A Secretaria Municipal de Saúde conseguiu controlar o surto de diarreia, vômito e febre que atingiu cerca de 500 presos na Cadeia Pública Doutor Manoel Onofre e no Complexo Penal Estadual Agrícola Doutor Mário Negócio, em Mossoró (RN).
Segundo a Secretaria Estadual de Administração Penitenciária (Seap), as duas unidades prisionais abrigam, juntas, cerca de 1.500 detentos em regime fechado — entre presos provisórios que aguardam julgamento e condenados que já cumprem pena.
Na semana passada, presos e policiais penais denunciaram o recebimento de comida estragada. Eles relataram que, em alguns dias, as marmitas chegavam com muito atraso; em outros, apresentavam forte odor de podridão e até larvas. Diariamente, a empresa Líder Refeições, sediada em Natal, fornece ao menos 4.500 refeições para essas duas unidades de Mossoró. A mesma empresa também atende aos presídios da Grande Natal, Apodi e Caraúbas, onde não há registros de reclamações.
De acordo com familiares, os relatos de que os detentos apresentavam febre, vômito e diarreia começaram na última quinta-feira. Na sexta-feira (19), a situação se agravou. Diante do cenário, as direções da Cadeia Pública e do Complexo Mário Negócio solicitaram apoio oficial à Secretaria Municipal de Saúde.
No sábado, a pasta enviou quatro médicos, além de oito enfermeiros e técnicos de enfermagem, para a Cadeia Pública. No domingo (21), os atendimentos foram concentrados no Complexo Mário Negócio. No total, cerca de 600 presos foram consultados com os mesmos sintomas. Nesta segunda-feira, as detentas da Ala Feminina também precisaram de socorro médico.
A secretária municipal de Saúde, Morgana Dantas, informou que os presos medicados com antibióticos e hidratação no sábado já apresentam melhora, e a expectativa é que o mesmo ocorra com os assistidos no domingo. Para a Secretaria de Saúde, a força-tarefa foi fundamental para evitar internações em massa, o que colapsaria a rede hospitalar de Mossoró e geraria um grave problema de escolta e segurança para a polícia.
A Seap informou que enviou a Mossoró equipes da Ouvidoria para ouvir os policiais penais e os detentos, além de técnicos da Vigilância Sanitária e o fiscal do contrato para avaliar a conduta da empresa fornecedora.
Procurada pelo portal Mossoró Hoje, a Líder Refeições enviou uma nota informando que abriu um procedimento interno para apurar o que de fato aconteceu para que os alimentos chegassem estragados e causassem a emergência sanitária.
A juíza da Vara de Execuções Penais, Cinthia Guedes, também esteve na Cadeia Pública e no Complexo Mário Negócio para acompanhar de perto as medidas de contenção do surto.
A Líder Refeições informa que tomou conhecimento das informações divulgadas sobre os casos de indisposição gastrointestinal registrados entre internos do Complexo Penal Agrícola Mário Negócio, em Mossoró.
A empresa esclarece que já instaurou procedimento interno para apuração dos fatos e está colaborando integralmente com os órgãos competentes responsáveis pela investigação, fornecendo todas as informações e suporte necessários para o esclarecimento da ocorrência.
A Líder Refeições reafirma seu compromisso com a qualidade dos serviços prestados, o cumprimento rigoroso das normas sanitárias vigentes e a segurança alimentar de todos os públicos atendidos.
A empresa aguarda a conclusão das análises e das apurações técnicas pelas autoridades competentes e permanece à disposição para contribuir com os esclarecimentos que se fizerem necessários.
Líder Refeições