As panelas já estavam aquecidas no topo da serra do Alto Oeste potiguar, mas o verdadeiro tempero que ditou o ritmo da 18ª edição do Festival Gastronômico e Cultural de Martins veio de fora da cozinha. Sob um termômetro que flutuava perto dos 16°C, ao longo do dia a temperatura até ficou um pouco elevada, mas a brisa e a sensação térmica mantiveram o clima agradável para os visitantes.
O evento uniu a imponência geográfica da serra, a boa música e as consagradas belezas naturais locais para consolidar um modelo econômico atípico para grandes eventos sazonais, ao longo de quatro dias, entre 09 e 12 de julho de 2026. Segundo estimativas do governo estadual e da prefeitura local, o evento gerou cerca de 100 mil participações ao longo de quatro dias de programação, atraindo visitantes de Estados vizinhos como o Ceará e a Paraíba.
O festival funciona como a principal vitrine da chamada Rota do Frio, um circuito que tenta posicionar o interior do Rio Grande do Norte no mapa do turismo sustentável e de inverno, rivalizando com o apelo de sol e praia do litoral. "Cada prato servido e cada apresentação artística representam a engrenagem de uma economia da cultura", afirmou a governadora Fátima Bezerra durante a abertura oficial do evento.
O impacto na ocupação hoteleira transbordou os limites municipais, preenchendo leitos em cidades vizinhas como Serrinha dos Pintos, Portalegre e Pau dos Ferros. Para absorver o fluxo de turistas, que travou os acessos à zona urbana com engarrafamentos na subida da serra, a gestão municipal implementou um sistema de estacionamento integrados a vans e ônibus gratuitos.
Na área gastronômica, restaurantes, docerias artesanais e uma fileira de food trucks. Os menus foram orientados a utilizar comidas e temperos locais, combinando técnicas contemporâneas a ingredientes tradicionais da culinária nordestina.
O palco principal apresentou nomes da música nacional com manifestações regionais. A noite de abertura contou com o pop rock do Jota Quest. O encerramento, no último domingo, ficou por conta do pagode dos mineiros do Só Pra Contrariar. Pelo mesmo palco passaram ainda a duo Anavitória e o cantor Fagner.
A cantora Vitória Falcão, vocalista da Duo Anavitória, contou que espera voltar mais vezes a cidade, “é tão bom quando a gente faz shows em lugares que geralmente não estão na rota dos grandes shows de artistas nacionais, poque a gente tem a chance de chegar em todos os lugares, onde tem pessoas que querem nos conhecer de perto. Conhecemos esse sentimento, somos de uma cidadezinha do interior do Tocantis”.
O cantor Raimundo Fagner, também destacou a admiração de se apresentar na cidade, “eu tenho prazer em fazer shows no Rio Grande do Norte, eu amo essa terra, foi aqui que eu comecei, meu primeiro show nesse Estado foi em 1968. Guardo na memória”.
A consolidação do festival coincide com novas apostas de preservação para a região, como a recente criação do Monumento Natural Cavernas de Martins. A medida visa conter os impactos ambientais do avanço imobiliário e do turismo de massa sobre o patrimônio espeleológico local, sinalizando que o crescimento econômico da serra dependerá do equilíbrio com seus recursos naturais.