19 MAI 2019 | ATUALIZADO 09:00
NACIONAL

Sócio da Gol diz que pagou 10 milhões a Henrique, Geddel, Eduardo e Temer

Na delação homologada pela Justiça Federal, o empresário Constantino citou supostos pagamentos no ano de 2012 para obter benefícios na liberação de recursos do FI-FGTS, usado para financiar obras de infraestrutura.
Por André Richter - Repórter da Agência Brasil
14/05/2019 07:59
Atualizado
14/05/2019 08:03
A+   A-  
Sócio da Gol diz que pagou 10 milhões a Henrique, Geddel, Eduardo e Temer
Eduardo Cunha, Henrique Alves, Geddel Vieira e Michel Temer teriam solicitado R$ 10 milhões em 2012 ao sócio da Gol, Henrique Constantine; Delação foi homologada pela Justiça de Brasília

O juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal em Brasília, homologou acordo de delação premiada fechado entre o empresário Henrique Constantino, um dos sócios da empresa aérea Gol, e o Ministério Público Federal (MPF). A decisão foi assinada no mês passado e divulgada hoje (13), após o magistrado retirar parte do sigilo dos depoimentos.

Na delação, o empresário citou supostos pagamentos para obter benefícios na liberação de recursos do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS), usado para financiar obras de infraestrutura. Henrique Constantino é um dos réus na ação penal aberta pelo magistrado sobre o caso. 

No acordo, o empresário se comprometeu a devolver cerca de R$ 70 milhões, dez vezes a quantia que teria sido paga de propina. Nos depoimentos foram citados o ex-ministro Geddel Vieira Lima e os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves, investigados pelos supostos desvios no fundo durante as operações Sépsis e Cui Bono, da Polícia Federal (PF). 

O ex-presidente Michel Temer também foi citado em um dos depoimentos. Constantino relatou que participou de uma reunião, em julho de 2012, com Cunha, Henrique Alves e o então vice-presidente, Michel Temer, na qual "foi solicitado o valor de global de R$ 10 milhões em troca da atuação ilícita de membros do grupo" para a empresa Via Rondon, concessionária de rodovias pertencente ao empresário. 

Em nota, a defesa de Temer reafirmou que o ex-presidente nunca cometeu crimes e disse que "soa estranha" a divulgação dos depoimentos antes do julgamento do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que deve decidir amanhã (14) sobre o pedido de liberdade relacionado a outro processo. Temer está preso em um quartel da Polícia Militar em São Paulo. 

"De qualquer forma, desde já Michel Temer reitera que nunca cometeu crimes de nenhuma natureza, e repele essa prática odiosa que se usa para persegui-lo judicialmente, sempre com base em delações de quem se beneficia com os relatos mentirosos que faz, os quais são vazados propositalmente para prejudicar Temer", diz a defesa. 

As defesas de Cunha e Henrique Alves afirmaram que ambos vão provar inocência ao final do processo. A Agência Brasil não conseguiu contato com o advogado de Geddel Vieira Lima.

Notas

Publicidades

Outras Notícias

Deixe seu comentário