04 JUN 2020 | ATUALIZADO 19:07
SAÚDE
COM INFORMAÇÕES DA FOLHA DE SÃO PAULO
21/05/2020 10:57
Atualizado
21/05/2020 10:59

Entidades médicas afirmam que vão entrar na justiça contra uso da Cloroquina

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Os médico afirmam que o fato de a orientação existir formalmente dará margem à população para exigir o uso dos medicamentos mesmo quando a avaliação clínica não recomendar a prescrição. O documento que abre possibilidade para o uso precoce do medicamento sequer tem um responsável identificado pelo MS.
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FOTO: REPRODUÇÃO

Entidades médicas preparam medidas judiciais para obrigar o Ministério da Saúde a retirar de seu site as orientações para que profissionais de saúde administram precocemente cloroquina, hidroxicloroquina e azitromicina em paciente com coronavírus.

Os médico afirmam que o fato de a orientação existir formalmente dará margem à população para exigir o uso dos medicamentos mesmo quando a avaliação clínica não recomendar a prescrição.

A maioria das unidades básicas de saúde do país, não tem, por exemplo, eletrocardiógrafos para aferir se os pacientes podem usar a cloroquina, que apresenta a arritmia como um de seus principais efeitos colaterais.

Mais de 90% dessas unidades também não dispõem de profissionais de segurança, e o temor dos médicos é que, com a escalada da epidemia, muitos paciente acabem exigindo de forma mais enfática o uso dessa droga.

Segundo Daniel Knupp, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família e Comunidade (SBMFC), que reúne 47,7 mil equipes de atenção básica no país, o governo federal está colocando os médicos em um “fogo cruzado” com a publicação das orientações pelo Ministério da Saúde.

“Haverá pressão da população para o uso desses medicamentos, sendo que o próprio governo está sendo tecnicamente omisso em sua orientação”, diz Knupp.

O documento que abre possibilidade para o uso precoce da cloroquina não é um protocolo do Ministério da Saúde, o que exigiria a assinatura de algum responsável do corpo médico da pasta. Ao contrário, a orientação sequer tem um responsável identificado.

“Esse foi o subterfúgio usado para que não haja uma disputa técnica sobre o uso da cloroquina”, diz Knupp.

Segundo ele, a cloroquina deve começar a ser largamente distribuída pelo governo nos próximos dias por conta da produção que o exército vem realizando.

Com a orientação para o seu uso publicada no site do Ministério, os médico que não concordarem com ela podem acabar sendo pressionados a fazê-lo.

Na ação contra a manutenção do documentos no site, a SBMFC usará seu próprio texto como argumentos contra o uso dos medicamentos.

Em sua primeira nota técnica, o documento afirma que “ainda não há meta-análises de ensaios clínicos multicêntricos, controlados, cegos e randomizados que comprovem o benefício inequívoco dessas medicações para o tratamento de Covid-19”.

A Associação de Medicina Intensiva Brasileira (Amib) estuda participar da mesma ação ou tomar medidas juridicas individualmente.

“Há evidências suficientes para a não utilização da cloroquina e das demais medidas recomendadas pelo ministério em pacientes infectados pela Covid-19.”, afirma Suzana Margareth Lobo, presidente da Amib.

A Sociedade Brasileira de Infectologia também emitiu nota afirmando que vários estudos mostraram o “potencial maléfico” dessas drogas.

A entidade recomenda que o uso de cloroquina ou hidroxicloroquina no tratamento da Covid-19 seja feito “prioritariamente em pesquisa clínica”.


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