Nesta quinta-feira (21), senta no banco dos réus Luiz Gonçalves da Silva. O marchante, natural de Assu, é acusado de tentar matar o carroceiro Francisco Antônio Pereira, então com 41 anos, e o filho dele, Josué Leal de Melo, que tinha 9 anos na ocasião. O crime aconteceu no dia 12 de julho de 1997, no Bar do Ocivaldo, região onde hoje está localizado o Bairro Bom Jesus, em Mossoró-RN.
Na época, o Bom Jesus ainda era um sítio. Acusado e vítimas bebiam e conversavam na mesma mesa. Francisco Antônio relatou que estava acompanhado dos amigos Francisco Batista, Cosme Damião, Francisco Marinho e do próprio Luiz Gonçalves.
Por volta das 14h30, Luiz se ausentou e retornou pouco tempo depois, armado. Ele chegou atirando. O primeiro disparo atingiu o peito de Francisco Antônio, que caiu. Ao ver a cena, o filho de 9 anos abraçou o pai e acabou baleado no braço.
Francisco Batista, que testemunhou o atentado, agiu rápido. Em depoimento à polícia, ele contou que jogava sinuca no bar quando ouviu os tiros. Ele avançou contra Luiz Gonçalves, conseguiu desarmá-lo e o retirou do estabelecimento, contando com a ajuda de Cosme Damião. No entanto, Luiz aproveitou a confusão e fugiu de Mossoró.
Pai e filho foram socorridos e levados ao Hospital Regional Tancredo Neves — antigo nome do atual Hospital Regional Tarcísio Maia. Francisco Antônio foi informado pelos médicos que seu ferimento não era grave, pois a bala não havia atingido órgãos vitais. Já a criança sofreu uma fratura e teve o nervo do braço afetado.
Francisco Antônio explicou ao então delegado Johnson Kriecer do Vale Peixoto que Luiz Gonçalves teria tentado matá-lo por conta de uma brincadeira feita com o irmão do acusado, conhecido como João Maria. A vítima ressaltou que a brincadeira havia sido tão insignificante que ele mal se lembrava do episódio.
Apesar das diligências policiais, Luiz Gonçalves, que tinha 28 anos na época, não foi localizado. O suspeito foi indiciado por dupla tentativa de homicídio e o relatório foi enviado à Primeira Vara Criminal de Mossoró, então comandada pelo juiz Expedito Ferreira de Sousa — que posteriormente tornou-se desembargador e hoje está aposentado pelo Tribunal de Justiça do Estado (TJRN).
A ordem de prisão preventiva contra Luiz foi renovada em 14 de março de 2002. Ao longo dos anos, vários magistrados mantiveram o decreto, inclusive o juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros, a partir de 2011. Após quase 27 anos foragido, Luiz Gonçalves foi finalmente preso no dia 30 de abril de 2024, no município de Arez, obtendo a revogação da prisão logo depois, em 28 de maio do mesmo ano.
Com a comunicação oficial da prisão no processo, o caso foi concluído e enviado para júri popular. O julgamento está agendado para esta quinta-feira, 21 de maio de 2026, quase três décadas após o crime. A sessão começará às 9 horas no Fórum Municipal de Mossoró, sob a presidência do juiz Vagnos Kelly.
Na acusação, o Ministério Público Estadual escalou o promotor de Justiça Ítalo Moreira Martins. Já a defesa do réu será conduzida pelos advogados João Alberto de Vasconcelos Campos, Allan Clayton Pereira de Almeida e Artur de Pontes Lima.
Três testemunhas foram intimadas para depor no plenário. O réu também será interrogado pelo juiz, pelo promotor, pela defesa e, caso queiram, pelos jurados. Após as oitivas, iniciam-se os debates entre acusação e defesa. Ao final, o Conselho de Sentença decidirá pela condenação ou absolvição do réu. Com base no voto dos jurados, o presidente dos trabalhos calculará a pena, lerá a sentença em plenário e encerrará o julgamento.