30 MAI 2024 | ATUALIZADO 10:53
POLÍCIA
Da redação
14/05/2017 09:14
Atualizado
13/12/2018 12:49

Números do Obvio mostram que prender, deixar pior na prisão e soltar não resolve

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Neste domingo, o Observatório da Violência do RN registrou o Crime Violento Letal e Intencional de número 900. Em Mossoró, são 97.
Imagem 1 -  Números do Obvio mostram que prender, deixar pior na prisão e soltar não resolve
O Centro de Operações da Policia Militar recebeu mais uma ligação telefônica, entre muitas, no final da tarde deste sábado, 13, comunicando de um assassinato na Pousada das Termas, em Mossoró (veja AQUI). Era a ocorrência de Conduta Violenta, Letal e Intencional de número 97, só neste ano de 2017. No Rio Grande do Norte, chegou ao número aterrorizante de 900 CVLIs, conforme o Observatório da Violência no RN.
 
O histórico de cada uma das ocorrências, seja onde for no RN, se colocado lado da lado, fica a clara impressão de que é uma só. A motivação também é uma coisa extremamente banal. Mata-se por motivos tolos. A vida deixou de ter valor para uma parcela enorme da população.
 
No dia 12 de abril, um jovem matou um agricultor de 23 anos em Apodi só para provar que tinha coragem de matar e, assim, ingressar na facção criminosa Primeiro Comando da Capitão, PCC, criada em SP. Este jovem de 17 anos foi preso e contou tudo ao promotor de Justiça Armando Lúcio Ribeiro, que estava de plantão na Comarca de Mossoró.
 
Veja mais
Adolescente matou agricultor em Apodi como prova de coragem para ingressar no PCC
 
Se considerar os números, estamos no décimo primeiro ano de matança no Rio Grande do Norte. De 1998 a 2005, a média de assassinatos, por ano, em Mossoró, era 30. Proporção menor era registrada no restante do RN. De 2006 em diante, começaram as assassinatos.
 
Neste primeiro ano foram 53 assassinatos em Mossoró. Em 2007 já foram 87. Em 2008 já estava em 118. Em 2011, atingimos 194. Manteve-se nesta média até 2015, quando em 2016 bateu o recorde de 217 Condutas Violentas, Letais e Intencionais.
 
Assusta aos humanos. Aos desumanos, o sentimento de vingança guia para mais crimes. Os movimentos são cada vez mais evidentes nas redes sociais desejando a morte dos “envolvidos” e os tolos nem imaginam que assim estão gerando uma geração de assassinos, proporcionando o crescimento de uma bolha de sangue e horror ao longo dos anos.
 
E não adianta ignorar este cenário. É real e aterrorizante. Todo dia se aumenta o desejo de matar numa parcela significativa da socidade, o desejo de querer fazer o papel de Deus, de tirar a vida de um semelhante por este, ao seu julgamento, ser “envolvido”.
 
O que motiva, o desejo de vingança, de vingar qualquer tolice ou nada mesmo, como o caso de Apodi? O discurso no “meio” é que esta resposta é a impunidade, a injustiça... Se não tem quem que possa punir com o rigor da lei, adota-se a Lei do Talião.
 
O Estado, por sua vez, não consegue dá a resposta devida a sociedade. Continua pegando gente ruim na rua, deixando 100 vezes pior no presídio, jogando de volta nas ruas e chamando isto de segurança pública. Enquanto sociedade, ficamos inerte a este absurdo!
 
Na Justiça, são tantos casos de CVILs, que atualmente o juiz que preside os julgamentos dos crimes contra a vida em Mossoró está analisando os processos de 2011 e dos poucos réus que estão presos, pois estes tem prioridade. A expectativa é que até o final do ano sejam colocados para a sociedade julgar cerca de 55 acusados de crimes contra a vida.
 
Noutra ponta, considerando que em 4 meses e 14 dias foram registrados 97 CVLIs, a expectativa é que até o final do ano, este número passe a casa dos 240, quebrando o recorde de CVLIs registrados em 2016, que foi 217. Isto é a prova real de que os esforços que estão sendo feitos (prende, deixa pior e solta), não estão reduzindo os homicídios no RN.
 
Na esfera de policialmente ostensivo, o clima é de insatisfação. O PM prende o suspeito, porém a Polícia Civil não consegue, por falta de estrutura e pessoal, colocar provas no processo que o incrimine, e este termina solto. Na prática, a Polícia Civil trabalha com cerca de mil policiais e precisava ter pelo menos 6 mil. A perícia técnica ainda não existe.
 
Por fim, o sistema prisional se transformou numa grande bolha de horror, controlada por fações criminosas (O PCC veio de SP e o Sindicato do RN surgiu em 2013, durante o governo de Rosalba Ciarlini), que para sobreviverem, se matam dentro e fora dos presídios, transformando as famílias de bem em reféns dentro de suas próprias casas/presídios nas cidades polos.

Diante dos números e fatos apresentados pelo Observatório da Violência do RN, resta avidente que o Estado precisa, com urgência, investir na estruturação da família, colocar as escolas para funcionarem em tempo integral com estrutura de capacitação profissional, esportes e cultura, bem como se associar as igrejas e associações para se trabalhar campanhas de fortalecimento da idéia do perdão no seio social.

Em outra ponta, é extremamente importante que se coloque os presos para trabalharem, para assim os presos pagarem pelo prejuízo que causaram na sociedade, apreenda uma profissão e desenvolva a possibilidade de não retornar ao mundo do crime. Também é extremamente importante que se crie a instituição de pericia criminal e reforcem o contingente policial Civil, Miliar, bem como de Perícia Criminal.

Ao concluir este texto, mais um chamado no Central de Operações da Polícia Militar: Tratava-se do CVLI 98 (Veja AQUI).

Que Deus nos proteja!
 

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