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MOSSORÓ
Leonardo Matoso e Erika Milleny Da Agência HiperLAB/UERN Especial para o Mossoró Hoje
22/06/2019 20:56
Atualizado
22/06/2019 22:02

Mobilidade urbana: apenas 3% dos mossoroenses utilizam transporte público

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A baixa adesão ao transporte público é fruto de uma rede de clandestinidade de táxi e mototaxistas em Mossoró, que passam nas paradas de ônibus levando os passageiros
Imagem 1 -  Poucos mossoroenses utilizam o transporte público; Preferem táxis e mototáxis, muitos destes clandestinos
Poucos mossoroenses utilizam o transporte público; Preferem táxis e mototáxis, muitos destes clandestinos
FOTO LEONARDO MATOSO

O transporte público de Mossoró estrutura-se pela utilização de ônibus que trafega pela cidade com cerca de 294.076 habitantes – segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) de 2018 – destes, em média, 8 mil utilizam transporte público, isto é, apenas 2,7% da população mossoroense faz uso dos 30 ônibus que circulam diariamente nas 17 rotas e 579 paradas comandadas pela empresa Cidade do Sol.

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Os motivos da baixa utilização dos ônibus, segundo usuários, acontecem por diversos aspectos, como à má qualidade dos serviços prestados, as condições precárias dos veículos, a superlotação, a demora em chegar na parada e até o valor das passagens são fatores apontados pelos passageiros para não utilização do transporte público.

Entretanto, Waldemar Araújo, diretor da empresa Cidade do Sol diz que a "clandestinidade" existente na cidade compromete a baixa adesão da população ao transporte público.


"De acordo com informações da Prefeitura de Mossoró, hoje temos cerca de 700 Mototaxistas cadastrados na cidade e 1500 irregulares, atuando de forma clandestina. Nós temos também o Táxi Lotação que desequilibra qualquer linha. Enquanto nossos ônibus dão 80 viagens por dia, eles dão 500, por exemplo. O Táxi precisa fazer a função dele que é pegar individualmente um cliente e levar para o seu destino, ou seja, o Táxi deve ser individual e não coletivo. Sem contar do carro particular que faz serviço de Táxi pelo mesmo valor dos ônibus e os transportes por aplicativos sem fiscalização. Fiscalizar essas atividades é papel da prefeitura, mas cadê?".

Para a Prefeitura os números apresentados pelo diretor da Cidade do Sol se destoam da realidade. Antônio Adalberto de Oliveira Jales, secretário executivo de Mobilidade Urbana e Trânsito de Mossoró afirmou que não é possível mensurar ou descobrir no momento o número de Táxi e Mototaxista clandestino devido a própria condição de clandestinidade. Mas o que se sabe é que "existem 392 Táxis cadastrados junto a prefeitura municipal. Onde 324 estão vistoriados e aptos a trabalharem. 56 foram vistoriados, mas apresentam pendências e 12 não compareceram a vistoria", afirmou.

Waldemar Araújo aponta que a cidade precisa de uma política de valorização do transporte público e uma maior fiscalização para combater o transporte clandestino.

Além disso, é necessário melhorar a estrutura das ruas e incentivar a população mossorense a utilizar mais este serviço. "As atividades clandestinas precisam ser fiscalizadas, isso acaba prejudicando o transporte coletivo regular. Além disso, é fundamental a manutenção das ruas para a passagem dos ônibus com segurança e conforto aos passageiros".

Acerca da clandestinidade apontada por Waldemar Araújo, a reportagem contatou alguns taxistas para verificar este relato.

Quatro motoristas que não quiseram se identificar acerca da "suposta clandestinidade" argumentaram que se a prefeitura permite que eles atuem pegando mais de um passageiro durante o caminho, então não há clandestinidade.

Um outro assunto abordado pelo diretor da Cidade do Sol e questionado aos motoristas de Táxi, foi a igualdade do caminho percorrido dos coletivos e dos taxistas, que por ter uma mesma trajetória, pegam mais facilmente os mesmos passageiros.

"O caminho que a gente faz é escolhido pelos passageiros, eles já ficam nas paradas por ser mais fácil, é o caminho normal. Além disso, o cidadão escolhe com quem anda e se eles preferem os Táxis ao invés dos ônibus, tem um motivo", disse um dos Taxistas.


Para o secretário executivo de Mobilidade Urbana e Trânsito de Mossoró não existe nenhuma Lei que permita o Táxis e Mototaxista realizarem o papel do transporte público/coletivo, estes são proibidos de pegarem passageiros nos pontos de ônibus.

"Existe em nosso município uma a lei nº 715/92 que criou o Taxí Lotação, mas estes têm as suas regras de funcionamento definidas e não podem utilizar das paradas de ônibus para pegarem os passageiros". O secretário reitera ainda que medidas contra a clandestinidade estão sendo tomadas.

"A gerência de fiscalização criou um grupo composto por Agentes de Trânsito, especificamente para fiscalizar o transporte clandestino em nossa cidade, ele atua diariamente em diversos pontos através de blits e abordagens", concluiu.


*A agência HiperLAB Uern é uma ação do Laboratório de Narrativas Hipermídia (HiperLAB), projeto de extensão do curso de Jornalismo da Uern, coordenado pelo professor Ms. Esdras Marchezan

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