05 AGO 2026 | ATUALIZADO 13:14
SAÚDE
Por: Ayrton Silva
05/08/2026 13:07
Atualizado
05/08/2026 13:07

HRTM faz 4ª captação de órgãos do ano e corre contra o tempo para enviar rins ao RS

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Em uma corrida contra o tempo, os órgãos serão transportados até Natal para embarcar em um voo comercial e salvar dois receptores no Rio Grande do Sul. O médico César Britto destacou o potencial da região, mas lamentou as frequentes recusas familiares geradas pela desinformação.
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Foto: Pedro Cézar

O Hospital Regional Tarcísio Maia (HRTM), em Mossoró, realiza nesta quarta-feira (05) a quarta captação de órgãos de 2026. O doador é um paciente de 58 anos que estava internado na unidade após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Após a confirmação da morte encefálica, a família autorizou o procedimento.

Uma equipe médica especializada viajou de Natal até Mossoró, de helicóptero, para retirar dois rins do paciente. Os órgãos serão transportados para o Rio Grande do Sul, onde beneficiarão duas pessoas que aguardam na fila da diálise.

O transporte envolve uma operação logística complexa e contra o relógio. Após a finalização da cirurgia e o acondicionamento adequado das estruturas, os rins serão levados de helicóptero até a capital potiguar. Em Natal, a equipe deve embarcar em um voo comercial programado para as 17h15.

Janela cirúrgica restrita

A restrição da captação apenas aos rins reflete os desafios técnicos e de infraestrutura do sistema de transplantes. O médico César Britto explica que o paciente possuía histórico de hepatite, o que inviabilizou a recomendação do fígado devido às incertezas sobre a função do órgão. "A gente não sabe como esse fígado estaria do ponto de vista funcional. Então as equipes de fora terminam não tendo um bom aceite", afirma Britto.

Coração e pulmão também foram descartados por critérios logísticos. "Não captamos outros órgãos porque a logística é muito apertada. Enquanto o rim a gente consegue usá-lo, dependendo da solução da preservação, até por 48 horas depois, o fígado ideal é 12. Isso já possibilita percorrer mais distâncias, mas coração e pulmão são de quatro a seis horas", detalha o médico. "Por isso a gente termina tendo muita dificuldade com esses órgãos que têm pouco tempo de preservação."

Recusa familiar é obstáculo

Embora a região de Mossoró registre um volume expressivo de notificações e potenciais doadores — superando a capital em determinados períodos —, a taxa de rejeição das famílias ainda é considerada alta pelas equipes de saúde. "O nosso hospital tem bastante notificações. Muitas vezes, Mossoró tem mais doação do que Natal, inclusive", contextualiza Britto.

"A mensagem que talvez a gente tenha que deixar mais clara é que tem muita recusa ainda. De forma que, apesar de ter bastante captação, a gente poderia ter muito mais se não tivéssemos as recusas."

Para o médico, o principal obstáculo reside na desinformação sobre o procedimento. "Talvez falte mais esclarecimento da população de que o corpo termina ficando íntegro, não fica nada deformado. Até quando os olhos são retirados, nós reconstruídos, o cadáver não terá nenhuma deformidade que vá trazer o não reconhecimento", finaliza Britto, reforçando que a cirurgia preserva a integridade estética para o velório.

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