O professor Lucas Vinicius do Vale Lopes, de 24 anos, foi condenado a 7 anos e 9 meses de prisão, em regime semiaberto, pelo atropelamento e morte do servidor público José Martins Veras Neto, conhecido como "Netão Veras" (à época com 58 anos). O crime ocorreu no dia 22 de março de 2025, em Mossoró (RN).
Lucas Lopes foi a júri popular na manhã desta quarta-feira (24), no Fórum Municipal Desembargador Silveira Martins. Os trabalhos no Tribunal do Júri, presididos pelo juiz Vagnos Kelly, começaram por volta das 9h com o sorteio dos sete jurados que compuseram o Conselho de Sentença.
Netão Veras era uma figura querida por amigos e conhecida pelo envolvimento em instituições filantrópicas, para as quais realizava campanhas de arrecadação. Ele foi atropelado no início da manhã de 22 de março de 2025, na Avenida Abel Coelho, em frente ao Porreta Burg, no bairro Abolição III.
O veículo envolvido, um Citroën C3, era conduzido pelo professor Lucas Lopes. Segundo as investigações, ele dirigia em alta velocidade após passar a noite em bares do bairro Nova Betânia. Logo após o ocorrido, Lucas foi preso em flagrante, mas pagou uma fiança de R$ 1.500,00 e respondia ao processo em liberdade.
A sessão começou com o sorteio dos sete cidadãos que integraram o corpo de jurados, sob a condução do juiz Vagnos Kelly e com a respectiva validação do Ministério Público Estadual (MPRN) e dos advogados de defesa, Bruna Vidal e Nilton Filho.
Como não houve oitiva do réu e das testemunhas em plenário, passou-se diretamente para a fase de debates. O promotor de Justiça Ítalo Moreira Martins, auxiliado pelos advogados assistentes de acusação Marcos Freitas e Rafaella Xavier, iniciou a apresentação dos fatos.
O representante do MPRN demonstrou em detalhes que o réu não estava apenas sob efeito de álcool, mas "completamente embriagado" no momento do atropelamento. A acusação apresentou provas técnicas indicando que o Citroën C3 trafegava a uma velocidade que variava entre 100 km/h e 120 km/h.
Durante os 90 minutos destinados à acusação, os advogados Marcos Freitas e Rafaella Xavier destacaram o impacto social da perda de Netão, mencionando o trabalho filantrópico que ele realizava e o desamparo de sua família.
"Quem dirige naquela velocidade ou está fora de si ou fez porque quis, consciente", sustentou a advogada Rafaella Xavier ao pedir a condenação aos jurados, respaldada nas provas técnicas.
Na sequência, a defesa — composta pelos advogados Bruna Vidal, Nilton Filho e Otoniel Maia de Oliveira Junior — focou sua tese na redução da pena (dosimetria), contestando o estado de embriaguez do réu, uma vez que se tratava de um acusado que havia confessado o crime desde o flagrante.
Após as deliberações na Sala Secreta, ocorridas logo após o meio-dia, o Conselho de Sentença decidiu pela condenação do réu nos termos propostos pela acusação. Com base na decisão dos jurados, o juiz Vagnos Kelly fixou a pena definitiva em 7 anos e 9 meses de reclusão.
A defesa do réu tem o prazo legal de 5 dias para recorrer da decisão. Para o promotor Ítalo Moreira e os assistentes de acusação, embora o resultado não traga a vítima de volta, o veredito atende aos anseios de justiça da família e da sociedade.
O julgamento do caso Netão Veras marcou a despedida do juiz Vagnos Kelly do Tribunal do Júri Popular de Mossoró. Após mais de 15 anos de serviços prestados à sociedade mossoroense na condução de processos criminais da 1ª Vara Criminal, o magistrado será transferido para a 4ª Vara da comarca.