06 DEZ 2021 | ATUALIZADO 17:36
EDUCAÇÃO
17/11/2021 18:29
Atualizado
17/11/2021 18:32

Linguagem neutra na redação deve ser evitada, alerta professora

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Com o objetivo de ser inclusiva, a linguagem neutra - também chamada de neo linguagem e linguagem binária - tem a intenção de acolher as pessoas que não se identificam ou não se sentem confortáveis com os pronomes masculinos e femininos existentes na gramática brasileira. A linguagem, no entanto, ainda é considerada um desvio da norma padrão.
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FOTO: REPRODUÇÃO

A linguagem neutra começou a ficar popular na internet, em meados de 2020, como uma forma de substituir palavras masculinas e femininas por elementos neutros. Mas seu uso ainda é polêmico e alvo de debates em escolas e até no congresso.

Com o objetivo de ser inclusiva, a linguagem neutra - também chamada de neo linguagem e linguagem binária - tem a intenção de acolher as pessoas que não se identificam ou não se sentem confortáveis com os pronomes masculinos e femininos existentes na gramática brasileira.

Pela proposta de uso, a linguagem neutra substitui os artigos “o” e “a” nas palavras por “x”, “@” ou “e”. Assim, por exemplo, “todos” e “todas” ficam “todes”, “aluno” e “aluna” ficam “alunx”.

A professora de redação Letícia Flores explica que a Língua Portuguesa , assim como qualquer outra língua, é um código, e a linguagem neutra é um código que serve aos falantes no processo de comunicação.

“Se a língua serve ao falante, ela vai evoluindo, se transformando de acordo com a necessidade das pessoas. Por isso, é natural que a linguagem neutra ganhe força”, afirma.

No contexto escolar, a professora de redação acredita que é questão de tempo para que professores passem a falar sobre a linguagem neutra nas salas de aula.

“Na minha opinião, o caminho é esse. Os professores vão precisar de um didatismo para ficar claro para esses jovens, e até mesmo para os pais, que é dever do professor, em seu papel social, não só transmitir conteúdo, mas de apresentar e explicar a ocorrência da linguagem neutra na nossa língua. Agora, esse conteúdo não pode chegar na sala de aula de qualquer forma. Isso tem que ser planejado porque essa linguagem ainda é considerada um desvio da norma padrão”, salienta a profissional.


Linguagem neutra no Enem

De acordo com o Portal do Ministério da Educação (MEC), a correção da redação do Exame Nacional do Ensino Médio ( Enem ) é feita com base em cinco competências: dominar a escrita formal da língua portuguesa; compreender o tema e não fugir do que é proposto; selecionar, relacionar, organizar e interpretar informações, fatos, opiniões e argumentos em defesa de um ponto de vista; conhecer os mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação e respeitar os direitos humanos.

A professora Letícia Flores explica que a correção da redação do Enem está submetida à norma padrão da Língua Portuguesa. Nesse caso, a linguagem neutra ainda é vista como desvio de linguagem, um vício da norma padrão, e tratando-se de uma prova o aluno está submetido às normas padrões da língua.

“Pode ser que o aluno perca ponto por usar a linguagem neutra no Enem. A penalização de cada competência acontece de 40 em 40 pontos, então você vai de 0 a 200 para cada competência e vai somando de acordo com a qualidade textual em relação a essas competências. Na dúvida, é melhor não arriscar”, defende a professora.


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