22 MAI 2026 | ATUALIZADO 20:28
VARIEDADES
Ayrton Silva
22/05/2026 21:13
Atualizado
22/05/2026 21:15

Igreja com formato de foguete no RN atrai fiéis e preserva lenda do século 18

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Inspirado pela corrida espacial da década de 1960, santuário na Serra do Lima, em Patu/RN, começou com pequena promessa de um coronel perdido na mata. Tombado como patrimônio estadual, local enfrenta problemas com lixo e caça ilegal. Localizado a quase 700 metros de altitude, complexo religioso recebe cinco grandes romarias anuais e abriga Via Sacra monumental com 33 esculturas. Administração aposta em calendário fixo de missas para atrair visitantes no meio da semana.
Imagem 1 -  Inspirado pela corrida espacial da década de 1960, santuário na Serra do Lima, em Patu/RN, começou com pequena promessa de um coronel perdido na mata. Tombado como patrimônio estadual, local enfrenta problemas com lixo e caça ilegal. Localizado a quase 700 metros de altitude, complexo religioso recebe cinco grandes romarias anuais e abriga Via Sacra monumental com 33 esculturas. Administração aposta em calendário fixo de missas para atrair visitantes no meio da semana.
Inspirado pela corrida espacial da década de 1960, santuário na Serra do Lima, em Patu/RN, começou com pequena promessa de um coronel perdido na mata. Tombado como patrimônio estadual, local enfrenta problemas com lixo e caça ilegal. Localizado a quase 700 metros de altitude, complexo religioso recebe cinco grandes romarias anuais e abriga Via Sacra monumental com 33 esculturas. Administração aposta em calendário fixo de missas para atrair visitantes no meio da semana.
Foto: Pedro Cézar

Fé, devoção e busca por milagres. Esses são alguns dos motivos que inspiram turistas a visitar o Santuário de Nossa Senhora dos Impossíveis, na Serra do Lima, no município de Patu (RN), na região do alto oeste do Estado, que possuí cerca de 11 mil habitantes. O lugar, cercado pelo verde proporcionado pelo rigoroso período chuvoso, é um espaço de paz e de prática de esportes como trilha, rapel, salto de paraquedas e asa-delta.

Construída em 1758 pelo coronel Antônio Moreira Lima e por sua esposa, Paula Moreira, a estrutura fica a 699 metros de altitude, em uma área de 8 km². “O casal construiu uma capela no alto da serra e, depois de 30 anos, a doou à Igreja Católica. A partir daí começaram as peregrinações e as romarias, onde as pessoas fazem promessas”, relata o padre Telmo, responsável pelo local.

Os arquivos históricos dão conta de que o coronel, proprietário das terras, havia saído para caçar e se perdido. Conforme o tempo passava e ele não conseguia encontrar o caminho de volta, teria feito uma promessa a Nossa Senhora dos Impossíveis: caso conseguisse sair vivo da floresta, ergueria uma capela em sua homenagem.

Da capela original, o espaço se transformou em um amplo santuário após a chegada dos Missionários da Sagrada Família, em 2 de fevereiro de 1921. “Após esse período, as coisas foram ganhando forma. Essa estrutura atual foi erguida por volta da década de 1960”, conta o padre Telmo.

O formato arquitetônico foi inspirado na corrida espacial da época, que projetou a estrutura principal do santuário com a forma sutil de um foguete. O cone e as linhas verticais da igreja representam a ascensão dos homens ao céu através da fé. A obra foi oficialmente concluída em 1969, e o túmulo do padre Henrique, que idealizou o projeto, fica localizado dentro do complexo.

Atualmente, o local recebe cerca de 100 mil pessoas por ano por meio das cinco romarias realizadas: a dos Vaqueiros, no mês de março; a dos Coroinhas, em 1º de abril; a da Família, em 15 de agosto; a da Legião de Maria, em 7 de setembro; e, por fim, a da Juventude, realizada em outubro.


Em julho de 2025, o complexo do Lima foi oficialmente declarado por lei como Patrimônio Imaterial, Histórico, Cultural, Paisagístico, Turístico e Religioso do Rio Grande do Norte.

O santuário conta com uma Sala dos Milagres, onde fiéis deixam ex-votos. “É uma sala especial. As pessoas, ao alcançarem uma graça, trazem objetos semelhantes para deixar aqui como uma forma de gratidão”, diz o religioso. O local também dispõe do monumento da Via Sacra no percurso da ladeira. A obra possui 14 estações com 33 esculturas que retratam a Paixão de Cristo ao longo da subida da serra.

Um dos grandes desafios para manter o local esbarra na preservação da natureza. “É um local muito bonito, mas a preservação deixa muito a desejar. Temos problemas com lixo, queimadas e caça ilegal. A gente corre para lá e para cá, mas ainda há muito a se fazer”, desabafa o reitor.

Além dos atrativos turísticos, a Serra do Lima é considerada o terceiro melhor lugar do Brasil para saltos de voo livre, atraindo milhares de pessoas para se aventurar na região, que também conta com bicas, poços e uma barragem.

“Moro aqui há sete anos, mas a cada dia descubro coisas novas: uma bica, uma gruta diferente, uma trilha. É um lugar muito grande, que ainda precisa ser muito preservado e explorado com todo o cuidado necessário”, finaliza.

O local é aberto todos os dias para visitação. Ao longo da semana são realizadas sete missas, sendo quatro delas no domingo: às 7h, às 9h, às 11h e às 17h. Durante os dias úteis, há celebração na quarta-feira, às 19h, e no sábado, às 9h.


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