17 JAN 2020 | ATUALIZADO 19:04
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Sintest está de olho em minuta que pode banir consulta para escolha de reitor

Sindicato está observando a discussão de uma minuta a ser apresentada na próxima reunião do Conselho Universitário (CONSUNI) que coloca a consulta pública como uma "possibilidade", desobrigando a sua realização
DA REDAÇÃO
04/12/2019 10:47
Atualizado
04/12/2019 11:13
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Imagem 1 -  "A consulta à comunidade tem um caráter democrático, de respeito a todos. E sabemos que as discussões também sugerem atacar a paridade, uma luta que nós encampamos", explicou Kaliane Morais, do Sintest, sobre minuta que coloca a consulta pública para escolha do novo reitor da UFERSA como uma "possibilidade", desobrigando a sua realização.
"A consulta à comunidade tem um caráter democrático, de respeito a todos. E sabemos que as discussões também sugerem atacar a paridade, uma luta que nós encampamos", explicou Kaliane Morais, do Sintest, sobre minuta que coloca a consulta pública para escolha do novo reitor da UFERSA como uma "possibilidade", desobrigando a sua realização.
Reprodução

"Já imaginou a Ufersa ser gerida por um interventor?", questiona, preocupada, a coordenadora do Sindicato Estadual dos Trabalhadores em Educação de Ensino Superior (SINTEST), Kaliane Morais, diante da possibilidade de a sucessão da reitoria da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (UFERSA) não ocorrer, seguindo os protocolos de uma ampla consulta pública e democrática.

O clima na instituição é de temor quanto a isso. O Sintest está observando a discussão de uma minuta a ser apresentada na próxima reunião do Conselho Universitário (CONSUNI) que coloca a consulta pública como uma "possibilidade", desobrigando a sua realização e atingindo fortemente uma resolução de 2015 que regulamenta a participação da comunidade acadêmica no processo. Caso a consulta passe a ser apenas uma "possibilidade", a decisão ficará restrita à sala do conselho, que por lei, delibera sobre a questão.

"No entanto, a consulta à comunidade tem um caráter democrático, de respeito a todos. E sabemos que as discussões também sugerem atacar a paridade, uma luta que nós encampamos", explicou Kaliane, que nos próximos dias deverá organizar uma reunião com o Diretório Central dos Estudantes Romana Barros (DCE) e com integrantes da Associação dos Docentes da Ufersa (ADUFERSA), para alinhar os posicionamentos diante do que poderá vir do colegiado superior.

O clima antidemocrático do Governo Bolsonaro tem influenciado na escolha do reitores nas universidades pelo país. Levantamento do Intercept aponta que, em metade das instituições, a escolha não respeitou a ordem da lista tríplice ou simplesmente, não foi sequer considerada. Como o processo de sucessão do reitor José de Arimatéia de Matos é pauta em debate, há motivo para se preocupar. "Temos de ter cuidado e muita cautela. Somos atacados o tempo todo", acrescentou a coordenadora do Sintest.

A maior das preocupações levantadas por Kaliane reside na instabilidade política e acadêmica que possa ser gerada se a consulta não for realizada. Ela lembrou o estado de caos tomado na Universidade Federal do Ceará (UFC), onde o novo reitor Cândido Albuquerque, empossado oficialmente pelo Ministério da Educação (MEC) em agosto passado, ainda não conseguiu despachar do prédio da reitoria da UFC, no Bairro Benfica, em Fortaleza. "Não queremos algo parecido aqui", afirmou.


O protesto que mobilizou estudantes da Universidade Federal do Ceará (UFC), em agosto,  por conta da escolha do novo reitor (foto: G1)

No caso da universidade cearense, o mais votado, o então vice-reitor da UFC, Custódio Luís Silva de Almeida recebeu 7.772 votos na consulta enquanto Cândido recebeu 610 votos. O segundo colocado, Antônio Gomes de Souza Filho, chegou a receber 3.499 votos. O terceiro colocado foi indicado, embora, ao contrário do que se discute na Ufersa, a lista tríplice considerou a consulta acadêmica. Em ambos os casos, a falta de legitimidade da escolha traz o componente das tensões e intranquilidade na instituição entre alunos, docentes e técnicos.

A proposição da minuta, que pode afetar a consulta tanto em sua realização, quanto, se ocorrer, na paridade dos votos, é vista como intimidação ante as pressões que possam vir do Ministério da Educação. O Sintest espera que a reunião com a Adufersa e com o DCE também sirva para agendar uma reunião com os pré-candidatos, que aguardam a definição desta controvérsia velada, para que se posicionem pelo trâmite democrático de respeitar a voz de todos os acadêmicos. "A indicação da lista não impede que seja feita uma consulta pública. O Consuni tem a palavra final, mas a comunidade precisa ser ouvida também", diz Kaliane.

O mandato do atual reitor encerra-se no ano que vem e cabe ao Consuni lançar edital para o registro das candidaturas que comporão a lista tríplice a ser encaminhada para o Ministério da Educação, que pode referendar ou não. "A nossa questão é de observância à legitimidade", conclui a coordenadora do Sintest.


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