
O delegado Antônio Acácio do Nascimento Neto, de Baraúna (RN), recebeu a informação de que José Adriano da Silva, de 34 anos, havia agredido a esposa com uma barra de ferro na cabeça, quase a matando, e feito ameaças contra a vítima.
Com base nas apurações, ele apresentou os fatos à Justiça e, com o aval do Ministério Público Estadual, obteve a decretação da prisão preventiva de José Adriano. Ao checar os dados sobre o investigado, o delegado descobriu que ele já possuía uma ordem de prisão em aberto.
Constava no mandado que José Adriano havia matado uma pessoa em João Pessoa em 2017 e que, em 2019, teve outra prisão preventiva decretada pela juíza Francilucy Rejane de Souza Mota, da 2ª Vara Criminal de João Pessoa (PB).
O MOSSORÓ HOJE apurou os fatos. José Adriano foi denunciado pelo promotor de Justiça Alexandre Varandas Paiva por matar com várias facadas a jovem Simone da Silva Vasconcelos, de 28 anos, no cruzamento da Avenida Comerciante João Rodrigues Alves com a Rua Cesário da Nóbrega, em frente à Casa Show, no bairro dos Bancários, na capital paraibana.
O crime aconteceu no dia 25 de junho de 2017, por volta das 5h20, segundo relatou o delegado Reinaldo Nóbrega de Almeida Junior. Com base no relatório policial, o promotor denunciou que o suspeito matou Simone por motivo torpe e por meio cruel (faca).
Conforme a investigação, a vítima estava com uma amiga, chamada Ivana, em uma loja de conveniência quando foi abordada por José Adriano. Houve uma discussão que evoluiu para vias de fato, mas a briga foi apartada por pessoas presentes. Em seguida, o suspeito subiu na moto de um amigo e deixou o local, lançando ameaças contra Simone.
Pouco tempo depois, José Adriano retornou e passou a encarar a vítima, que aparentava sinais de embriaguez, segundo testemunhas. Os dois voltaram a discutir e foram separados novamente, momento em que Simone passou a conversar com um homem identificado como Irailson.
Minutos mais tarde, José Adriano retornou sozinho de moto, demonstrando estar muito revoltado por ter sido ofendido por uma mulher — algo que, para ele, era imperdoável. Ele simulou estar armado ("fez caqueado"), fazendo com que Irailson se afastasse, e avançou contra Simone, desferindo-lhe várias facadas antes de fugir de moto.
O promotor Alexandre Varandas destacou que o crime foi motivado pelo fato de o agressor não aceitar ter sido ofendido por uma mulher. Ao concluir a denúncia com provas robustas, em 19 de julho de 2017, ele representou pela prisão preventiva do acusado, que teve o decreto expedido e o processo suspenso pela juíza Francilucy Rejane de Sousa Mota.
No dia 5 de agosto de 2025, a ordem de prisão preventiva expedida em 2019 foi finalmente cumprida em Baraúna (RN), terra natal do suspeito. Na mesma ocasião, o delegado Antônio Acácio do Nascimento Neto também cumpriu o mandado de prisão preventiva decretado pela Justiça potiguar devido à agressão cometida contra a companheira no município.
Pelo ataque contra a esposa em Baraúna, José Adriano responderá por lesão corporal grave ou tentativa de homicídio. Já perante a 2ª Vara Criminal de João Pessoa, ele responderá por homicídio duplamente qualificado (incluindo o feminicídio), podendo pegar de 12 a 30 anos de reclusão. A pena difere da legislação atual da Lei do Feminicídio (que prevê de 20 a 40 anos), pois o crime ocorreu em 2017, antes da atualização da norma.