21 JUL 2024 | ATUALIZADO 16:16
VARIEDADES
POR CLAUDIA SANTA ROSA, professora
18/03/2019 07:06
Atualizado
22/04/2019 15:31

[OPINIÃO] A “escola” Brasil que mata, por Claudia Santa Rosa

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As nossas juventudes precisam de colo e atenção. As escolas que educam mais de 85% dos brasileiros, são frágeis, sofríveis. O país ainda não as priorizou, efetivamente. Sobra discurso e falta determinação para torná-las dignas
Imagem 1 -  A “escola” Brasil, anualmente, desiste dos seus, do mesmo modo que não consegue prevenir essas juventudes dos efeitos perversos do abandono. É a “escola” Brasil que mata.
A “escola” Brasil, anualmente, desiste dos seus, do mesmo modo que não consegue prevenir essas juventudes dos efeitos perversos do abandono. É a “escola” Brasil que mata.

Por esses dias escrevi no Twitter que as escolas não são ilhas. Elas influenciam e são influenciadas pelas mazelas da sociedade. Nenhuma novidade para quem me acompanha, porque a mesma coisa venho dizendo há muitos anos. 

Se as escolas sozinhas não são salvadoras da Pátria, sem elas teremos sempre uma Pátria cambaleante, injusta, segregadora, subdesenvolvida, distante de ser educadora.

A tragédia ocorrida no último dia 13, na Escola Estadual Professor Raul Brasil, no município de Suzano/SP, chocou o país, de norte a sul, e repercutiu pelo mundo. Quando vidas são ceifadas do modo como vimos, ainda mais tendo por cenário um templo da educação, não tem como não causar comoção mundial, é verdade.

As nossas juventudes precisam de colo e atenção. As escolas que educam mais de 85% dos brasileiros, são frágeis, sofríveis. O país ainda não as priorizou, efetivamente. Sobra discurso e falta determinação para torná-las dignas.

É fato que o Brasil é uma enorme “escola”, há muito tempo “reprovada”, porque acumula dívidas sociais gigantes junto à sua população. Disperso e sem foco, age, amadoristicamente, deixando um rastro de incompetência nos cuidados com as juventudes.

O espelho da grande “escola” que é o Brasil, às vistas de crianças e jovens, reflete imagens contrárias à decência, ética, moral, civilidade, conteúdos severos que minam até mesmo as chances de massificação do êxito, nas aprendizagens do currículo formal. São desvios que, anualmente, condenam milhares de jovens ao fracasso.

A “escola” Brasil, anualmente, desiste dos seus, do mesmo modo que não consegue prevenir essas juventudes dos efeitos perversos do abandono. É a “escola” Brasil que mata.

Educação não deve servir a interesses pessoais, tampouco como moeda de troca de nenhuma espécie.

A classe política, o setor produtivo, as famílias, as igrejas, os sindicatos, os poderes constituídos, a sociedade precisam proteger a escola para que ela sirva às juventudes. Enquanto isso não ocorrer, a tragédia silenciosa segue em escala, as mortes seguem diárias, multiplicadas muitas vezes em relação à ocorrida em Suzano e que entristeceu a todos nós. Não falo no vazio, as estatísticas da violência estão aí para contar o destino que tem sido reservado a expressivo contigente de jovens do Brasil.

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