25 ABR 2019 | ATUALIZADO 22:38
MUNDO

Cúpula militar faz pronunciamento de apoio a Maduro e acusa Guaidó de golpe

O ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padriño López, afirmou nesta quinta-feira que a autoproclamação do líder opositor Juan Guaidó como presidente interino é uma tentativa de "golpe de Estado".
AGÊNCIA O GLOBO
24/01/2019 15:20
Atualizado
24/01/2019 15:42
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Cúpula faz pronunciamento de apoio a Maduro e acusa Guaidó de golpe
Padrino Lópes afirmou que a oposição é comandada pela extrema direita, que procura dividir a Venezuela a partir de um "vulgar golpe de Estado"
LUIS ROBAYO / AFP

Cercado por toda a cúpula militar da Venezuela, o ministro da Defesa da Venezuela, general Vladimir Padriño López, afirmou nesta quinta-feira que a autoproclamação do líder opositor Juan Guaidó como presidente interino é uma tentativa de "golpe de Estado".

— Alerto o povo da Venezuela que está ocorrendo um golpe de Estado contra a institucionalidade, contra a democracia, contra a nossa Constituição, contra o presidente Nicolás Maduro, presidente legítimo — afirmou o ministro em pronunciamento ao lado dos nove comandantes da Força Armada Nacional Bolivariana (Fanb), perfilados em frente a retratos de Simón Bolívar, libertador da América espanhola, e de Hugo Chávez, líder do bolivarianismo, que governou a Venezuela de 1999 até morrer em 2013.

Padrino Lópes afirmou que a oposição é comandada pela extrema direita, que procura dividir a Venezuela a partir de um "vulgar golpe de Estado contra o governo legitimamente constituído" e levar o país a uma guerra civil.

— Este plano criminoso chegou ontem a limites de altíssimo perigo — afirmou, acrescentando que tentaram "instalar um governo paralelo de fato" para gerar "caos e anarquia.

Ele, no entanto, instou ao diálogo entre o governo e setores da oposição, porque "a guerra não é nunca a nossa opção, mas sim o instrumento de apátridas que não sabem o que ela significa".

— Não é a guerra que resolverá os nossos problemas — acrescentou.

Além da mensagem de Padriño, transmitida pela TV estatal, pouco antes, oito generais que comandam regiões estratégicas da Venezuela ratificaram sua "lealdade e subordinação absoluta ao presidente constitucional da Venezuela", em mensagens divulgadas pela emissora. "Leais sempre, traidores nunca", disse um deles.

Na quarta-feira, o o general já defendera o governo em mensagem no Twitter. "O desespero e a intolerância atentam contra a paz da nação. Nós, soldados da pátria, não aceitamos um presidente imposto à sombra de interesses obscuros, nem autroproclamado às margens da lei", escreveu.

Na quarta-feira, Guaidó convocou as Forças Armadas para se colocarem "ao lado do povo que sofre e da Constituição", e voltou a estender a mão aos que abandonarem Maduro com uma oferta de anistia, objeto de lei aprovada pela Assembleia Nacional de maioria opositora.

Para analistas do Eurasia Group, obter o reconhecimento do alto comando militar é vital para que Guaidó possa liderar uma transição, de modo que uma "queda de Maduro não parece iminente".

— Pode haver desde uma reação a favor de Maduro por parte dos atores que o sustentam, até uma reação violenta contra Guaidó ou contra o Parlamento — comentou o cientista político Luis Salamanca à AFP.

Maduro planeja participar nesta quinta-feira de uma sessão no Supremo Tribunal de Justiça (TSJ), de maioria governista, que ordenou nesta quarta-feira que o Ministério Público investigue criminalmente os membros do Parlamento, de maioria opositora, acusando-os de usurpar as funções de Maduro.


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