18 NOV 2019 | ATUALIZADO 20:00
NACIONAL

Bolsonaro ameaça extinguir a Ancine caso não possa filtrar produções

"Vai ter um filtro sim. Já que é um órgão federal, se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos", afirmou o presidente; cineastas receberam a declaração como uma ameaça de censura às produções brasileiras.
COM INFORMAÇÕES DO G1
19/07/2019 18:36
Atualizado
19/07/2019 18:37
A+   A-  
Imagem 1 -
FOTO: REPRODUÇÃO/G1

Nesta sexta-feira (19) o presidente Jair Bolsonaro afirmou que se o governo não puder impor algum filtro nas produções audiovisuais brasileiras, por meio da Agência Nacional do Cinema (Ancine), ele extinguirá a agência.

Vinculada ao Ministério da Cidadania, a Ancine é uma agência reguladora que tem como atribuições o fomento, a regulação e a fiscalização do mercado do cinema e do audiovisual no Brasil.

Bolsonaro repetiu que pretende transferir a sede da agência para Brasília, e disse que ainda não decidiu se o órgão permanecerá sob a alçada da Cidadania, ou se será transferida para outro ministério.

"Vai ter um filtro sim. Já que é um órgão federal, se não puder ter filtro, nós extinguiremos a Ancine. Privatizaremos ou extinguiremos", afirmou o presidente, após participar de uma solenidade em comemoração ao Dia Nacional do Futebol.

Questionado sobre qual filtro desejaria impor à Ancine, Bolsonaro respondeu: "Culturais, pô".

Ele disse ainda que ainda não decidiu se a Ancine permanecerá como agência reguladora, ou se passará a ser uma secretaria subordinada a ele. "Ligada a um ministério, não sei qual, se vai ser o do Osmar Terra [ministro da Cidadania] ou não", explicou.

O presidente voltou a criticar o uso do dinheiro público para fazer "filmes pornográficos" e defendeu que o cinema brasileiro passe a falar dos "heróis brasileiros".

"Temos tantos heróis no Brasil, e a gente não fala dos heróis do Brasil, não toca no assunto. Temos que perpetuar, fazer valer, dar valor a essas pessoas no passado deram sua vida, se empenharam para que o Brasil fosse independente lá atrás, fosse democrático e sonha-se com um futuro que pertence a todos nós", complementou.

REPERCUSSÃO

Bruno Barreto, cineasta, diretor de filmes como "O que é isso, companheiro?" e "Dona Flor e seus dois maridos":

"No caso o que ele chama de filtro me parece censura, nem na época da ditadura militar isso ocorreu. Se acontecer de fato, eu sou contra, claro. Os projetos eram todos produzidos, depois havia censura, havia cortes, mas os projetos não deixavam de ser produzidos."

Vicente Amorim, cineasta, diretor de filmes como "Irmã Dulce", "Um homem bom" e "O caminho das nuvens":

"As mudanças propostas são ilegais. Toda proposta é absurda: levar a Ancine para Brasília (caríssimo); extinguir a Ancine (ilegal); e filtrar conteúdo (censura)".

CONSELHO

O governo também decidiu reduzir pela metade a participação de representantes da indústria cinematográfica no Conselho Superior do Cinema, órgão responsável por elaborar a política nacional para o setor.

Decreto publicado na edição desta sexta do "Diário Oficial da União" reduz de seis para três o número de representantes do setor. Também reduz a participação da sociedade civil no colegiado: de três para dois representantes.


Notas

Compra Notebook

Publicidades

Novas inscrições MOSSORÓ

Outras Notícias

Deixe seu comentário