18 JUN 2019 | ATUALIZADO 16:02
MOSSORÓ

Aluno com deficiência físico-intelectual é aprovado em Universidade Federal

“Eu me esforço e me dedico. Procurei o CRAS para me ajudar nessa minha caminhada, para que eu tivesse um rumo melhor na minha vida. O trabalho tem sido maravilhoso. Toda equipe me ajudou, principalmente a Psicóloga. Só tenho a agradecer a Deus por essa oportunidade. Não é qualquer um que entra em uma universidade. Tem que ter empenho e força”, comemora.
DA REDAÇÃO E PMM
17/05/2019 18:54
Atualizado
20/05/2019 15:11
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Aluno com deficiência físico-intelectual é aprovado em Universidade Federal
O sonho para muitos parecia distante. Agora é real. É real para José Ilano, de 26 anos, aluno do curso de Ecologia da Universidade Federal Rural do Semiárido. José possui uma deficiência físico-intelectual
Divulgação/PMM

O sonho para muitos parecia distante. Agora é real. É real para José Ilano, de 26 anos, aluno do curso de Ecologia da Universidade Federal Rural do Semiárido. José possui uma deficiência físico-intelectual. Ele chegou ao Centro de Referência de Assistência Social Costa e Silva sem nenhuma documentação e, como descreve a equipe técnica do CRAS, desmotivado com a vida. Ele recebeu a ajuda e a motivação necessária para dar a volta por cima. De família humilde, conseguiu livros emprestados com a própria equipe do CRAS para estudar. Fez a prova do ENEM e ficou na lista de espera para o curso de Ecologia. A espera acabou no dia 22 de abril.

“Eu me esforço e me dedico. Procurei o CRAS para me ajudar nessa minha caminhada, para que eu tivesse um rumo melhor na minha vida. O trabalho tem sido maravilhoso. Toda equipe me ajudou, principalmente a Psicóloga. Só tenho a agradecer a Deus por essa oportunidade. Não é qualquer um que entra em uma universidade. Tem que ter empenho e força”, comemora.

José frequentava o CRAS duas vezes por semana. Agora, apenas nas sextas à tarde, já que as aulas na Universidade consomem todo o resto do seu tempo na semana, tanto pela manhã, quanto pela tarde. José nunca desacreditou da sua própria capacidade. Para ele, tudo é resultado da sua dedicação e do acompanhamento do CRAS. “Quando fiz minha inscrição para o ENEM muitos me diziam que eu fizesse por experiência. Eu quis fazer logo para passar. Eu vinha para o CRAS duas vezes por semana para o acompanhamento e ficava aqui 1h30. Não foi fácil me adaptar. Foram pessoas que me ajudaram e eu não teria conseguido sem eles”, declarou.

A mãe de José, Maria Lúcia, é dona de casa. Ela conta da sua emoção quando tomou conhecimento do sucesso do seu filho no ENEM. “Eu quase não acredito quando ele disse “mãe, eu passei”. Foi uma alegria muito grande. Não fiz uma festa porque não tinha condições financeiras. Passar no ENEM não é fácil. É muito difícil e foi uma benção que Deus concedeu. Ele merece. É muito inteligente. O trabalho com o CRAS foi maravilhoso. Incentivaram ele de todas as maneiras. Deram muita força e acreditaram nele”, disse, emocionada.

A arte-educadora do CRAS Costa e Silva, Elenice Costa, trabalhou de perto com José. “Fomos inserindo ele na convivência social e ficamos muito felizes com a aprovação dele no ENEM. Ele não passou na primeira chamada, mas isso não desmotivava ele. Sempre vinha aqui e pedia para que olhássemos no sistema a nota, já que em casa ele não tem internet. E quando ele foi aprovado, a festa foi grande”, comentou.

A diretora do CRAS Costa e Silva, Naide Bessa, vê no caso de José a oportunidade de mostrar para as outras pessoas, sejam elas portadoras de necessidades especiais ou não, que é possível conquistar o sonho.

“Incentivamos para ele não parar de estudar. Essa é uma das principais missões do CRAS e da Secretaria de Desenvolvimento Social e Juventude, preparar os jovens para o mundo. Esse enfrentamento é muito incentivado pela prefeita Rosalba Ciarlini. Através dessa proteção e assistência permanente as famílias, nós encontramos pessoas como José, que chegam a esse caso de sucesso”, falou.

José está gostando do curso. Descreve as aulas como maravilhosas. Ele deixa um recado para os que se deixam desmotivar pelas dificuldades. “Tente. Não desista. E não caia nas drogas que nem os adolescentes estão fazendo. E acima de tudo, respeite os pais”.

O CRAS do Costa e Silva atende em média de 400 a 600 pessoas por mês, de 11 bairros e 9 comunidades rurais. No segundo semestre de 2018, mais de 2800 pessoas receberam acompanhamento no CRAS.

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