10 DEZ 2019 | ATUALIZADO 12:19
NACIONAL

Desmatamento na Amazônia é o maior desde 2008, aponta o Inpe

O Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes) aponta que a taxa de desmatamento é 42,8% maior que o número divulgado pelo Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter).
COM INFORMAÇÕES DO G1
18/11/2019 18:00
Atualizado
18/11/2019 18:41
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FOTO: BRUNO KELLY

A taxa oficial de desmatamento na Amazônia Legal divulgada nesta segunda-feira (18) é 42,8% maior do que já apontava o sistema de alertas de desmate.

Foram 9.762 km² entre agosto de 2018 e julho de 2019, segundo o Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes). Já o Sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter) emitiu alertas para 6.833,9 km².

A diferença entre Prodes e Deter já era esperada por pesquisadores e até mesmo pelo governo. Historicamente, por causa da diferença de propósito e características, o Prodes traz números maiores.

Entretanto, neste ano a credibilidade do Deter chegou a ser questionada após o sistema apontar alta expressiva nos alertas, sobretudo em julho e agosto.

Os dois sistemas são mantidos pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), que é um órgão do governo federal. O primeiro sistema, o Deter, emite alertas de desmatamento para orientar a ação de fiscais do Ibama em áreas atingidas.

O próprio Deter faz balanços mensais e trimestrais que servem para mostrar a tendência. Já o segundo sistema, o Prodes, consolida as taxas anuais e tem os números divulgados uma vez no ano.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, já afirmou que pretende contratar um novo sistema para substituir o Deter.

Em julho, Salles disse que o país "precisa ter um sistema melhor de fiscalização". No entanto, nesta segunda-feira, o ministro esteve presente na apresentação dos dados do Prodes.

ALVO DE CRÍTICAS DO GOVERNO

Em julho deste ano, após a divulgação dos dados sobre alertas de desmatamento do Deter, o presidente Bolsonaro criticou a informação do Inpe e disse que os números sobre o desmatamento prejudicavam a imagem do país.

Ele declarou que o diretor Ricardo Galvão parecia estar "a serviço de alguma ONG" e que o "sentimento" do governo era de que os dados do Inpe "não coincidem com a verdade". Galvão defendeu a consistência e a metodologia dos dados e, depois, foi exonerado.

Já em agosto, Ricardo Salles afirmou que o governo federal admitia haver desmatamento na Amazônia, mas não do tamanho dos números divulgados pelo Inpe.

O ministro afirmou não ter "o menor interesse em esconder os dados", mas disse que os números "não podem ser manipulados".

O Ministério do Meio Ambiente chegou a abrir um edital de chamamento público para contratar um novo sistema de monitoramento de florestas para o Ibama, em substituição ao Deter – iniciativa que foi questionada por algumas empresas, porque parecia direcionar a escolha para o sistema da empresa Planet.

Também em agosto, Bolsonaro, Salles e os ministros do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, e das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, apresentaram um estudo feito pelo Ministério do Meio Ambiente que apontou problemas nos dados do Deter referentes a junho de 2019.


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