
Representantes das polícias Civil, Militar, Federal, Rodoviária Federal e das polícias penais estadual e federal reuniram-se em Mossoró (RN) para discutir a integração das corporações frente ao avanço do crime organizado. O município, que havia registrado no ano passado o menor índice de assassinatos das últimas duas décadas, enfrenta uma inversão da tendência com o crescimento de mortes violentas neste ano, impulsionado pela chegada de novos grupos criminosos.
De acordo com as autoridades locais, o recrudescimento da violência é reflexo direto de uma guerra de facções pela hegemonia do tráfico de drogas na região. “Apesar do ano passado a gente ter tido um excelente número, o menor número de homicídios da história de Mossoró nos últimos 20 anos, desde que é contado o número de homicídios, mas esse ano a gente teve um incremento, muito por causa da atuação das facções criminosas”, explicou Alex Vagner, chefe da Divisão Especializada em Investigação e Combate ao Crime Organizado (Divipoe-RN).
Segundo Vagner, o cenário atual é caracterizado por um conflito sangrento de expansão. “Na verdade, o que tem havido é uma disputa entre elas, entre as facções e os territórios. Então imagina que já existiam facções aqui em Mossoró e no Rio Grande do Norte, e vem uma nova facção tentando tomar o território aqui de Mossoró porque eles precisam do território para poder explorar o território e explorar a população”, detalhou. O chefe da Divipoe-RN ressaltou ainda o perfil das vítimas: “Nesse confronto, ele garante a disputa entre as duas facções, tem ocorrido muitos homicídios de seus integrantes. Então eles estão lá praticando homicídios um contra o outro nessa disputa, infelizmente, a maioria são jovens, os homicídios são com arma de fogo, com carteirista de execução”.
Apesar do acirramento da rivalidade entre as facções, a cúpula da Segurança Pública nega que haja áreas de exclusão ou territórios onde o Estado não consiga exercer o policiamento. “Aqui em Mossoró nós não temos qualquer dificuldade, certo? Hoje a polícia militar e a civil não enfrentam alguma dificuldade em entrar em algum território dominado por facções, ou não existe esse tipo de impedimento das forças de segurança atuarem em determinados lugares”, garantiu o delegado regional da Polícia Civil de Mossoró, Rafael Arraes.
Arraes destacou as ferramentas de investigação voltadas à repressão qualificada, pontuando que o município conta hoje com três delegacias dedicadas exclusivamente a essa finalidade. “Em relação especificamente a Mossoró, nós temos três delegacias, teve um incremento recentemente com o setor da inteligência, para dar mais afinco na investigação de homicídios aqui na cidade de Mossoró”, informou o delegado regional, mencionando também o suporte dado pelo Núcleo de Investigação de Mortes Violentas (Nimov) para os casos nos municípios vizinhos. “A gente está vendo realmente, esse ano teve um aumento, um incremento, um aumento em decorrência dessas lutas de facções, e esse encontro é justamente para isso, é a integração entre gestores da segurança pública, a gente vê os pontos positivos, os pontos negativos, e tentar avançar no combate à criminalidade”.
Para as autoridades presentes, o compartilhamento de dados de inteligência e as operações conjuntas continuam sendo os caminhos mais viáveis para sufocar o poder financeiro e bélico das organizações. “A integração, ela é a já principal ferramenta no combate ao crime organizado, principalmente no combate às facções criminosas”, defendeu Igor Chagas, delegado da Polícia Federal.
O representante da PF lembrou o modelo de atuação interinstitucional já adotado no Rio Grande do Norte por meio da Ficco (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado). “A Polícia Federal, ela coordena uma força integrada de combate ao crime organizado, ela é composta por várias forças policiais, a Polícia Civil, Polícia Militar, a PRF, as Polícias Penais Federal e Estadual. Essa integração, ela tem gerado excelentes resultados. Aqui em Mossoró, nós tivemos o privilégio de ser um dos pioneiros nessa integração”, concluiu Chagas.