29 JUN 2026 | ATUALIZADO 18:15
POLÍCIA
29/06/2026 18:02
Atualizado
29/06/2026 18:03

Foragido há 42 anos por tragédia com 19 mortes no Carnaval de Natal é preso em MT

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O motorista Aluísio Farias Batista, de 69 anos, foi preso em Mato Grosso após passar 42 anos foragido pela "Tragédia do Baldo", atropelamento coletivo que deixou 19 mortos e 12 feridos graves no Carnaval de Natal, em 1984. Condenado a 21 anos em regime fechado, o criminoso usava a identidade de um homem morto para trabalhar regularmente como motorista profissional, farsa descoberta pelas polícias civis por meio de investigação documental e reconhecimento facial digital.
Imagem 1 -  O motorista Aluísio Farias Batista, de 69 anos, foi preso em Mato Grosso após passar 42 anos foragido pela "Tragédia do Baldo", atropelamento coletivo que deixou 19 mortos e 12 feridos graves no Carnaval de Natal, em 1984. Condenado a 21 anos em regime fechado, o criminoso usava a identidade de um homem morto para trabalhar regularmente como motorista profissional, farsa descoberta pelas polícias civis por meio de investigação documental e reconhecimento facial digital.
O motorista Aluísio Farias Batista, de 69 anos, foi preso em Mato Grosso após passar 42 anos foragido pela "Tragédia do Baldo", atropelamento coletivo que deixou 19 mortos e 12 feridos graves no Carnaval de Natal, em 1984. Condenado a 21 anos em regime fechado, o criminoso usava a identidade de um homem morto para trabalhar regularmente como motorista profissional, farsa descoberta pelas polícias civis por meio de investigação documental e reconhecimento facial digital.
Foto: Polícia Civil do MT

A Polícia Civil do Rio Grande do Norte, em ação conjunta com a Polícia Civil de Mato Grosso, prendeu na última sexta-feira (26) o motorista Aluísio Farias Batista, de 69 anos. Ele estava foragido há 42 anos por provocar a chamada "Tragédia do Baldo", um atropelamento coletivo que deixou 19 mortos e 12 feridos graves durante o Carnaval de Natal, em 1984. O homem, que vivia no Centro-Oeste há décadas, foi condenado a 21 anos de reclusão em regime fechado.

O crime ocorreu na madrugada de 25 de fevereiro de 1984, na capital potiguar. Segundo testemunhas e registros da época, Batista demonstrou irritação antes de assumir o volante e trafegava a cerca de 70 km/h quando ignorou semáforos, colidiu com um Fusca estacionado e perdeu o controle do ônibus em uma descida sob o Viaduto do Baldo. O veículo atravessou o canteiro central e invadiu a avenida onde desfilava o bloco carnavalesco Puxa-Sacos, percorrendo 86 metros e atingindo uma multidão estimada em 5.000 foliões. 


Imagem: No Minuto. Acervo da página Natal das Antigas

O atropelamento em massa, que vitimou cinco sargentos da Polícia Militar e o neto do ex-senador Dinarte Mariz, traumatizou a cidade e esvaziou o Carnaval de rua local por décadas. O episódio é considerado uma das maiores tragédias da história do Rio Grande do Norte. O motorista fugiu do local logo após o atropelamento e nunca havia cumprido a pena.

A localização do condenado, realizada no âmbito da Operação Resgate, foi possível a partir de técnicas de investigação documental e do uso da única fotografia disponível do suspeito, registrada no ano do crime. O primeiro indício relevante surgiu quando a polícia identificou que o pai do foragido havia morrido na cidade de Tangará da Serra (MT), em 2021. A informação permitiu o intercâmbio de dados e o direcionamento das buscas das inteligências policiais dos dois estados.

A investigação apontou que Batista conseguiu viver na clandestinidade alternando entre seus dados reais e a identidade de uma pessoa morta. Em 1995, ele chegou a emitir um documento de identidade com seu nome verdadeiro em Mato Grosso. No ano seguinte, após a morte de um homem em Natal (RN), o motorista assumiu os dados do falecido. A Polícia Civil abriu um novo inquérito para precisar o momento exato em que a fraude começou a ser utilizada rotineiramente.

Os investigadores afirmam, contudo, que o documento falso foi usado com certeza em 2021 para que o idoso renovasse a Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Com o documento regularizado em nome de terceiros, ele continuava exercendo a profissão de motorista. O confronto da fraude e a confirmação da verdadeira identidade do criminoso foram obtidos por meio de cruzamento de bancos de dados públicos e exames de comparação facial digital.

Os agentes tentaram prender Batista inicialmente em seu local de trabalho, mas ele não foi encontrado. Em seguida, a equipe se deslocou até a residência do idoso, onde ele tentou se identificar com o nome falso. Ao ser confrontado com as provas documentais levadas pelos policiais, o homem confessou a identidade real. Ele foi conduzido à delegacia local e transferido para o sistema prisional de Mato Grosso, onde iniciou o cumprimento da pena.

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