20 JUN 2026 | ATUALIZADO 15:25
POLÍCIA
20/06/2026 15:22
Atualizado
20/06/2026 15:24

Atentado contra Cabo Deyvinson foi retaliação de facção criminosa, aponta DHPP

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Diretor da Divisão de Homicídios, delegado Márcio Lemos, confirma foco das investigações; relatório detalha perseguição, prisão de suspeitos no Ceará, descoberta de armas na Maísa e embate político nos bastidores. As autoridades da segurança do Rio Grande do Norte informam que as investigações vão continuar para localizar e prender os demais envolvidos no atentado ao vereador, que deixou em óbito o assessor parlamentar Allyson Diego
Imagem 1 -  Diretor da Divisão de Homicídios, delegado Márcio Lemos, confirma foco das investigações; relatório detalha perseguição, prisão de suspeitos no Ceará, descoberta de armas na Maísa e embate político nos bastidores. As autoridades da segurança do Rio Grande do Norte informam que as investigações vão continuar para localizar e prender os demais envolvidos no atentado ao vereador, que deixou em óbito o assessor parlamentar Allyson Diego
Diretor da Divisão de Homicídios, delegado Márcio Lemos, confirma foco das investigações; relatório detalha perseguição, prisão de suspeitos no Ceará, descoberta de armas na Maísa e embate político nos bastidores. As autoridades da segurança do Rio Grande do Norte informam que as investigações vão continuar para localizar e prender os demais envolvidos no atentado ao vereador, que deixou em óbito o assessor parlamentar Allyson Diego
Reprudução e SESED

O atentado a tiros contra o vereador Cabo Deyvinson Thales Martins do Nascimento, que resultou na morte de seu assessor parlamentar, Allyson Dyego de Oliveira Morais, no último dia 15 de junho na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Grande Alto São Manoel, em Mossoró, foi retaliação facção criminosa.

A revelação foi feita pelo delegado Márcio Lemos, diretor da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) do Rio Grande do Norte, com base no conjunto probatório reunido até o momento. Segundo o diretor, embora nenhuma linha seja descartada, o combate do parlamentar contra uma facção criminosa é o foco central do inquérito.

A ação criminosa é classificada pelas autoridades como um atentado terrorista por ter alvejado uma autoridade pública na porta de uma unidade de saúde, em horário de intenso fluxo de pacientes e profissionais. Três ou quatro criminosos armados com pistolas e fuzis, a bordo de um veículo Toyota Corolla blindado de cor preta, abriram fogo contra as vítimas.

A dinâmica do crime aponta que os executores não buscavam apenas ceifar a vida do parlamentar, mas realizar uma demonstração de poder bélico e disseminar o pânico na população mossoroense.

A Rota de fuga e as prisões na CE-040

O plano de fuga dos executores começou a falhar logo após o ataque, quando o grupo escapava em direção ao bairro Bom Jesus. O pneu do veículo blindado estourou antes que eles alcançassem a BR-304, rodovia pela qual pretendiam fugir para Fortaleza (CE) — cidade de onde o carro partiu e onde, possivelmente, a ordem e o suporte financeiro foram arquitetados.

Os suspeitos se esconderam em uma área de mata até o amanhecer do dia 16, momento em que fizeram uma família refém e roubaram um veículo para dar sequência à fuga. Ao chegarem à comunidade da Maísa, na zona rural de Mossoró, dois homens permaneceram escondidos em uma residência, enquanto um terceiro seguiu em direção ao município litorâneo de Icapuí (CE).

A Polícia Civil conseguiu rastrear os passos dos criminosos, interceptando-os na rodovia estadual CE-040, entre as cidades cearenses de Beberibe e Fortim. Eles tentavam chegar a Fortaleza em um táxi alugado por R$ 530. Os suspeitos haviam oferecido um acréscimo de R$ 50 para que o taxista desviasse a rota até Icapuí para resgatar o terceiro comparsa, plano que acabou não se concretizando.

O Poder Judiciário validou as prisões em flagrante e decretou a prisão preventiva dos dois capturados:

José Antônio da Costa, de 32 anos: Identificou-se como pedreiro e possui antecedentes criminais.

Vinícius Gabriel da Silva Freitas, de 18 anos: Identificou-se como servente de pedreiro e também tem histórico de passagem pelo sistema prisional.

Armas enterradas na Maísa e rastro financeiro

Transferidos de volta ao Rio Grande do Norte, os dois homens foram autuados em flagrante pelo assassinato de Allyson Dyego, de 36 anos, e pela tentativa de homicídio qualificado contra o vereador Cabo Deyvinson. No momento da abordagem policial no Ceará, o suspeito Vinícius quebrou o próprio aparelho celular. Este suspeito teria confessado o crime aos policiais.

Apesar da destruição parcial do hardware, investigadores da DHPP afirmam que as perícias tecnológicas nos dispositivos conseguirão extrair dados cruciais para mapear a cadeia de comando do atentado, ligando executores a mandantes.

Informações obtidas pelos canais de inteligência apontam para a existência de uma transação via Pix no valor de R$ 10 mil destinada ao grupo executor. O dado financeiro foi revelado pelo secretário estadual de Segurança Pública, Coronel Araújo, em um áudio vazado durante a entrevista coletiva realizada na noite de terça-feira (16), em Mossoró. Como o teor da gravação não foi desmentido pela cúpula da segurança, tem esta informaçaõ como verdeira.

Certamente, o investigações se concentram em descobrir a titularidade da conta que financiou o crime.

Em operações subsequentes, com apoio integrado das Polícias Militares do RN e do Ceará, os agentes localizaram o arsenal utilizado no crime. Um fuzil, uma pistola e munição estavam enterrados no quintal da residência que serviu de esconderijo para a dupla na Maísa.

Exames papiloscópicos realizados pela Polícia Científica (ITEP) confirmaram a presença de impressões digitais dos dois suspeitos no interior do Corolla blindado, fixando tecnicamente a presença de ambos na cena do crime.

O Depoimento da vítima e o embate político nos bastidores

Ainda no leito hospitalar em Mossoró, onde se recupera de dois tiros nas pernas, o vereador Cabo Deyvinson prestou depoimento formal aos delegados do caso. No material audiovisual anexado aos autos do inquérito, o parlamentar narra detalhadamente o histórico de atritos com os grupos criminosos locais. A vítima relata que os confrontos começaram após ele apagar pichações de facções em prédios públicos da cidade. Em resposta, os criminosos passaram a proferir ameaças de morte contra a sua família, o que motivou o vereador a gravar e publicar vídeos de repúdio e enfrentamento aos criminosos nas redes sociais.

Os bastidores da elucidação do crime, no entanto, expuseram uma disputa política pelo protagonismo das investigações. Os delegados responsáveis diretos pelo caso em Mossoró, Caio Fábio e Thiago Biscoli, haviam agendado uma entrevista coletiva na tarde de quinta-feira (18) para prestar contas à imprensa local. A Cúpula da Segurança Pública do Estado interveio e barrou o evento, obrigando os delegados a se deslocarem às pressas até Natal para que o balanço fosse concedido, no dia seguinte, na sede da Governadoria, ao lado do secretário Coronel Araújo e de seus auxiliares.

Na capital, os gestores da Secretaria de Segurança Pública (Sesed) enalteceram os repasses financeiros governamentais e atribuíram a velocidade da resolução das prisões aos investimentos da gestão estadual. Os porta-vozes do governo, contudo, evitaram responder aos questionamentos sobre a baixa taxa de resolução de homicídios em Mossoró, que contabilizou mais de 70 mortes violentas nos primeiros cinco meses de 2026 — praticamente o dobro do índice registrado no mesmo período de 2025.

Profissionais da Polícia Civil que atuam nos plantões do interior alertam que o avanço das facções em território potiguar deixa um rastro crônico de sangue e pânico há pelo menos um ano. Para os agentes de base, o mérito da rápida elucidação do atentado deve-se estritamente ao empenho pessoal dos policiais civis e militares motivados pelo fato de a vítima ser um colega de farda, e não pela estrutura de trabalho deficitária ofertada pelo Estado no interior.

Os trabalhos investigativos continuam ao longo do final de semana para identificar e prender os demais envolvidos e os mentores intelectuais do ataque.  Qualquer informação à respeito deste caso ou de qualquer outro, deve ser informado no 181.

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