23 JUN 2026 | ATUALIZADO 11:54
POLÍCIA
Por Cezar Alves
23/06/2026 11:54
Atualizado
23/06/2026 11:54

Professor acusado de matar Netão Veras atropelado será julgado nesta quarta-feira, 24

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Segundo denuncia do MPRN, Lucas Lopes dirigia Citroen C3 acima de 100km/h na Avenida Abel Coelho, após uma noitada nos bares de Mossoró, quando atropelou e matou Netão Veras, no início da manhã do dia 22 de março de 2025, no Abolição III, em Mossoró-RN. Os policias que atenderam a ocorrência relataram ao MPRN que Lucas Lopes apresentava sinais de embriaguez. “Parecia um zumbi”, descreve a testemunha no processo. O júri começa às 9h, no Fórum Municipal Silveira Martins. Réu vai responder por homicídio doloso. A família vai comparecer, pedindo justiça em silencia a sociedade mossoroense.
Imagem 1 -  Segundo denuncia do MPRN, Lucas Lopes dirigia Citroen C3 acima de 100km/h na Avenida Abel Coelho, após uma noitada nos bares de Mossoró, quando atropelou e matou Netão Veras, no início da manhã do dia 22 de março de 2025, no Abolição III, em Mossoró-RN. Os policias que atenderam a ocorrência relataram ao MPRN que Lucas Lopes apresentava sinais de embriaguez. “Parecia um zumbi”, descreve a testemunha no processo. O júri começa às 9h, no Fórum Municipal Silveira Martins. Réu vai responder por homicídio doloso. A família vai comparecer, pedindo justiça em silencia a sociedade mossoroense.
Segundo denuncia do MPRN, Lucas Lopes dirigia Citroen C3 acima de 100km/h na Avenida Abel Coelho, após uma noitada nos bares de Mossoró, quando atropelou e matou Netão Veras, no início da manhã do dia 22 de março de 2025, no Abolição III, em Mossoró-RN. Os policias que atenderam a ocorrência relataram ao MPRN que Lucas Lopes apresentava sinais de embriaguez. “Parecia um zumbi”, descreve a testemunha no processo. O júri começa às 9h, no Fórum Municipal Silveira Martins. Réu vai responder por homicídio doloso. A família vai comparecer, pedindo justiça em silencia a sociedade mossoroense.
Foto: Cezar Alves

O professor Lucas Vinícius do Vale Lopes, de 24 anos, senta no banco dos réus do Tribunal do Júri Popular de Mossoró-RN nesta quarta-feira (24 de junho de 2026). O docente responde pelo atropelamento e morte de José Martins Veras Neto, conhecido como "Netão", ocorrido às 5h40 do dia 22 de março de 2025, na Avenida Abel Coelho, no bairro Abolição III, em Mossoró-RN.

A denúncia formulada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), assinada pelo promotor de Justiça Ítalo Moreira Martins, aponta que o réu conduzia um veículo Citroën C3 com sinais claros de embriaguez. Perícias técnicas realizadas pela Polícia Científica indicam que o automóvel desenvolvia velocidade entre 103,9 km/h e 120,2 km/h no momento do impacto, em um trecho urbano cujo limite máximo seguro é de 60 km/h.

Netão Veras costumava sair de casa nas primeiras horas da manhã pilotando uma motocicleta para realizar coletas de donativos destinados a instituições filantrópicas de Mossoró, como APAE, Amantino Camara e Oncologia. Havia acabado de passar em frente ao estabelecimento Porreta Burg quando foi violentamente colhido pelo carro do acusado Lucas Lopes. O motorista permaneceu no local e foi conduzido à Delegacia de Polícia Civil.

Relatórios preliminares dos policiais militares e agentes de trânsito indicavam o estado do condutor, mas a autuação inicial em flagrante não consolidou formalmente a embriaguez. Diante do cenário do auto de prisão, o delegado de plantão estipulou fiança de R$ 1.500, permitindo que o professor respondesse ao processo em liberdade.

O que mais revoltou, é que o acusado foi liberado pela Policia Civil antes da Policia Cientifica liberar o corpo de Netão Veras para velório e sepultamento. A morte de Netão Veras causou indignação entre entregadores, familiares e amigos, que fizeram protestos em Mossoró, por justiça.

Familiares da vítima reagiram à decisão, reuniram testemunhas e novos subsídios e provocaram o Ministério Público, que denunciou o réu por homicídio doloso (dolo eventual, quando se assume o risco de matar). O juízo da comarca acatou a denúncia e determinou o julgamento popular.

Os detalhes técnicos da denúncia do Ministério Público Estadual

O corpo da denúncia do MPRN expõe provas coletadas por meio de sistemas de videomonitoramento e relatórios de inteligência sobre o comportamento do acusado nas horas que antecederam a tragédia:

“Sobre a dinâmica do acidente, é possível perceber, através dos vídeos anexados aos autos, que o veículo conduzido pelo denunciado estava em alta velocidade, situação evidentemente incompatível com a via transitada e com as condições da pista, tendo em vista ser uma via urbana (...), bem como pela presença de poças d’água, que exige maior cautela dos condutores. O perito registrou que o acusado, no momento da colisão, estava em uma velocidade média entre 103,9 km/h e 120,2 km/h.”

O Laudo de exame pericial de ocorrência de tráfego reforça a gravidade da batida:

“A severidade dos danos em ambos os veículos é compatível com uma situação de alta velocidade relativa (...) e as lesões encontradas na vítima são compatíveis com impacto de alta energia.”

O rastro do consumo de álcool

Investigações da Polícia Civil mapearam que, na noite anterior ao crime, Lucas Lopes esteve no restaurante 27 Gastrobar. Imagens de câmeras de segurança e o depoimento do garçom do estabelecimento confirmaram que foram servidas diversas bebidas alcoólicas na mesa do acusado, incluindo cerveja e vodka, além de bebidas energéticas.

Depoimentos colhidos logo após a batida também dão peso à acusação de embriaguez. O vendedor de frutas Paulo Henrique Pereira Ricardo, que trabalha próximo ao local, relatou que o condutor foi até a sua banca pedir uma quantidade considerável de água logo após a colisão.

O sargento Freitas, primeiro policial militar a chegar à cena antes dos agentes de trânsito, descreveu o estado do réu em audiência oficial:

“Me aproximei do mesmo, perguntei se ele era o condutor do veículo do acidente. Ele disse que sim. Já dava para notar o visível estado de embriaguez, sintomas como sonolência, olhos vermelhos e hálito etílico (...). Parecia um zumbi. Constata-se não se tratar apenas de um motorista que fez uso de bebida alcoólica e provocou o sinistro, mas sim de alguém cujo nível de embriaguez o impossibilitava de dirigir com o mínimo de segurança.”

A dinâmica do TJP

A sessão de julgamento está agendada para começar às 9h, no fórum local. Familiares e amigos do motociclista organizaram uma mobilização pacífica para acompanhar os trabalhos e cobrar justiça aos sete membros do Conselho de Sentença, que serão sorteados entre cidadãos da sociedade mossoroense sob a presidência do juiz Vagnos Kelly Figueiredo de Medeiros.

A acusação e a defesa não indicaram testemunhas para depoimentos em plenário, o que tornará os debates mais diretos. O réu possui a prerrogativa legal de comparecer ou não ao julgamento. Caso compareça, Lucas Lopes terá a oportunidade de dar sua versão aos jurados, sendo interrogado pelo juiz Vagnos Kelly, pelo promotor Ítalo Moreira Martins e pelo seu advogado de defesa, Otoniel Maia de Oliveira Júnior.

O rito processual do Tribunal do Júri seguirá os seguintes prazos regimentais:

Acusação: O promotor de Justiça disporá de 90 minutos para apresentar as perícias e requerer a condenação do réu.

Defesa: O advogado Otoniel Maia terá os mesmos 90 minutos para sustentar as teses absolutórias ou de desclassificação do crime.

Finalizados os debates e as réplicas, os sete jurados do Conselho de Sentença serão conduzidos à Sala Secreta para votar os quesitos do crime. Na hipótese de um veredito condenatório, o juiz Vagnos Kelly realizará a dosimetria da pena e lerá a sentença final em plenário.

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