem crimes, elas serão julgadas pela sociedade”.

O outro efeito destacado pelo juiz criminal Vagnos Kelly, que já prepara uma nova pauta para a sociedade julgar em setembro de 2016, é que no julgamento, quando fica confirmada que a pessoa praticou outros crimes e está condenada e presa, tem efeito maior.

É o caso de Alexandre Porco, que está com 52 anos de prisão para cumprir e aguarda julgamento de outros crimes, referentes a assalto e homicídio.

“As pessoas já estão sabendo que se fizer crime nestas condições vão ficar muito tempo na cadeia”, afirma Vagnos. Além disto, existem outras condições que, segundo o juiz, mesmo o cidadão condenado por um determinado crime, em liberdade, fica com uma série de restrições.

O juiz explica que a Legislação Penal prevê uma série de limitações a quem cumpre pena em regime aberto. O cidadão fica com a ficha suja, sem poder tirar uma certidão negativa para arranjar um emprego, não pode votar, e, existem outros casos que a consequência é mais pesada, nos casos de condenação criminal.

O promotor criminal

O promotor Armando Lúcio Ribeiro disse que é importante que a sociedade organizada saiba que o Judiciário faz a sua parte, juntamente com o Ministério Público Estadual, para que haja um combate à violência, especialmente contra quem pratica crimes contra a vida, determinando o tipo do crime, promovendo o julgamento justo e aplicando a pena prevista em lei.

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